Felipe Domingues
10/08/2016
19:06
Rio de Janeiro (RJ)

Em meio a aparelhos, ginastas, países, eliminatórias, finais e todos os outros componentes de uma competição de ginástica artística, uma certeza era praticamente indiscutível: o japonês Kohei Uchimura iria brilhar. Bom, a zebra até tentou passear pela Arena do Rio, mas não houve jeito, o ginasta mais completo do planeta é do Japão.

Apesar de não ter entrado na decisão do individual geral com a melhor posição, o japonês era considerado o favorito absoluto ao ouro na Arena Olímpica do Rio de Janeiro, visto que é dono dos últimos dois títulos mundiais na modalidade. Porém, esqueceram de combinar isso com Verniaiev, que se garantiu na decisão como o número 1 nas eliminatórias.

A cada elemento disputado, o ucraniano mostrava sua força, enquanto Uchimura travava um duelo especial não apenas com ele, mas com o britânico Max Whitlock, outra surpresa da competição. 

No solo, primeiro aparelho, vantagem de Uchimura, com 15,766 a 15,033. Depois, no cavalo com alças, recuperação de Verniaiev, com 15,533 a 14,900. No terceiro elemento, as argolas, o japonês decepcionou, marcando 14,733 contra 15,300 do rival. Já com vantagem da "zebra" no placar, o salto teve uma nota semelhante a ambos, com vantagem ao asiático (15,566 a 15,500).

Nas barras paralelas, porém, foi o elemento no qual Verniaiev deu um show à parte. O ginasta garantiu a maior nota do dia e a segunda maior da Olimpíada, com 16,100, meio ponto à frente de seu concorrente. Mas dá para descartar a força de Kohei Uchimura?

No último aparelho, a barra fixa, o japonês abriu os trabalhos com uma nota 15,800, o que já garantia sua medalha de prata e obrigava o ucraniano a marcar 14,899 em sua apresentação. 

Com a Arena do Rio em total silêncio pela primeira vez desde o início das competições, Verniaiev completou sua série. Após alguns instantes, o ucraniano já comemorava, ainda que discretamente, o título olímpico. Até que a nota surgiu no telão: 14,800. Apenas 0,099 abaixo do necessário.

Uchimura vibrou, sem tirar os olhos do placar, como quem pensasse: "Se eu tirar meus olhos, essa nota irá mudar". Bom, pode acreditar, ela não mudou. Verniaiev, visivelmente abatido, não teve forças para comemorar seu primeiro pódio no individual geral em uma grande competição. Para ele restou o abatimento. Ele se sentou e seguiu sem acreditar que uma medalha de ouro escapou por uma saída que não foi cravada.

Já Kohei Uchimura, habituado ao ponto mais alto do pódio, seguia comemorando seu segundo ouro nos Jogos do Rio de Janeiro. Ainda olhando para o placar. Instantes depois, porém, os olhos seguirão virados para o alto, encarando, dessa vez, a bandeira do Japão. 

Brasileiros terminam fora do grupo dos oito melhores
A final do invidual geral desta quarta-feira teve a presença de dois atletas brasileiros entre os 24 ginastas mais completos do planeta: Sérgio Sasaki e Arthur Nory.

O primeiro, que já havia disputado uma decisão olímpica na modalidade em Londres (ING), em 2012, terminou na nona colocação geral, com destaque para suas performances no salto (foi o quarto melhor) e na barra fixa (o oitavo).

Arthur Nory, por sua vez, completou na 17ª posição, após dar show na barra fixa, com a segunda maior nota da competição, atrás apenas do campeão Kohei Uchimura, e no solo, sendo o quinto melhor.

Confira a classificação da decisão (oito primeiros):
​1) Kohei Uchimura (JAP) - 92,365
2) Oleg Verniaiev (UCR) - 92,266
3) Max Whitlock (GBR) - 90,641
4) David Belyavskiy (RUS) - 90,498
5) Chaopan Lin (CHN) - 90,230
6) Shudi Deng (CHN) - 90,130
7) Samuel Mikulak (EUA) - 89,631
8) Niel Wilson (GBR) - 89,565
9) Sérgio Sasaki (BRA) - 89,198
17) Arthur Nory (BRA) - 87,331