Jonas Moura
20/08/2016
09:30
Rio de Janeiro (RJ)

Reis das areias de Copacabana, campeões de tudo e orgulho dos brasileiros, Alison e Bruno Schmidt buscarão fazer o que nenhuma dupla masculina conseguiu desde a entrada do vôlei de praia no programa dos Jogos Olímpicos, em Atlanta (EUA), em 1996: ganhar dois ouros no megaevento.

Para o técnico Leandro Brachola, de 48 anos, o feito é possível. Só depende da determinação do capixaba, de 30 anos, e do brasiliense, de 29. Embora os atletas tenham evitado falar do futuro após o título sobre os italianos Nicolai e Lupo, ontem, o comandante afirmou ao LANCE! que o objetivo é repetir a conquista em Tóquio (JAP)-2020.

– É uma dupla com potencial para mais um ciclo olímpico. Estão em idade boa, pois o vôlei de praia depende de maturidade. Vimos Ricardo/Emanuel jogar até 40 e poucos anos. É um esporte que não sacrifica articulação, só a musculatura. Eles conseguem permanecer mais tempo – avaliou o treinador.


A dupla igualou o feito de Ricardo e Emanuel, que, há 12 anos, levaram o país ao lugar mais alto do pódio, em Atenas (GRE). Os astros mantiveram a parceria em Pequim (CHN)-2008, quando faturaram o bronze, antes de se separarem no ciclo encerrado em Londres (ING). Com 41 e 43 anos, respectivamente, se reuniram novamente, de olho na Rio-2016. Mas não se classificaram.

Para evitar uma expectativa seguida de frustração, a equipe técnica de Alison/Bruno seguirá com a mesma a carga de treinos, mas reconhece que o trabalho mudará aos poucos.

É o que explica o “descobridor” do Mamute. Aos 17 anos, o atleta foi convencido por Brachola a trocar as quadras pelas areias.

– À medida que a idade avança, começamos a nos preocupar com isso. Evitaremos desgastes excessivos e faremos um trabalho direcionado. Mas é um planejamento de mais para frente – disse Brachola.

Se sobram referências em longevidade, as mesmas mostram que a missão não é nada fácil. Quem chegou mais longe foi a tricampeã olímpica Kerri Walsh, que (EUA) não conseguiu o quarto ouro no Rio, mas foi bronze aos 38, com April Ross.

Já Phil Dalhausser, de 36, caiu na semi contra Alison/Bruno, com Nicholas Lucena, oito anos após vencer em Pequim, ao lado de Todd Rogers.

BATE-BOLA
Leandro Brachola - Técnico, ao LANCE!

‘Desde a retomada da parceria, nós vivemos cercados de certa pressão’

Como foi o “descobrimento” do Alison para o vôlei de praia?
Havia uma local onde eu dava treinamento, em Vitória. Ele jogava um pouco na quadra e um pouco na praia. Já tinha potencial. Sempre foi forte e inteligente. As pessoas visualizam muito a força, mas é um cara que aprende tudo com facilidade.

Foi um ciclo olímpico difícil...
Desde que retomamos a parceria, em 2013, vivemos cercados de certa pressão. O time gerou expectativa. Todos esperavam que tivessem bons resultados. Aumentava a cobrança. No primeiro ano, eles estavam separados e sem pontos no ranking. Depois, Alison teve um mês de treinos para o Campeonato Mundial. Foi muito bravo para superar duas cirurgias, no joelho direito e para retirada do apêndice.

Como foi o susto da torção no tornozelo direito dele nos Jogos?
O COB deu todo o apoio, com fisioterapeutas e médicos. Fizeram uma bota que o deixou tranquilo. Pôde jogar sem dor, só com este cuidado, para não ter qualquer problema.

TODOS OS CAMPEÕES OLÍMPICOS

Atlanta-1996
Na edição de estreia do vôlei de praia, o ouro ficou com os americanos Karch Kiraly e Kent Steffes e com as brasileiras Jacqueline e Sandra.
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Sydney-2000
Outra dupla americana brilhou entre os homens: Dain Blanton e Eric Fonoimoana. Entre as mulheres, deu Natalie Cook e Kerri Pottharst (AUS).
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Atenas-2004
Ricardo e Emanuel se tornaram a primeira dupla masculina do Brasil a conquistar o ouro. Lá, também começou o reinado de Kerri Walsh/Misty May (EUA), que bateu Adriana e Shelda.
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Pequim-2008
Na China, só deu Estados Unidos. Todd Rogers/Phil Dalhausser e Walsh/May subiram no topo do pódio.
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Londres-2012
Os alemães Julius Brink e Jonas Reckermann bateram Alison/Emanuel na final. Walsh e May garantiram sua terceira medalha de ouro.
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Rio-2016
Alison e Bruno Schmidt recolocaram o Brasil no topo. Laura Ludwig e Kira Walkenhorst (ALE) faturaram o 1 ouro olímpico da Europa na modalidade.