Lucas Pastore
16/08/2016
06:10
Rio de Janeiro (RJ)

A Seleção Brasileira masculina de basquete está fora da Olimpíada do Rio de Janeiro. Nessa segunda-feira, a equipe nacional venceu a Nigéria por 86 a 69, mas viu a Espanha derrotar a Argentina por e encerrar as chances de classificação do Brasil. A ausência das quartas de final dos Jogos deve marcar o fim do último ciclo olímpico de vários jogadores – entre eles Guilherme Giovannoni, único jogador de garrafão mais moderno do elenco.

O basquete atual dá cada vez mais importância tática aos arremessadores, que obrigam seus marcadores a ficarem perto e, espalhados pela quadra, abrem espaço para infiltrações. O fundamento é ainda mais importante para jogadores de garrafão, que obrigam os defensores mais altos do outro time a saírem de perto do aro. Foi assim que Giovannoni fez carreira na Seleção, e foi assim que o ala-pivô se destacou na Olimpíada.

Com aproveitamento de 50% nos arremessos de três pontos durante os Jogos, Giovannoni foi, ao lado do armador Marcelinho Huertas, o melhor brasileiro da Olimpíada no fundamento entre os que arriscaram pelo menos uma bola do perímetro por jogo. Terminou a competição com médias de 4,8 pontos e 3,4 rebotes em 13,5 minutos por exibição.

Com Giovannoni em quadra, o Brasil fez 3,6 pontos a mais do que levou no Rio de Janeiro. Entre os jogadores que disputaram as cinco partidas da Seleção, só Leandrinho, com quatro, teve saldo melhor.

As boas apresentações de Giovannoni também causaram impacto nos números coletivos da Seleção Brasileira no Rio de Janeiro. A cada 100 posses de bola, o Brasil produziu 131,9 pontos com o pivô em quadra. Só Cristiano Felício (136,5) e Augusto Lima (135,6) tiveram índice melhor do que o dele na Olimpíada.

O estilo moderno, que pede alas-pivôs mais baixos, leveis e ágeis, capazes de espaçar a quadra com seus arremesos de três pontos, contrasta com a idade de Giovannoni. Aos 36 anos de idade, é um dos mais velhos da Seleção, ao lado de Alex. Outros cinco convocados para a Olimpíada também são "trintões".

Para conseguir chegar à Olimpíada de Tóquio, a Seleção terá de se virar sem o seu pequemo gigante.

BATE BOLA
Guilherme Giovannoni, ao LANCE!

Você acha que é mais difícil jogar com um cara da sua característica na Olimpíada?
Não não, acho que depende da estratégia que cada equipe vai usar. Se você tem dois caras grandes, que a gente chama de "cincos", você consegue tranquilamente jogar com os dois. Muita gente fala que daí fecha o espaço, eu não acredito muito nisso. Acredito que você consegue abrir muito espaço mesmo com dois caras grandes, e aí vai da estratégia de cada técnico.

Essa tendência do uso de alas-pivôs mais baixos é irreversível? Na NBA já tem até caras com sua característica jogando na cinco.
A gente tem que tomar cuidado com isso. Lógico que é uma novidade, mas a NBA tem algumas regras que abrem ainda mais o garrafão. Você tem os três segundos, não pode estar a mais de três metros de um atacante, e isso facilita um pouco para o ataque. Então, eu acredito ainda que os homens grandes vão ser muito usados. Vai depender de cada técnico.

QUEM FICA?

Os trintões
Alex e Guilherme Giovannoni, com 36 anos, Marcelinho Huertas, Leandrinho e Nenê, com 33, Marquinhos, com 32, e Rafael Hettsheimeir, com 30, dificilmente conseguirão competir na Olimpíada de Tóquio em 2020.

Maduro
Vitor Benite, com 26 anos, é o "meio-termo": chegará a 2020 com trinta anos de idade.

Novinhos
Raulzinho, Rafael Luz, Augusto Lima e Cristiano Felício têm somente 24 anos de idade e devem ser os comandantes da renovação da Seleção.