Reforço do Vasco já foi treinado por Maradona e tem nome inspirado em algoz do Brasil
Atacante trabalhou com lenda argentina em 2019 e 2020

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Claudio Paul Spinelli, novo reforço do Vasco para a temporada, carrega no nome e na história a sombra de um fantasma brasileiro. O atacante argentino foi batizado pelo pai - que também se chama Claudio - em homenagem direta a Claudio Paul Caniggia, ídolo da Albiceleste e autor do gol que eliminou o Brasil na Copa do Mundo de 1990, na Itália. Três décadas depois, outra coincidência une as gerações: Spinelli também foi comandado por Diego Armando Maradona, parceiro eterno de Caniggia, durante a passagem do craque como técnico do Gimnasia y Esgrima entre 2019 e 2020.
A escolha do nome nunca foi segredo na família. Admirador apaixonado de Caniggia, o pai de Spinelli quis que o filho carregasse a mesma identidade do herói nacional. A ligação simbólica acabou acompanhando o jogador por toda a carreira. Além do registro de batismo, ele herdou o apelido de "El Pájaro" (o pássaro), exatamente o mesmo do antigo camisa 7, e mantém há anos os longos cabelos loiros que reforçam a semelhança física. Em campo, a velocidade e as arrancadas em profundidade também alimentaram as comparações.
Porém, Spinelli é fã mesmo de outra lenda do futebol argentino: Gabriel Batistuta. E é justamente o estilo do ex-goleador que enche o torcedor vascaíno de esperança.
- Ele é um jogador potente, forte na área e muito eficiente no jogo aéreo. Pelas características, gosta de recuar alguns metros, receber a bola e fazer o pivô - disse o jornalista equatoriano Fernando Estrada, que acompanhou o desempenho do jogador no Independiente del Valle.
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Maradona no caminho
Um dos capítulos mais marcantes dessa conexão ocorreu em 2019, quando Spinelli foi treinado por Maradona no Gimnasia y Esgrima. Na apresentação do ídolo como técnico, o atacante virou assunto inevitável.
- A comparação é boa, mas ele tem que fazer gol também. Todos lembramos do Cani pelo gol contra o Brasil - brincou Diego Maradona na ocasião.
A convivência diária com o maior nome do futebol argentino mexeu com o jogador. Em entrevista após a morte de Maradona, em novembro de 2020, Spinelli recordou a simplicidade do treinador.
- Ele me contou que já ficou nervoso para bater um pênalti. Aquilo me impressionou: como o Maradona poderia sentir medo? Ele te dava confiança o tempo todo nos treinos - relatou.
A passagem de Spinelli pode ter sido discreta em números no Gimnasia, mas decisiva na formação pessoal do atleta.

Fuga da guerra na Ucrânia
Outro momento que mudou a vida de Spinelli aconteceu longe dos gramados argentinos. Em 2022, defendendo o Oleksandria, da Ucrânia, o atacante foi surpreendido pela invasão russa ao país. Com o campeonato interrompido e as cidades sob ataque, precisou deixar às pressas a região onde morava.
A saída ocorreu de forma dramática: ele e outros estrangeiros atravessaram a fronteira rumo à Polônia em uma kombi, carregando apenas o essencial. O episódio deixou o jogador apreensivo e com algumas marcas. Em entrevista à imprensa argentina, Spinelli afirmou que precisou do apoio da família e de terapia para superar o episódio.
Prestes a chegar ao Rio de Janeiro para defender o Vasco, Spinelli segue convivendo com o peso — e o orgulho — do nome que carrega. Para muitos argentinos, ele é a lembrança viva de Caniggia; para os brasileiros, um eco distante do algoz de 1990. Entre coincidências históricas, ensinamentos de Maradona e a experiência de ter escapado de uma guerra, Claudio Paul Spinelli construiu trajetória própria, mas impossível de separar das lendas que o inspiraram desde o berço.
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