Treino Do Palmeiras

Marcelo Oliveira vê o Palmeiras regredir em fundamentos no Brasileiro (Foto: de Ari Ferreira/Lancepress!)

Fellipe Lucena e Thiago Ferri
12/11/2015
07:15
São Paulo (SP)

Quando chegou a sete jogos sem perder no Brasileirão, Marcelo Oliveira havia armado um time muito eficiente. O Palmeiras tomava poucos gols, marcava muitos, e com boas atuações chegou a sonhar com a ponta do Brasileiro. Desde a saída de Gabriel, porém, o time regrediu, até em fundamentos. O Verdão, que era letal quando chegava à frente, agora se tornou um time acostumado a errar.

Nos últimos dez jogos, o Palmeiras errou mais passes, finalizou mais vezes a gol, mas com menos qualidade, e abusou dos cruzamentos – em sua maioria, errados. A bola levantada na área virou o desafogo de um time que pecou pela má fase de seu meio de campo, e passou a ser usada sem muito planejamento. Contra o Sport, por exemplo, foram 33 cruzamentos, e apenas quatro corretos.

A dificuldade na saída da defesa para o ataque também é representada por números, já que o time agora dá menos toques certos na bola do que na boa fase com o técnico, mas ainda assim consegue errar mais.

O contra-ataque, principal arma de um time que se defendia muito bem com Gabriel e Arouca, já não ocorre com a mesma facilidade, e aquela que era uma das equipes menos vazadas do Campeonato Brasileiro está agora entre as cinco que mais tomou gols no torneio.

"Infelizmente, faltando seis jogos, ainda estamos buscando o time, algo que não é normal. Isso é responsabilidade do técnico, embora tenhamos tido muitas contusões", disse Marcelo Oliveira

A consequência desta queda de rendimento se traduz na campanha: nos últimos oito jogos foram apenas oito pontos conquistados, e a campanha do Verdão no segundo turno está sendo até pior que a de 2014.

Restando quatro jogos para o fim do Brasileirão, o Palmeiras se afastou da briga por uma vaga na Libertadores pelo campeonato nacional e está em nono lugar, a seis pontos do Santos, quarto colocado, e a cinco do São Paulo, quinto – se o Peixe for o campeão da Copa do Brasil, o time do Morumbi seria o detentor da última vaga à competição internacional.

Na última semana, o grupo teve uma semana livre para treinar e mesmo tendo trabalhado fundamentos como a saída de bola e finalizações jogou muito mal contra o então lanterna Vasco e perdeu, em casa, por 2 a 0, algo impensável para o início de Marcelo no Verdão.

Sem conseguir repetir escalações e com tropeços no Allianz Parque, o Palmeiras não conseguiu seguir à risca a “cartilha” de seu treinador, atual bicampeão brasileiro, para brigar até o fim pelo título. Ainda assim, está na final da Copa do Brasil e terá duas semanas para recuperar um pouco daquele time de julho antes das decisões.

Palmeiras x Santos em 19/07/2015 (Foto: Ale Cabral/Lancepress!)
Quando venceu o Peixe na arena, time vinha bem (Foto: Ale Cabral)

MUDANÇAS

Passes: Durante o bom momento, o time acertava 281 passes e errava outros 39. O Verdão piorou neste fundamento: nos últimos dez jogos no Brasileiro, foram 262 toques corretos na bola e 48 erros.

Finalizações: Comparado ao período de invencibilidade, o Palmeiras até chuta mais – são 12,5 tentativas por jogo (cinco certas e 7,5 erradas). Antes, eram 11,9 por partida, mas com 6,4 certas e 5,5 erradas.

Cruzamentos: O time voltou a cruzar muito – e mal – como com Oswaldo de Oliveira. Em média, são 21 bolas na área, com só quatro certas e 17 erradas. Entre junho e julho, eram cinco acertos e dez erros por jogo.

Aproveitamento: Para ser campeão, Marcelo Oliveira dizia que era preciso vencer todas em casa, mas o Palmeiras acumulou tropeços contra Sport, Vasco e Ponte Preta. Fora de casa, o plano do técnico era ter acima de 50% de aproveitamento, mas o time tem só 35,2% dos pontos.

Escalação: As lesões pesaram para que a escalação não pudesse ser repetida, mas o técnico, também, vem fazendo testes, como ao mandar Matheus Sales para o banco. A zaga só foi fixada no último mês.

Gols: O ataque ainda é bem efetivo, mas a média de dois gols por jogo é de 1,5 gol por jogo nas últimas dez partidas. A dor de cabeça está na defesa: na boa fase, a média era de 0,4 gol por jogo. Agora, 1,7 por jogo.