Bernardo Cruz
25/11/2016
07:00
Rio de Janeiro (RJ)

Pedro Abad. Esse nome poderia não ser de conhecimento geral do torcedor do Fluminense. No entanto, é uma pessoa com atuação permanente no clube desde 2008 e que chega para a eleição com respaldo forte e visibilidade bem maior para brigar com adversários como Celso Barros e Mário Bittencourt.

Auditor fiscal da Receita Federal, ele preside o Conselho Fiscal tricolor e é o candidato do presidente Peter Siemsen. Aos 45 anos, ele faz parte do grupo da Flusócio e pretende desbancar Celso Barros e Mário Bittencourt para ser o próximo presidente do Fluminense. Em entrevista ao L!, prometeu avanços que a atual gestão não conseguiu atacar, mudanças no futebol e foi categórico: o Tricolor precisa de um estádio próprio.

Confira abaixo, na íntegra, a entrevista exclusiva de Pedro Abad ao LANCE!.

Quem é o Pedro Abad? E de que maneira ocorreu a transição da aquibancada para o trabalho nos bastidores do clube?
O Pedro tem 45 anos, é auditor da Receita Federal e apaixonado pelo Fluminense. A minha primeira imagem do clube é a partir dos dois anos de idade. Sempre frequentei os estádios. Entrei de sócio em 2007, levado por um colega de trabalho, e comecei a atuar dentro da política do clube. Em 2011 entrei para o Conselho Deliberativo e Fiscal, onde sou presidente desde 2014. Estou tocando esse sonho de ser presidente do Fluminense.

Qual o modelo de gestão você vislumbra para a sua administração?
Apesar de ser uma candidatura de continuação de um projeto, ela precisa avançar em pontos que a atual gestão não conseguiu atacar. Toda linha de equilíbrio financeiro, de não se preocupar apenas com o presente e sim com o futuro. Para isso, fazer ações que deixem legados. Essa é uma linha mestre que começou com o presidente Peter e não vai terminar comigo se for eleito. Mas existem pontos que precisam ser revistos.

Quais seriam eles?

O futebol precisa ser feito de uma forma completamente diferente. Atualmente é um modelo que gera muitos erros, como por exemplo na hora de contratar e dispensar jogadores. Isso é feito de forma personalista e pouco profissional. Segundo, o clube precisa se organizar administrativamente melhor. Hoje não tem rotina, processo. Precisamos implantar aqui práticas de governança para que o clube fique menos refém de subjetividade. Em outras palavras, uma organização bem próxima a de uma empresa. O terceiro pilar é a aproximação do Fluminense com o seu torcedor. Temos torcedores espalhados pelo Brasil e fora do país. Precisamos engajar todos eles.

'Acredito que não
vai continuar
(Dryworld). Já
estamos em
negociação com
outras empresas,
até pela questão de
rotina do clube'

Qual sua ligação com a Flusócio? De que maneira o grupo participa da sua campanha?
Sou membro da Flusócio até hoje. Tenho muito orgulho do meu grupo. Fizemos coisas memoráveis aqui dentro. Abrimos para a torcida se associar e votar. É uma candidatura que dá prosseguimento ao mandato do Peter e que foi muito bem vista pela Flusócio. Eles estão em peso comigo me ajudando. Mas a minha candidatura não é só da Flusócio. O departamento de esportes olímpicos me apoia por unanimidade, vários setores dentro do clube já declararam apoio. Torcedores de outras cidades mostraram simpatia com as nossas propostas para o Fluminense.

Como analisa o processo eleitoral para este pleito? A entrada do sócio torcedor deixa a disputa mais democrática?

É muito satisfatório ver que milhares tricolores de arquibancada vão ter o seu direito a voto por uma luta que eu briguei desde 2008. Distribuía folhetinhos no Maracanã para as pessoas virarem sócias. Vejo esse processo com muita felicidade, afinal quanto mais gente decidindo, menos concentração de poder tem.

Por ser o candidato da situação, sua candidatura sempre recebe ataques dos adversários. Te incomoda esse cenário?
Candidatura de situação geralmente tem inimigos. Por isso é muito mais difícil ser o candidato que tem o apoio da atual gestão. A oposição ataca. Nesse sentido a gente precisa analisar o primeiro até o último dia. Erros e acertos todos têm. Aí cabe ao sócio analisar como o Fluminense está sendo entregue. Não tenho problema em receber ou herdar parte das críticas. Vejo que é uma forma das pessoas enxergarem em mim a continuidade dos acertos.

Seus concorrentes ao pleito são figuras conhecidas do torcedor há mais tempo. Acredita em uma disputa acirrada?
Celso tem uma história no Fluminense, ganhou muitos títulos quando presidia a Unimed. O Mário também tem seus serviços prestados na área jurídica. Todos têm seus momentos aqui dentro, com prós e contras. É claro que minha visibilidade no início do processo eleitoral era menor. Dentro do clube era conhecido, mas fora menos. Mas sou torcedor de arquibancada. Vejo uma eleição muito disputada.

'Estádio precisa ter
uma capacidade
mínima de 40 mil
pessoas, até para
jogar final de
Libertadores'

Acredita que a ruptura com a Unimed foi feita da maneira correta pela atual gestão?
Foi um processo bastante abrupto, que pegou o Fluminense de surpresa. Naquele momento precisamos tomar decisões imediatas e emergenciais. Ali a gente precisava ter feito de uma maneira diferente, mas não foi possível. Por isso o Peter precisou no meio do ano apagar o incêndio.

E a saída do Fred?
É um ídolo, todo o tricolor ficou doído com a saída dele. A direção teve os motivos, o próprio atleta teve a vontade dele também e foram uma conjunção de fatores que levaram a esse desfecho. Nesse caso nenhuma decisão seria capaz de atender os anseios de todas as partes. Foi a decisão possível naquele momento. É difícil condenar, criticar.

Receber o apoio da atual gestão, que construiu o CT e anunciou o terreno futuro para o estádio próprio, confere uma vantagem sobre os adversários em relação ao eleitor indeciso?
Creio que sim. Estar seis anos acompanhando todo essa gestão te dá uma noção do processo como um todo. Já conversei com o Pedro Antônio, já sei o que precisa para a concluir a obra, como a quantidade de recursos que é necessária. Também falamos uma forma diferente de obter esse montante sem esse modelo de adiantar o dinheiro. Estar no processo, e caso seja eleito, faz a transição ser mais tranquila.

O estádio próprio do Fluminense consegue ser viabilizado durante a sua gestão, caso seja eleito? E qual seu posicionamento em relação ao uso do Maracanã?

O futuro do Fluminense é possuir um estádio próprio. Não vejo o Maracanã como um local onde o clube jogará com regularidade. Precisamos de uma casa só nossa até por conta desse processo de engajamento do torcedor na vida do clube. O Maracanã seria para eventos bem pontuais. Mas é bom salientar que o estádio próprio não é um projeto de curto prazo, e sim de médio e longo. Não podemos criar uma ilusão no torcedor que eu pretendo terminar na minha gestão. Em ritmo bom, analisamos que é uma obra que vai ter duração de seis anos. Além disso, precisamos apresentar à Prefeitura do Rio o projeto e vamos revitalizar toda aquela área. Estamos também analisando maneiras de viabilizar o projeto, uma vez que o clube não tem dinheiro para isso.

Sem a casa própria, onde acredita que o Fluminense possa mandar seus jogos?
Queremos preservar o contrato que a gente tem com o Maracanã, mas tendo a visão de lá na frente teremos a nossa própria casa. Esperamos que a nova administradora do local mantenha o contrato conosco e que faça alguns ajustes, até mesmo para que a empresa não saia lesada no momento em que o Fluminense possuir o seu próprio estádio e possa jogar no Maracanã quando desejar.

Se for eleito, como pretende montar uma equipe competitiva já no ano que vem? Promete trazer um nome de impacto?
Já estamos fazendo uma análise do elenco nos mais aspectos técnico, tático e financeiro. Podemos precisar equilibrar esse grupo. Toda janela de transferência tem entrada e saída de jogadores. É natural esse ajuste. O Fluminense, na minha visão, precisa ter um atleta âncora, que chama a atenção e atraia os holofotes. Mas acho precipitado falar em nome A ou B, porque se cria uma expectativa tão grande e muitas vezes as condições para a conclusão de um negócio não são favoráveis. Mas vamos atrás de profissionais que rendam dentro de campo e que a torcida reconheça como jogador vitorioso.

As cotas de tv são um assunto importante também. Pretende rever os valores que atualmente o Fluminense recebe? Acha o modelo atual justo?
O Fluminense tem brigado individualmente, porque falta uma união dos clubes no sentido de entenderem que esse modelo de divisão não pode continuar por muito tempo. Temos força nesse sentido, porque não adiantamos nenhuma cota. Então, quando sentamos para negociar, não temos uma posição de submissão.

A mudança do futebol profissional para o CT deixou o Estádio das Laranjeiras como incógnita. De que maneira pretende aproveitar o espaço?
Penso que serve para jogos da base. O atleta da base já vai ter a história do Fluminense tão emprenhada dentro dele pelo fato de ter jogado muito nas Laranjeiras. Então, planejamos uma reforma do local. Utilizar aquele espaço onde os jogadores estacionavam o carro para criar a loja oficial do clube, com entrada para a Pinheiro Machado. São ações que também necessitam de um estudo. Organizar um tour para a visita de torcedores no local também. Resolver o problema do estacionamento.