Bernardinho e Landim - Vôlei Flamengo

Bernardinho foi apresentado como reforço do Flamengo em setembro deste ano (Foto: Marcelo Cortes/Flamengo)

LANCE!
19/11/2020
17:30
Rio de Janeiro (RJ)

O não cumprimento de um acordo firmado entre o presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, e o técnico de vôlei Bernardinho levou à renúncia do vice-presidente de esportes olímpicos do Rubro-Negro, Delano Franco, e instaurou uma crise nos bastidores do clube. A informação é do "Uol", que teve acesso à carta do dirigente explicando sua saída do cargo e citando a falta de compromisso com um "parceiro". O site afirma que se trata do treinador multicampeão.

"A presidência do clube não recordou/reconheceu aspectos de uma negociação efetuada pelo diretor-executivo da área, por mim e pelo presidente junto a um parceiro importante dos esportes olímpicos, amparada pelo orçamento aprovado, ferindo significativamente os termos do acordo. Dessa forma, infelizmente o único caminho honrado que me restava era renunciar, o que fiz na data de hoje. Ainda torço para que o clube reveja sua decisão", escreveu Franco, que se desligou da função no dia 13 de novembro.

O motivo do desentendimento teria sido a recusa da presidência de compartilhar com o time Sesc Flamengo, dirigido por Bernardinho, os recursos do patrocínio com a Tim, por meio da Lei Estadual de Incentivo ao Esporte. O Flamengo diz que paga o combinado para a "empresa" do treinador e que é apenas um patrocinador do time. 

Sesc e Flamengo se uniram em um contexto de dificuldades financeiras para ambos os lados, visando à disputa da atual temporada. O projeto dez vezes campeão brasileiro, chefiado pelo treinador, havia sofrido um corte, e o Rubro-Negro deixaria a Superliga por falta de investidores. 

A negociação, firmada em julho, previa que o Sesc seria o patrocinador máster, e que o Flamengo se comprometeria a buscar outros recursos. Mas Landim argumenta que o acordo com a Tim era anterior à parceria com a equipe de Bernardinho. O treinador chegou a afirmar publicamente que estava abrindo mão de seu salário, em meio à pandemia, por falta de orçamento do clube.

O Rio de Janeiro Vôlei Clube, empresa que mantém os contratos com jogadoras e comissão técnica, informou que "não fala sobre nenhum detalhe dos contratos firmados com seus parceiros". Já o Flamengo negou que tivesse alguma obrigação de dividir recursos com o projeto de vôlei.

"O que existe é um contrato firmado entre o Flamengo e a empresa do Bernardinho, após longa negociação, desde o final de 2019, que estabelece que o Flamengo é um patrocinador do time. O Flamengo paga religiosamente o valor acordado à empresa do Bernardinho, fornece material esportivo e espaço para treinamento na Gávea e cede sua imagem para a empresa, o que aumenta bastante o poder de atração para outros patrocínios serem fechados pela empresa do técnico. O dinheiro destes outros patrocínios não iria para o Flamengo, mas apenas para a empresa do Bernardinho. Os demais contratos da empresa são firmados diretamente pela própria empresa, e não pelo Flamengo. Portanto, não cabe ao Flamengo colocar nenhum novo investimento nesta parceria. Em suma, o Flamengo está cumprindo rigorosamente o contrato feito com o técnico e não irá se manifestar sobre o posicionamento pessoal de Delano Franco", disse o clube, em nota.