Sem antebraços e perna, 'vovô' do Brasil no Parapan não pensa em parar
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A idade não é nada para Luiz Medina. Mais velho da delegação brasileira que disputa os Jogos Parapan-Americanos de Toronto (CAN), aos 64 anos, o "vovô" do tênis de mesa tem mentalidade de atleta de alto rendimento, dedicação aos treinos e sede de vencer cada "neto" que encontra pelo caminho.
Nascido em São Paulo sem os dois antebraços e a perna esquerda, o mesatenista foi abandonado em uma caixa de sapatos pelos pais quando recém-nascido. Cresceu no Lar Escola São Francisco, centro de reabilitação na capital paulista.
Quando criança, ele já brincava de pingue-pongue. Com o tempo, aprendeu a desenvoler estratégias para driblar as restrições físicas. Para tanto, utiliza um velcro preso ao punho. É por meio dele que o atleta consegue mover a raquete.
– Foi trabalhoso no início, porque precisei me adaptar. Tive de trabalhar a parte física, já que não tenho uma perna. Era difícil de movimentar – contou Medina, ao LANCE!.
Atualmente, o brasileiro compete na classe 6, para andantes (quanto menor o número, maior a deficiência). No ranking mundial, está na 40 posição. No Parapan do Rio, em 2007, ele chegou a faturar duas medalhas, uma de prata (por equipes) e um bronze (individual).
– Eu só jogo contra netinhos. Quero continuar em atividade enquanto aguentar ficar em pé. O único cuidado que eu tomo é para não cair no chão. Acho que tenho muito gás ainda – afirmou o veterano.
Em dificuldade para atrair novos praticantes, o tênis de mesa voltado a deficientes tem em Medina um exemplo. Ao lado de Maria Luiza Passos, companheira de Seleção que é apenas cinco dias mais nova, o "vovô" quer estimular a prática.
– Somos amigos e gostamos de jogar contra os mais jovens. Eles nos forçam a evoluir. E para eles é bom ver que podem ir longe – disse o atleta, que tem namorada, filho e dois netos, um de dois anos e meio e outro com apenas três semanas.
Em Toronto, Medina só pôde competir na disputa individual, em que ficou em sexto lugar. Devido à junção das classes 6, 7 e 8 por equipes, alguns nomes ficaram fora.
BATE-BOLA
Luiz Medina
Atleta do tênis de mesa, ao LANCE!
'Passei a vida em hospitais'
Antes de começar no tênis de mesa, o que você fazia?
Comecei a jogar aos 49 anos. Antes, eu trabalhava na área da saúde. Fui pesquisador de exames papanicolau (de prevenção ginecológica para mulheres). Fiz microscopia e também fui auxiliar de fisioterapia. Passei a minha vida toda em hospitais.
Como você conseguiu superar os problemas de limitação física?
Eu fui submetido a mais de 40 cirurgias na vida. Algumas para manter o maxiliar, outras para tirar um pedaço de um osso no braço. Foram todas reparativas. No lar, fiz todo o tratamento físico e psicológico.
Como é a rotina de atleta?
Disputo competições olímpicas e paralímpicas. Jogo contra pessoas que não têm deficiências e, às vezes, ganho. Até prefiro jogar contra elas. Os que não têm problema usam outro tipo de borracha, que para mim é melhor. No paralímpico, a borracha tem pino, para dar um efeito. Em novembro, vou disputar o Aberto do Chile. Lá, qualquer atleta pode jogar.
QUEM É ELE
Nome
Luiz Henrique Medina
Nascimento
4/6/1951, em São Paulo (SP)
Altura
1,67m
Peso
47kg
Classe
6 (andantes)
Ranking mundial
40º
Maiores conquistas
Bronze individual e prata por equipes nos Jogos Parapan-Americanos do Rio de Janeiro, em 2007. Em 2015, levou o bronze no Campeonato Brasileiro.
Tipo de deficiência
Nasceu sem antebraços, perna esquerda, língua e maxilar inferior, por razões desconhecidas.
* O repórter viaja a convite do CPB
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