Rogério Sampaio com os judocas Sarah Menezes e Alex Pombo (Foto: Roberto Castro/ME)

Rogério Sampaio com os judocas Sarah Menezes e Alex Pombo (Foto: Roberto Castro/ME)

Igor Siqueira
25/07/2016
07:50
Rio de Janeiro (RJ)

Um problema a menos para o Brasil foi a liberação do Laboratório Brasileiro de Controle de Dopagem (LBCD) para realizar exames das amostras dos atletas da Rio-2016. A suspensão imposta pela Agência Mundial Antidoping (Wada, sigla em inglês) caiu semana passada e, segundo o secretário da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem, o ex-judoca e medalhista de ouro Rogério Sampaio, a medida foi fruto de um trabalho de convencimento que mobilizou as autoridades em diversos níveis.

- Sabemos da qualidade do laboratório. Foi uma obra belíssima que foi feita. Os equipamentos são de altíssima geração. Os profissionais que estão lá dentro são cientistas de extrema qualidade. Aconteceu uma não conformidade que o próprio laboratório informou. É de praxe a suspensão. O desafio era fazer a revogação até os Jogos Olímpicos. Nosso trabalho foi abrir as portas para a Wada, que imediatamente organizou uma visita ao laboratório. Ela desenvolveu um trabalho rápido de testes para ver a qualidade. O laboratório funcionou perfeitamente. O ministro do Esporte chegou a ligar para o presidente da Wada, o Comitê Rio-2016 também procurou acessar as pessoas para colocar à disposição... E o laboratório teve revogada a suspensão. É justo. Se não acreditassem na qualidade do laboratório, não teríamos conseguido essa - afirmou Sampaio, em entrevista ao LANCE!.

A suspensão do laboratório, inclusive, desencadeou a mudança na secretaria e a contratação de Rogério Sampaio por parte do Ministério do Esporte, substituindo Marco Aurélio Klein. Sampaio, no entanto, evita dar detalhes sobre a falha que motivou a punição.

- Houve uma questão de aferimento dos equipamentos, foi uma coisa simples. Soube qual foi o problema. Mas todas as informações são confidenciais. Eu posso falar que foi uma situação simples, foi comunicada - explicou.

A situação dos atletas da Rússia, que não serão punidos em bloco por causa dos casos de doping envolvendo o país, também é um tema que tem chamado a atenção de Rogério Sampaio. Ele revela a torcida para que o máximo de competidores possível compareça à Rio-2016.

- Os atletas que usaram substâncias proibidas, se ficar comprovado, têm que assumir as consequências, os julgamentos. Como organizador do evento, queremos contar com todos, o esporte é para unir pessoas. A torcida é que todos possam participar. Mas é importante que as regras sejam cumpridas - completou.

Rogério Sampaio, que é um dos homenageados pela Technos em um lançamento de relógios que envolve heróis olímpicos e o legado de cada um para o esporte, comenta ainda como foi a transição da vida de atleta para a de dirigente na gestão pública do esporte.

- Na minha época de atleta, nunca me furtei da possibilidade de participar das decisões que norteavam a minha modalidade. Treinávamos em tatame de palha, participei do movimento que não buscava o pessoal, mas o coletivo. Quando encerrei, continuei participando. Acabou de maneira natural surgindo o convite para trabalhar em Santos, em fundação que tem status de secretaria. Ocupei esse cargo de nove anos. Trabalhei depois na Prefeitura de São Paulo e assim fui desenvolvendo na gestão pública. E aí recebi o convite para estar na ABCD. É um cargo a nível nacional, achei preparado. O desafio é grande. Os atletas têm que buscar o caminho. Alguns são candidatos politicamente. Os atletas tem que buscar o seu perfil. O atleta não pode encerrar a carreira e achar que o dinheiro vai durar o resto da vida. É apenas uma etapa - completou o ex-judoca.