Segundo especialista, o uso de diurético é contraproducente para jogadores de futebol

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Assim como Carlos Alberto, do Vasco, o meia Deco, do Fluminense, foi pego no exame antidoping por uso de Hidroclorotiazida (diurético que combate a hipertensão arterial) e Carboxi-Tamoxifeno (usado em câncer de mama), substâncias presentes em vitaminas que ele vinha comprando em uma farmácia de manipulação.
Confira abaixo a análise do especialista da Academia LANCE!:
Eduardo de Rose
Membro da Agência Mundial Antidoping (Wada)
Se observarmos o Brasil em termos de controle de doping, a grande maioria dos casos reflete o uso de produtos que não são para aumento da condição física. Raramente, em percentual que não é frequente, vemos o uso de produtos para aumentar a performance, como o anabólico esteroide. Quase sempre o atleta é pego por uso de remédios para dor de cabeça, descongestionante nasal, colírio etc.
E o uso de diuréticos quase sempre mostra que houve contaminação. Em esportes de peso, o diurético pode fazer com que o atleta perca peso e entre em uma categoria mais baixa. Mas fora das categorias de peso, o uso de diurético é contraproducente. Seja em natação, futebol, basquete, vôlei ou outro esporte relacionado, não é vantagem o uso de diurético.
Minha única observação é que tem que se cuidar da densidade da urina do atleta na hora da coleta. Em uma densidade alta, como o nadador Cesar Cielo tinha, a urina fica muito concentrada e o diurético não consegue esconder outros produtos. Hoje em dia conseguimos encontrar qualquer produto na urina. Por isso, aposto muito mais em contaminação que o eventual uso de um agente para mascarar outro produto proibido.
A gente sempre recomenda que o atleta não manipule, que informe o médico da equipe. A farmácia de manipulação é perfeita para o uso de substâncias para o efeito desejado. Mas há outras substâncias que não têm efeito nenhum, mas que vão ser encontradas no antidoping. O atleta tem de ter muito cuidado.
Se for medicamento existe controle, mas se for suplemento, não existe. Teoricamente, o suplemento pode ter uma bula que não informe nada que realmente esteja no produto.
Em outros países, como na Itália, existe uma legislação para incluir na embalagem dos remédios quando há a presença de substância dopante para esportistas. A Associação dos Farmacêuticos inclui no produto e, quando passar no caixa, emite-se um sinal que avisa que o remédio não pode ser usado por atletas. Mas não sei até que ponto essa lei resolveria o problema.
E MAIS:
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