Mario Andrada

Mario Andrada (terceiro da esquerda para a direita) não teme que crise política abale os Jogos (Foto: Alex Ferro)

Jonas Moura e Marcelo Laguna
19/03/2016
08:10
Rio de Janeiro (RJ)

Os responsáveis pela preparação dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio-2016 tentam desvincular as incertezas políticas que o Brasil vive hoje com a realização do megaevento, que começa no dia 5 de agosto. Tanto o Comitê Organizador quanto o Comitê Olímpico Internacional (COI) admitem vigiar a situação, mas sem alardes.

Na mira de protestos pelo país e em meio à análise do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff pela Câmara dos Deputados, o governo federal ainda exerce papel decisivo na realização dos Jogos. Fora os investimentos em arenas, ele centraliza a articulação entre os diversos entes envolvidos na tomada de decisões, concede licenças e atua na solução de impasses.

Os argumentos para comprovar o que a preparação dos Jogos continua normalmente ganharam força com a criação de um tribunal único para casos de dopagem no Brasil. Mesmo com a crise atual, o governo atendeu o prazo da Agência Mundial Antidoping (Wada) e assegurou que o controle de substâncias durante o evento aconteça no país.

– Não existe ameaça. A situação política afeta todos os brasileiros, e os Jogos são parte deste universo. Mas eles são feitos em um mundo diferente, o dos esportes, dos atletas. Não existe conexão prática entre os dois pontos – afirmou o Diretor de Comunicação do Comitê Rio-2016, Mario Andrada, ao LANCE!.

Por outro lado, pessoas ligadas ao governo consultadas pelo L! admitem que uma ruptura política a menos de cinco meses da Olimpíada causaria danos no que diz respeito às articulações costuradas.

Em outubro, o governo solucionou a liberação de cavalos para as provas de hipismo dos Jogos. O assunto esbarrava na legislação sanitária. Outros temas olímpicos que demandaram esforços nacionais foram a garantia de energia temporária e segurança antiterrorismo.

Apesar dos alertas, as partes não mostram preocupação de que os protestos nas ruas brasileiras tenham como foco os Jogos do Rio.

“Nós seguimos os acontecimentos políticos no país muito de perto e temos trabalhado em solidariedade com o Comitê Organizador. Os Jogos fornecerão importante legado ao Rio e ao país”, disse o COI em nota.

Permanência de Hilton é bem vista no governo

O Ministro do Esporte, George Hilton, acertou na sexta-feira a desfiliação do Partido Republicano Brasileiro (PRB), dois dias após a sigla anunciar a saída da base do governo. Em meio à crise política que afeta o país, o PRB colocou a pasta à disposição. O político foi para o Partido Republicano da Ordem Social (PROS).

Pres. Dilma Rousself
Hilton (à direita) segue no governo  (Foto: Roberto Stuckert Filho)

Hilton realizou uma série de reuniões com membros do governo nos últimos dias, incluindo a presidente Dilma Rousseff, para acertar a permanência. A visão interna é de que a troca no Ministério a menos de cinco meses da Olimpíada causaria impressão negativa.

Após participar de compromissos no Rio de Janeiro na última quarta-feira, ao lado do Ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves, Hilton esteve na cerimônia de posse do ex-presidente Lula como Ministro da Casa Civil, na quinta-feira, em Brasília. Ao discursar, Dilma citou a Olimpíada do Rio e tratou o político normalmente como Ministro do Esporte.

Pesaram a favor dele o bom relacionamento costurado com dirigentes esportivos, atletas e ex-atletas de peso.

O ORÇAMENTO DA RIO-2016

Custo total
O custo total dos Jogos Rio-2016 é de R$ 39,07 bilhões. O valor, atualizado em janeiro, é calculado a partir da soma do orçamento do Comitê Rio-2016, da Matriz de Responsabilidades e do Plano de Políticas Púbicas.

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Comitê Rio-2016
A entidade tem orçamento de R$ 7,4 bilhões, o que não inclui verba do governo federal, apenas de patrocínios privados.

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Matriz de Responsabilidades
O documento engloba investimentos públicos e privados essenciais para os Jogos. Hoje, eles estão calculados em R$ 7,07 bilhões, sendo R$ 1,44 bilhão a cargo do governo federal.

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Plano de Políticas Públicas
Reúne as obras de infraestrutura que os Jogos deixarão. Elas somam hoje R$ 24,6 bilhões, sendo R$ 264 milhões do governo federal.

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Outros gastos
O governo investe R$ 704 milhões em segurança e R$ 1,2 bilhão no financiamento de obras da prefeitura do Rio no Plano de Políticas Públicas.