Composição do Comitê Executivo da Conmebol mudou muito por causa dos escândalos (Foto: Conmebol)

Composição do Comitê Executivo da Conmebol mudou muito por causa dos escândalos. Desta foto, quatro foram presos, um renunciou, outro pediu licença e teve mais um pedindo habeas corpus preventivo (Foto: Conmebol)

Igor Siqueira
13/11/2015
11:45
Rio de Janeiro (RJ)

O futebol sul-americano vive uma crise de poder. Os dirigentes das associações nacionais filiadas à Conmebol estão caindo pouco a pouco por razões diversas. Mas, sem dúvida, o escândalo de recebimento de propina na negociação dos direitos comerciais de edições da Copa América é o maior responsável e acelerou o processo de "saneamento" entre a cartolagem.

A mudança de poder mais recente, a licença solicitada pelo chileno Sergio Jadue, é, alegadamente, por motivos de saúde, mas ocorre duas semanas antes de uma importante reunião do Comitê Executivo da Conmebol, que tem tudo para definir os representantes da América do Sul na Fifa.

Jadue era, até o pedido de licença, um dos nomes prováveis para brigar por cargos na Fifa - seja derrubando Del Nero, o Marco Polo que não viaja, ou ficando com a cadeira do colombiano Luis Bedoya, que renunciou no começo da semana. O uruguaio Wilmar Valdez vira favorito.

Ou seja, no cenário atual, a Conmebol, de três vagas possíveis, tem apenas um dirigente efetivamente atuando junto a Fifa, que é o presidente Juan Ángel Napout. Isso porque Napout virou vice-presidente em Zurique depois das prisões do dia 27 de maio, que levou para o xadrez o uruguaio Eugenio Figueredo, ex-presidente da Conmebol. José Maria Marin, membro honorário da Conmebol, foi preso no mesmo dia.

Aquela fatídica operação da polícia suíça, motivada por uma investigação do FBI, ainda derrubou o venezuelano Rafael Esquível, um dos vices eleitos em março para o comendo da Conmebol. Ou seja, da chapa única de Napout na eleição de março, só sobrou o próprio presidente e o uruguaio Valdez. Até o tesoureiro da Conmebol teve que deixar as funções: Carlos Chavez comandava a Federação Boliviana até ser preso.

Pelo ritmo dos acontecimentos, é pouco provável que as mudanças parem por aí no futebol sul-americano. Até porque, em um certo país pentacampeão do mundo, tem gente pedindo habeas corpus preventivo para não ser preso em CPI.

CENÁRIO DE "CAI-CAI" NA CONMEBOL

COMITÊ EXECUTIVO
Eugenio Figueredo (URU) foi preso em Zurique pela acusação do recebimento de propina na comercialização dos direitos da Copa América. O uruguaio era vice-presidente da Fifa e membro do Comitê Executivo da Conmebol. José Maria Marin (BRA), membro honorário da Conmebol e que participava do Comitê Executivo, foi para a cadeia na mesma operação policial.

ARGENTINA - Luis Segura herdou a presidência após a morte de Julio Grondona, que era membro do Comitê Executivo da Fifa e tinha muita culpa em vários cartórios.

BRASIL - Marco Polo Del Nero não sai mais do país. A suspeita é que ele seja um dos co-conspiradores na investigação do FBI. Alvo da CPI, já pediu habeas corpus preventivo.

COLÔMBIA - Luis Bedoya renunciou no começo da semana alegando razões pessoais. Era um dos membros da Conmebol no Comitê Executivo da Fifa.

BOLÍVIA - Carlos Chavez era tesoureiro da Conmebol, mas foi preso.

VENEZUELA - Rafael Esquível mais um preso em Zurique no escândalo de recebimento de propinas. Era vice-presidente da Conmebol.

CHILE - Sergio Jadue pediu licença por 30 dias alegando motivos de saúde.

PERU - Edwin Oviedo assumiu a presidência em dezembro, após a um período de três mandados de Manuel Burga.

PARAGUAI - Alejandro Domínguez herdou a Federação depois da ida de Napout para o comando da Conmebol.

EQUADOR - Luis Chiriboga tem algumas denúncias por problemas fiscais no país dele, mas segue no poder.

URUGUAI - Wilmar Waldez é vice da Conmebol e tem ganhado espaço com as quedas dos colegas de entidade.