Elias divertindo-se em treino do Corinthians (Foto: Daniel Augusto Jr)

Elias divertindo-se em treino do Corinthians (Foto: Daniel Augusto Jr)

Bruno Cassucci
16/04/2016
06:05
São Paulo (SP)

Ainda sem muita fama e experiência no futebol, Elias foi coadjuvante de Ronaldo e companhia no título corintiano no Paulistão de 2009. Desde então, muita coisa mudou na carreira do volante, mas uma seguiu intacta: o amor pelo clube que sempre torceu.

Hoje protagonista da equipe de Parque São Jorge, o volante tentará confirmar o favoritismo do Timão diante do Red Bull Brasil. às 16h20, na Arena, e garantir classificação para a semi do Estadual.

Aos 30 anos, ele já não se inibe e reconhece que é um dos líderes do elenco. Também demonstra sinceridade ao falar que ainda sonha com títulos pelo Corinthians, mas que voltar ao exterior é uma possibilidade real. O volante, porém, impõe uma condição: só quer sair se for de bem com a Fiel torcida.

Nesta entrevista exclusiva ao LANCE!, o camisa 7 falou sobre os seus sonhos, a possibilidade de ser capitão pela primeira vez em uma conquista do Timão, os planos para o futuro, a disputa por vaga na Seleção e muito mais. Confira abaixo:

Aos 30 anos, identificado com a torcida e sendo um dos remanescentes do título brasileiro de 2015, você se coloca como um dos líderes deste grupo do Corinthians?
Liderança você conquista, não chega e impõe. Conquistei desde que voltei. Sai, fui buscar meu rumo lá fora e quando voltei em 2014 eu conquistei isso. Consegui mostrar aos companheiros que estava ali para ajudar, mesmo sendo um jogador de Seleção não tinha regalias, sempre sendo profissional, dando exemplo bom dentro e fora de campo. Com isso, acabei conquistando a confiança de todo o elenco, comissão e ser um líder. Nosso elenco tem muitos líderes. Nós nos respeitamos, brigamos pois é normal, mas sempre buscando o melhor para a equipe.

Mas brigam como?
A gente se cobra, pois só assim vai chegar a algum lugar. O mais importante é que a gente se cobra, mas se respeita, isso está sendo fundamental para nossa campanha.

Você já tem quatro títulos pelo Corinthians. Levantar uma taça como capitão é um sonho?
Não ligo muito para isso. O importante é a gente conquistar a taça, quem vai levantar é uma questão que o Tite que vai definir. Vai ser aquele que merecer. Vamos comemorar e ficar felizes como se fossemos nós que estivéssemos levantando. É um ato simbólico. O importante é a liderança que você exerce durante toda a competição.

Depois de conquistar títulos, chegar à Seleção e se firmar como ídolo do Corinthians, o que ainda te motiva hoje?
A gente sabe que no futebol o que você fez até hoje não está bom, você sempre tem que provar, ganhar, porque surgem novos jogadores e se você não estiver bem e ganhando, fica para trás. Sempre desejei ser um jogador famoso, querido, vencedor. Isso ainda me motiva e vai continuar me motivando. O dia que não quiser buscar algo a mais, paro de jogar bola, pois vai fugir do que sempre busquei.

'O dia em que não quiser buscar algo a mais, paro de jogar bola, pois vai fugir do que sempre busquei'

Mas você não tem um título ou alguma marca como meta?
Sigo jogo a jogo. Títulos marcam, quanto mais puder ganhar, melhor. Não fujo disso, quero mais títulos, mas pensando jogo a jogo, tentando manter regularidade para ajudar a equipe que estou defendendo.

No começo do ano você teve uma negociação com a China, mas não houve acerto. Acha que está no momento de fazer o último grande contrato da carreira?
Estou bem, mas quem não vai balançar se tiver uma grande proposta? Até da própria China, todo mundo se sente valorizado. Seria hipócrita se falasse que vou ficar até o fim da vida no Corinthians. O próprio clube precisa vender, fazer caixa, dar espaço para outros jogadores... Sempre trabalho com ciclos. Acho que o meu no Corinthians ainda está acontecendo, não acabou. Quando encerrar, vamos conversar para sair da melhor maneira, vou sempre pensar no que é melhor para mim e pelo clube. É o clube que gosto, que eu amo, que eu torço, jamais vou sair do Corinthians pela porta dos fundos. Jamais! Sempre será pela porta da frente e de cabeça erguida.

A debandada de jogadores fez você também desejar sair para não assumir a responsabilidade em 2016 praticamente sozinho?
Quando saem jogadores importantes, de nível de seleção, a gente fica chateado. Vai um excelente companheiro, um amigo fora de campo... A gente acha que não vai conseguir, meio que balança, começa a desacreditar. Mas temos um treinador que consegue motivar, passar serenidade. Ele falou: “Calma, a gente vai trabalhar duro e se acertar”. É o que está acontecendo. A gente ainda não está jogando o que pode, mas estamos trabalhando para isso.

Você é o que tem mais gols pelo Timão no atual elenco e também o segundo maior artilheiro dentre volantes na história do clube. Como vê isso? Costuma estipular uma meta de gols?
Sempre procurei fazer entre sete e dez gols por temporada, uma média muito boa para um meio-campo, volante. Lógico que esse não é meu objetivo principal, o primeiro é fazer minha função, marcar bem, passar bem, tentar dar bastante assistências. Nas minhas infiltrações tento marcar o máximo possível de gols, mas minha prioridade é ter regularidade.

'Sempre procurei fazer entre sete e dez gols por ano, uma média muito boa para um meio-campo, volante'

Você usou a palavra meia. Pela forma que joga atualmente e pelas mudanças pelas quais o futebol passou, acredita ser chamado de volante é errado?
Lá fora eles tratam como meio-campista, pois em teoria o volante fica muito preso, fixo, é aquele cara que só marca. Jogador de meio de campo pode jogar nas três funções de meio, o defensivo, o armador e aquele que ataca bastante. Hoje todos os volantes do elenco do Corinthians têm capacidade de infiltração e armação. O único volante que tivemos aqui nos últimos tempos foi o Ralf, que tinha excelência em desarmes, e mesmo assim tinha qualidade de atacar.

Até o Bruno Henrique você não considera como um volante?
Ele joga numa função mais recuado, mas tem condição de atacar, armar o jogo, bater falta, infiltrar...

A partir de agora vocês terão jogos decisivos na Libertadores e, se tudo correr como previsto, também no Paulistão. É possível conciliar ou em algum momento terão de priorizar um?
Se entrei em campo, para mim está valendo, independentemente do campeonato. Quero ganhar até amistoso e treino, meu instinto é competitivo. Valorizo todos os jogos e campeonatos, é aquilo que gosto de fazer, sempre sonhei em jogar futebol e vencer. Para mim, não tem torneio mais importante.

Nem a Libertadores, um título que você não tem?
É um título importante, que até pouco tempo atrás o Corinthians não tinha e sofria muito por não ter. Mas, mesmo tendo conquistado, a torcida cobra. Corinthians é isso, cobrança diária. Torcida quer sempre vencer, não aceita ficar em segundo. Eu não tenho essa obsessão pela Libertadores, pois isso acaba atrapalhando, pode tirar o foco. Nosso objetivo é fazer o melhor e vencer. Minha obsessão é sempre jogar bem.

Como vê sua situação na Seleção Brasileira hoje?
Ninguém tem cadeira cativa, o Brasil é um país formador, você tem que estar bem no seu clube para estar dentro quando tiver convocação. O Dunga tem uma base, e eu acho que faço parte dessa base, mas acho que tenho que mostrar sempre no meu clube para mostrar que tenho condições de ser chamado.

O que acha desse clamor popular para o Tite assumir a Seleção?
O Tite está fazendo um grande trabalho aqui. Ele tem um ciclo aqui que ainda não acabou, estamos no meio do campeonato, formando uma nova equipe, não vamos abandonar agora. Ele é um cara muito íntegro, ético, não vai conversar para assumir outro cargo estando aqui. A CBF definiu que o Dunga vai ficar, e nós temos que apoiar ele no comando.