Wilson Baldini Jr.
12/08/2016
06:45
São Paulo (SP)

A rivalidade é importante para o esporte. Faz os grandes atletas buscarem a superação e se transformarem em mitos. O que seria do sueco Björn Borg sem o norte-americano John McEnroe no tênis.

O vôlei feminino só teve aprendizados com as disputas acirradas com as cubanas. Assim como os homens só se tornaram uma referência com os jogos entre Atlântica Boavista e Pirelli na década de 80.

O basquete feminino ganhou o mundial em 1994 porque Hortência e Paula perceberam que juntas seriam praticamente imbatíveis e só se tornaram monumentais pois tiveram uma a outra durante a carreira.

Gustavo Borges foi “empurrado” para a frente nas piscinas com a presença de Xuxa ao seu lado.

Isso para não falar da rivalidade entre Brasil e Argentina, que sempre é importante, desde que não se ultrapasse os limites da educação.

Ainda mais em Jogos Olímpicos, onde a participação da torcida não pode ser como em jogos de futebol.

O judô, talvez, tenha a maior rivalidade do esporte atual. Mayra Aguiar e Kayla Harrison. A brasileira ganhou no Mundial, a norte-americana em Londres-2012. Todo mundo esperava mais um duelo na Rio-2016, mas Mayra caiu na semifinal.

“Acho que a nossa rivalidade é bonita porque hoje somos grandes rivais, mas talvez, em 10 anos, nós duas sejamos técnicas e percebamos que compartilhamos os melhores dias de nossas vidas. Nós temos a oportunidade de viver o sonho, viajar o mundo, conhecer lugares incríveis, lutar contra pessoas muito boas. Eu sinto que compartilhamos algo”, disse Kayla, campeã olímpica na quinta.

Mayra ficou com o bronze. Merecia o ouro, mas não faz mal. A primeira brasileira a ganhar duas medalhas olímpicas em esportes individuais merece todas as honrarias. Ela só tem 25 anos. O melhor está reservado para 2020, no país do judô. E contra a Kayla.