Wozniacki: regularidade até o topo do ranking mundial

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A dinamarquesa Caroline Wozniacki encanta os fãs de tênis por seu jogo e por sua beleza. Aos 20 anos, ela termina a temporada 2010 como a tenista número um do ranking, posição que assumiu em 1º de outubro.
O que chama a atenção, no entanto, é que a musa chegou ao topo do ranking sem nunca ter ganho um Grand Slam. Sua melhor posição até hoje em um torneio deste nível foi o vice-campeonato no torneio americano, no ano passado, quando perdeu a final para a belga Kim Clijsters.
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> Veja imagens da temporada vitoriosa da tenista
:: RELEMBRE ALGUMAS CONQUISTAS DA MUSA EM 2010:
> O título em casa
> O tricampeonato em New Haven
> Liderança se aproxima com o título em Tóquio
> A chegada ao topo do ranking em Pequim
O fato, no entanto, não a incomoda, como afirmou nesta entrevista exclusiva ao LANCENET!. Wozniacki, que na temporada conquistou seis torneios, ressalta que, para uma tenista chegar ao topo do mundo, não basta vencer um dos quatro títulos mais importantes do circuito. Para ela, é preciso que o atleta seja regular durante toda a temporada.
> Veja abaixo os principais trechos da entrevista:
Como é, para você, terminar esta temporada como número um do mundo e tendo somente 20 anos? Seu sucesso impulsionou o tênis na Dinamarca?
Ser a número um do mundo sempre foi um sonho para mim. É um sentimento maravilhoso e eu estou muito orgulhosa por mais esta conquista. Eu espero que o meu sucesso impulsione e motive muitas crianças na Dinamarca a pegar uma raquete. É incrível o amor e o respeito que eu recebo das pessoas no meu país. Sou muito agradecida por isso.
Nos últimos anos, no tênis feminino, muito se comentou sobre a beleza das tenistas. Você se incomoda quando as pessoas falam mais da sua beleza física do que sobre o seu jogo?
Eu não acho que as pessoas falam mais da minha beleza do que do meu jogo. Claro que eu me sinto bem quando os fãs e os patrocinadores falam que sou bonita, isso me passa confiança, porque me faz sentir bem comigo mesma. Quando isso acontece, eu jogo melhor. Mas eu sou uma tenista, acima de tudo, não uma modelo ou uma celebridade. Sou uma atleta.
O que acha do sistema de pontuação do ranking? Mesmo sem ganhar nenhum Grand Slam, você se tornou a número um do mundo. Isso incomoda?
Eu não sinto vergonha de não ter ganho um Grand Slam. Eu ganhei seis torneios nesta temporada, ganhei mais partidas do que qualquer outra jogadora do mundo, e os rankings são baseados nas performances anuais. Você tem de ser coerente e regular durante o ano para chegar ao primeiro lugar do mundo, não apenas vencer um Slam.
O que acha da Kim Clijsters, que, depois de quase dois anos aposentada, voltou, fez uma grande temporada neste ano e foi eleita a tenista do ano de 2010 pela WTA? Mostra que o circuito é fraco?
A Kim Clijsters é uma grande competidora e uma pessoa maravilhosa. Eu realmente acho que a volta dela é algo bastante positivo para o esporte. O circuito não é fraco, ela conquistou bons resultados por méritos próprios.
Você acha correto que homens e mulheres recebam os mesmos valores em premiações em torneios de Grand Slam, embora as disputas femininas sejam em melhor de três sets e as masculinas em melhor de cinco sets? 
Você não pode comparar os jogos de homens e mulheres, mas ambos requerem esforços iguais. Naturalmente, nós mulheres não podemos jogar no nível que os homens jogam, mas isso não significa que nós não nos esforcemos da mesma maneira que eles.
Acha que as irmãs Williams (Serena e Venus) são as suas principais ameaças no topo do ranking? Qual das duas é mais complicado de enfrentar?
Tanto a Serena a quanto Venus são duas das melhores jogadoras da História do tênis mundial. Atualmente, existe muita rivalidade e muita disputa no tênis. Basicamente, todo mundo pode ganhar qualquer dia. Eu estou esperando a volta de Serena às quadras e adoraria jogar contra ela e contra a Venus.
Se analisarmos o ranking feminino atual vemos, além de você, mais três jovens tenistas da Dinamarca da sua geração – Karen Barbat, Malou Ejdesgaard e Mai Grage. Dá para explicar essa má colocação delas? Falta investimento no esporte na Dinamarca ou o tênis não vingou no país?
Eu não diria que elas estão em uma posição ruim. A minha situação é que é meio que única, pois não existem muitas dolescentes no Top 100. Leva tempo para chegar nesta posição, leva tempo até para chegar no Top 200. As meninas da Dinamarca ainda são jovens e têm muito tempo para melhorar. A Dinamarca é um país pequeno, sem passado nenhum no tênis, mas eu espero que a nossa geração mude isso, e que façamos História para os próximos anos. O país está nos apoiando muito, e elas estão fazendo um grande trabalho que em breve será destaque.
O Brasil também teve um líder do ranking mundial – Gustavo Kuerten –, e ele é muito assediado ainda por aqui. Você sofre muito com esse assédio também?
Desde que virei a número um do ranking mundial, os paparazzi andam me seguindo a todo lugar que vou. Isso é meio louco às vezes, mas não vejo problema, pois eles estão respeitando a minha privacidade.
No passado, o Brasil teve uma grande tenista – Maria Esther Bueno. O que você sabe sobre ela? Conhece pessoalmente? Tem ideia da representatividade dela no tênis feminino?
Maria Esther Bueno é uma das campeãs do tênis, mas eu nunca a vi jogar e infelizmente ainda não a conheci. Espero que algum dia eu tenha a sorte de conhecê-la pessoalmente e poder conversar com ela.
O que acha desta "proliferação" de russas no circuito?
As russas são difíceis. Elas jogam para valer e têm várias armas. É um país que vem crescendo no tênis, e as jogadoras vêm dominando o esporte. Acho que o país, por ser tão grande, tem muitos talentos. Quando se entra em uma disputa, você tem de lutar para se manter e crescer. Assim as crianças já crescem motivadas para o futuro.
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