Wilson Baldini Jr.
15/08/2016
06:45
São Paulo (SP)

O domingo foi especial para dois esportes pouco reconhecidos no Brasil. Os feitos de Diego Hypólito, Arthur Nory Mariano e Robson Conceição, respectivamente na ginástica e no boxe, são inacreditáveis para os fãs que acompanham os Jogos Olímpicos há pelo menos 40 anos.

Quando se pensou que dois ginastas brasileiros poderiam subir em um pódio no solo, deixando para trás dois norte-americanos, dois japoneses e um britânico?

Lembro do tempo que nem sabíamos falar os nomes dos atletas soviéticos, chineses, que faziam movimentos, para a época, impressionantes e que ontem foram repetidos à exaustão e de forma perfeita pelos dois representantes nacionais.

Trata-se de um trabalho iniciado lá nos anos 80. Neste momento de glória não podemos esquecer da técnica Georgette Vidor, de Luiza Parente (que ficou entre as 36 melhores em Seul-1988), Daniele Hypólito ou de Daiane dos Santos, muito reconhecida no mundo da ginástica.

O parabéns especial vai para Diego Hypólito. Lembro de sua tristeza em Pequim-2008 e dos os problemas de contusão e de desconfiança pelos quais passou. Se existe um atleta que merecia subir em um pódio olímpico, este era Diego Hypólito.

No boxe, a conquista de uma vaga na final da categoria dos 60 quilos não fica atrás. Robson Conceição vai disputar a medalha de ouro na terça-feira à noite, após derrotar um tricampeão mundial cubano. Houve tempo em que os pugilistas nacionais entravam no ringue derrotados antes mesmo de disparar o primeiro golpe. Mas agora é diferente. Robson lutou como um verdadeiro campeão. De igual para igual. Demonstrando determinação, garra e qualidade técnica. O Brasil chega pela segunda vez consecutiva a uma final olímpica na nobre arte. E tem tudo para conseguir o ouro inédito.

Os brasileiros precisam aprender a gostar de todos os esportes.