Tirone e Mustafá: apoio e soberania política no Palmeiras

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Um massacre nas urnas: dos 19 cargos escolhidos, 18 fazem parte do grupo de Arnaldo Tirone, novo presidente eleito, no início da madrugada de quinta, na Academia.
Além dos seus quatro vices, Tirone terá mais 14 membros (total de 15) aliados no Conselho de Orientação e Fiscalização (COF).
O que isso significa? Soberania política e apoio, pelo menos a princípio, nas decisões: a principal delas será reduzir os gastos, após análise aprofundada do clube, com déficit de R$ 25 milhões em 2010.
Haverá reformulações em todos os departamentos, inclusive rescindindo com alguns alguns jogadores, de acordo com os custos.
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Paulo Nobre e Salvador Hugo Palaia, derrotados, somaram 117 votos, nem perto dos 158 de Tirone. Desde a eleição de Affonso Della Monica (201 votos contra 40 de Seraphim Del Grande), em 2005, não havia uma goleada nas urnas.
– Esses votos mostram que o Conselho não está contente. O Palmeiras está precisando de uma virada. Mas eu não posso prometer isso no primeiro momento. Eu prometo transparência e dignidade com o dinheiro do clube – afirmou o novo presidente do Palmeiras.
– Essa votação me incentiva e me credencia a ter uma tranquilidade maior para tocar o Palmeiras – completou Arnaldo Tirone.
Opositor ferrenho às últimas duas gestões, Mustafá Contursi agora é situação. Membro do COF, o ex-presidente será uma espécie de conselheiro especial de Tirone.
– Se ele precisar, é minha obrigação ajudar. Não só estar por trás, mas também pela frente – afirmou o ex-presidente palmeirense.
Contursi ficou 12 anos no poder (década de 90 e início dos anos 2000), marcado por glórias na era Parmalat e pela queda para Série B, em 2002. Mustafá deixou o comando no início de 2005, após volta à Série A e, em seguida, rachou com o sucessor Affonso Della Monica.
– É preciso dar uma enxugada. O maior problema não está no futebol, mas nas despesas indiretas: contratos, assessorias, consultorias, contratação de funcionários por tempo indeterminado, salários elevados, quadro funcional que hoje é mais de 700 – disse Mustafá.
Arnaldo Tirone está de acordo.
Bate-Bola: Musfatá Contursi
Ex-presidente do Verdão
L!: Qual será sua participação?
Eu tenho uma função no COF. O que é uma exigência é austeridade, acabar com os absurdos de contratos de pagamento. Isso é uma constatação de Tirone. A hora que ele executar o programa dele, terá meu aplauso. Eu vou continuar ali, vigiando como sempre fiz. Nunca faltei a uma reunião. Amo meu clube e tenho de contribuir com ele.
L!: Como vê o futebol hoje?
Temos uma boa equipe, não há razão nenhuma para que não produza, temos jogadores valorosos. Trocamos cinco treinadores, todos de primeira linha, contratamos quase que duas equipes neste período e o departamento não funcionou. Isso que precisa ser detectado.
L!: Qual sua análise das contas?
Eu venho alertando há três anos para o rumo incontrolável. Sofri críticas internas por isso. Nunca me furtei de ser aberto às informações, talvez eu tenha tido uma antipatia da imprensa por dar poucas entrevistas.
L!: E a relação com Tirone, além do "fantasma" pela queda?
Falo como membro do COF, não quero interferir nas decisões da presidência. No futebol, às vezes algo não dá certo. Eu me puno por 2002. Era uma equipe poderosa, mas que caiu. Subimos com uma outra política.
Com a palavra: Thiago Salata
Setorista do Palmeiras
Onde todos estiveram de todos os lados (?)
Mustafá Contursi era situação, em 2004. Affonso Della Monica foi o sucessor, também como situação. Luiz Gonzaga Belluzzo e Gilberto Cipullo eram oposição.
Mustafá passou a se irritar com Della Monica. O último se aliou com o grupo de Belluzzo, que deixou de ser a oposição. A oposição passou a ser do grupo de Mustafá, o mesmo que já teve, nos anos 90, Cipullo e Seraphim Del Grande como seus diretores.
Della Monica indicou Belluzzo, presidente desde 2009. Mas Della Monica se afastou do seu sucessor. Salvador Palaia, que foi expulso do departamento de futebol por Cipullo no fim de 2006, foi vice de Belluzzo, ao lado do mesmo Cipullo, a partir de 2009.
Frizzo, novo vice, já perdeu eleição presidencial contra Della Monica. Ontem, Della Monica deixou a Academia abraçado com Tirone, junto com Frizzo.
E hoje, eles são todos da situação. Mustafá é da situação.
Dá para entender? Se você é uma pessoa lúcida, o normal é que não entenda nada. Mas isso não é invenção, aconteceu no Palmeiras nos últimos dez anos.
Todos dizem amar o Palmeiras. Mas entre eles o que passa longe é o amor. Que Tirone, o novo comandante, encontre harmonia e recupere o Palmeiras!
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