Torcida do Fluminense comparece às Laranjeiras no primeiro treino de Abel (Foto: Wagner Meier)

Professor da FGV diz que Fluminense pode dar o pontapé inicial em um novo modelo de esporte no Brasil(Foto: Wagner Meier)

Pedro Trengrouse
14/03/2016
18:10
Rio de Janeiro (RJ)

A próxima eleição do Fluminense, com colégio eleitoral ampliado pela participação de sócios-torcedores, será um marco na história do clube. É preciso construir um ambiente capaz de estimular e permitir a contribuição de todos num debate produtivo de ideias, projetos e propostas.

O Brasil atravessa grave crise institucional, política e econômica. O atual modelo de negócio do esporte, baseado na televisão, pode mudar drasticamente com novos hábitos de consumo, novas tecnologias, plataformas e redes sociais. As estruturas de administração do esporte, em especial FIFA e CBF, sofrem grandes pressões para adotar mais democracia e transparência em sua governança, inclusive com a criação iminente da Liga de Clubes do Brasil. O Congresso Nacional discute alterações significativas na legislação esportiva e o Governo prepara cada vez mais políticas públicas para o esporte.

O Fluminense precisa estar atento e unido para ser protagonista nisso tudo. O clube sempre foi referência de valores éticos e morais, cada vez mais importantes para nossa sociedade. Seria muito bom que esta eleição fosse marcada pelo espírito esportivo e pela fidalguia que sempre notabilizaram a história tricolor.

Há desafios enormes a enfrentar: desde os naturais do mercado cada vez mais competitivo, com uma globalização de mão única que reforça tendência de concentração da riqueza do futebol em poucos clubes, como também a questão de um estádio próprio, a construção e manutenção dos centros de treinamento, a revitalização da sede social, o investimento nos esportes olímpicos, a valorização da memória do clube, até mesmo com a criação de um museu com interfaces online, o pagamento da dívida etc.

Um pacto público, democrático e transparente entre todos os candidatos seria um símbolo de maturidade política para o Brasil. Juntos, poder-se-ia organizar, a partir de agora, uma série de eventos abertos e transmitidos pela internet, com ampla cobertura da imprensa, para tratar dos temas relevantes para o futuro do clube e do esporte. Diversas universidades já colocaram seus auditórios à disposição para sediá-los, entre as quais PUC, FGV, FACHA, IUPERJ, ESPM, IBMEC e UFRJ.

Além de permitir que os eleitores se familiarizem com as propostas, estes eventos contribuiriam para um maior entendimento entre os candidatos, que, aprendendo uns com os outros, sem dúvida, poderiam construir políticas de consenso, que só tendem a fortalecer o Fluminense.

Quem não se reúne, se desune. Certamente, uma agenda comum dos candidatos contribuirá efetivamente para que a eleição seja decidida na política e não na politicagem. Com esse espaço de entendimento público e democrático, assim que o clube divulgar a lista de sócios aptos a votar, os candidatos podem encomendar uma pesquisa de opinião a institutos respeitados e acordar que o candidato que estiver melhor colocado tenha o apoio dos demais num programa único, uma só chapa, pelo bem do Fluminense.

Unidos e fortes pelo esporte, vence o Fluminense!