Paulo Schmitt (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

Paulo Schmitt (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

Igor Siqueira
02/06/2016
19:36
Rio de Janeiro (RJ)

O STJD enfrentará mudanças significativas nos próximos meses, e um dos mandatos que não serão renovados é do procurador-geral Paulo Schmitt. No poder desde 2006, ele, que é uma figura amada por alguns e odiada por outros, não será mais indicado pela CBF. Segundo o próprio Schmitt, por decisão própria, apesar dele ter sido alvo de um pedido de afastamento feito pelos grandes clubes do país.

- Já fui tarde. E antes tarde do que nunca. Novos projetos, novos desafios. Apenas tenho a agradecer a minha equipe, à CBF, pela confiança nas indicações e apoio incondicional ao desempenho no nosso trabalho nos últimos anos, e ao tribunal em todo o período - afirmou o procurador.

Conhecido pelo temperamento forte e forma incisiva com que defende os pontos de vista na tribuna, Schmitt teve e-mails vazados quando o sigilo eletrônico de Marco Polo Del Nero foi quebrado na CPI do Futebol. Nele, suspeitas sobre influência da CBF sobre Schmitt foram levantadas. O procurador-geral, que chegou a ser grampeado pela Polícia Civil do Rio em uma investigação sobre venda ilegal de ingressos da Copa-2014, descartou que esses episódios tenham influenciado na decisão de deixar o STJD.

- Não devo nada a ninguém, que se dirá quanto ao conteúdo de minhas conversas gravadas vazadas e o constante ataque dos descontentes. Vão ter que engolir a ideia de nunca responder a um único processo e ter de outro lado desempenhado a função na plenitude que o cargo, ainda que não remunerado, exige. Tá no pacote, no "combo" de combate a indisciplina e descumprimento da legislação - completou Schmitt.

O procurador-geral do STJD já enviou à CBF um relatório das atividades durante o atual mandato e um parecer com o desempenho dos procuradores. A CBF será responsável por indicar os três nomes para substituir Schmitt na próxima eleição, que será em julho ou agosto.

- Sempre fui muito prestigiado com autonomia tanto pela CBF como pelos presidentes e membros do STJD. O presidente da CBF sempre apoiou 110% das nossas iniciativas. É egresso de tribunal desportivo e sabe como poucos da nossa luta - emendou Schmitt.

Com discurso de buscar novos desafios, Paulo Schmitt, que presta consultoria para algumas entidades desportivas, dá como dica sobre os novos desafios uma homenagem recebida da Interpol durante evento que tratou do combate de crimes no esporte.

Paulo Schmitt despertou amor e ódio entre torcedores em alguns casos que foram parar no STJD. O principal dos últimos anos foi a escalação irregular do meia Heverton, que ocasionou o rebaixamento da Portuguesa no Brasileirão 2013.

O procurador também teve participação relevante na inclusão da previsão de perda de mando de campo com portões fechados no Regulamento Geral de Competições, como forma de coibir violência nos estádios. Antes, ele denunciou muitos clubes por causa de arremessos de objetos. Como consequência, os índices de chinelos, pilhas, copos e garrafas que voavam no gramado caíram.