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Santos lapida Neymar desde os 11 anos e até criou time na base para o jovem atacante

André Villas-Boas (Foto: Andy Rain/EFE)
imagem cameraAndré Villas-Boas (Foto: Andy Rain/EFE)

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Neymar foi preparado para o sucesso. E o centenário Santos teve sorte e competência de ser o escolhido para esculpir uma das maiores joias do futebol brasileiro.

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Ainda com 11 anos, em 2003, o aspirante a craque foi colocado no Alvinegro graças ao coordenador das categorias de base do clube, o ex-jogador Zito, e o seu treinador na Portuguesa Santista, Roberto Antônio dos Santos, o Betinho. Era o começo de uma história de sucesso.

– No final de 2003, o Zito foi nos visitar, pois o nome do Neymar começou a ser cogitado, ganhou fama. Ele viu o Juninho e logo levou para o Santos, que não tinha time para a idade dele. Criaram as categorias mirim e pré-mirim só para ele jogar – relembra Betinho.

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A partir daí começou a lapidação santista. Neymar passou a "pular" categorias mesmo com idade inferior, pois já destoava dos outros garotos e se encaminhava para a profissionalização precoce.

O ciclo no Santos foi interrompido bruscamente dois anos depois, quando Wagner Ribeiro, empresário indicado pelo cliente Robinho, o levou para visitar o Real Madrid.

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Apesar do assédio, Marcelo Teixeira, então presidente santista, pagou R$ 1 milhão ao pai do jogador pelo retorno do craque e aguentou críticas internas pela loucura.

Milionário, o pai do atacante deixou o emprego de mecânico na CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) de Santos, e a moradia em Praia Grande para morar em confortável apartamento ao lado da Vila Belmiro, pago pelo clube.

O craque começou a brilhar no time principal, passou a ser ainda mais "mimado" pelo Santos de todas as formas e os reflexos negativos também apareceram. A discussão pública com o técnico Dorival Júnior, em 2010, marcou o início de um novo processo de lapidação, que se intensificou ainda mais com a primeira recusa à Europa e assinatura de um plano de carreira.

Aulas de inglês, media trainning, consultas com fonoaudiologistas...Neymar virou um monstro, porém, bem diferente daquele previsto pro René Simões, em 2010.

BATE-BOLA
Betinho
Olheiro do Santos e descobridor de Neymar

Como conheceu Neymar?
No fim de 1998, estava em um jogo festivo entre Recanto da Vila e o Tumiaru, ambos de São Vicente, e o pai do Neymar estava jogando. Foi quando vi um menino correndo na arquibancada, como se fosse plano e não tivesse obstáculos. A coordenação dele me chamou a atenção. Eu estava montando um time de nascidos em 1991 no Tumiaru e o convidei para jogar.

Mas só de vê-lo correr já percebeu que se tratava de um prodígio?
Ele tinha velocidade e equilíbrio acima dos outros garotos da mesma idade. Quando ele pegou na bola, então, foi algo diferente. Ele já gingava, fazia lances bonitos...Vi que ele poderia ser como o Robinho, que eu já havia descoberto.

Como ele foi parar no Santos?
Ele me acompanhou nos clubes que dirigi. Morava em Praia Grande, pois o pai trabalhava lá, e eu ia buscá-lo todos os dias em casa. Ele jogava muito bem e começaram a falar dele. Então, o Zito me procurou e nos levou para o Santos.

Como era ele na infância?
Uma criança normal. Ia bem na escola. Sempre tirou notas boas e estudou em colégios particulares, que lhe davam bolsas de estudo.

Mudou muito de lá pra cá?
Em nada. Até em campo. Na base, ganhou títulos por todos os times. E o carisma era igual.

COM A PALAVRA
Valdomiro Neto
Editor do LANCENET!

"Nas categorias de base se falava à exaustão nele. Chegou, antes de profissional, a fazer estágio na Espanha. Mas era tudo como profecia: o Santos estava cultivando mais um craque para brotar de seu celeiro divino. Hoje, com 20 anos, é realidade que transborda. Campeão Paulista, da Copa do Brasil e da Libertadores. Soa como destino fabricado em clube que é fábrica de destinos. Neymar abrigou-se no manto alvinegro como um sucedâneo de Patuska, Pelé, Pita, Giovanni e Robinho. É a bola da vez na sequência infinita de gênios do clube mais ofensivo do país. Da vocação goleadora na Vila Belmiro ele é mais um na máquina de fazer profetas. Fincado no clube, rejeitando propostas milionárias dos nababos europeus, vai se consolidando na história. E a promessa é de que muito ainda virá. O Peixe chega a cem anos mantendo sua sina de ter o craque mais cortejado do país."

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