Pela primeira vez, técnica Rosicleia Campos ficará fora de um Mundial de Judô
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Desde 2005, quando assumiu o cargo de técnica da Seleção Brasileira feminina de judô, Rosicleia Campos nunca deixou de comandar suas atletas em um Mundial. Este ano, porém, a treinadora não ficará na beira do tatame pois está de licença maternidade após o nascimento dos filhos gêmeos. Mas isso não a impedirá de marcar presença na arquibancada do ginásio do Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, a partir de segunda-feira. Ela montou todo um esquema para poder ficar perto das judocas na competição mais importante do ano.
- Ficar fora vai ser doloroso, uma experiência diferente. Estou há muito tempo com elas e este seria o meu sexto Mundial. Claro que as atletas estão nas mãos de um grande técnico (Mario Tsutsui), mas eu estarei todos os dias no ginásio pois me organizei para isso. Os bebês ficarão em casa, montei um QG lá - disse Rosicleia, referindo-se à ajuda que recebe da mãe, dona Delza, da babá Vanessa e da empregada doméstica Jurema.
Nesta semana, a treinadora cumpriu a promessa que fez às atletas e compareceu aos treinos. Ela foi ajudar, ver de perto as muitas meninas que a chamam de mãe. Rosicleia está afastada da Seleção desde o fim dos Jogos Olímpicos de Londres, em agosto do ano passado. Ela considerou que esse era o melhor momento para realizar o sonho de ser mãe. Principalmente depois que Sarah Menezes, na categoria ligeiro (até 48kg), conquistou o primeiro ouro olímpico do judô feminino brasileiro. Isso tirou um peso das suas costas.
O período de afastamento oficial, no entanto, já tem data para terminar. Depois do Mundial, Rosicleia voltará a comandar a Seleção feminina no Grand Prix de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, e no Grand Slam de Tóquio, no Japão, ambas as competições em novembro. Mas o fato de estar afastada não impediu que a treinadora seguisse acompanhando suas judocas. A distância, porém, a fez quebrar um hábito.
- Eu sempre faço vídeos motivacionais para elas. Desta vez, acabei não fazendo porque estava um pouco distante. Mas assistia às competições. Se a televisão não transmitia, via pela internet. Mandava mensagem. E atendi o pedido para estar nos treinos para o Mundial. No primeiro dia do retorno, eu parecia uma estreante - contou a treinadora.
No Mundial do Rio, Rosicleia prefere não fazer prognósticos. Principalmente sobre a possibilidade de o judô feminino do Brasil conquistar sua primeira medalha de ouro. A técnica justifica sua posição frisando que ainda é início de ciclo olímpico e que é preciso não pensar muito nisso para não criar uma pressão negativa:
- Tomara que o ouro venha, mas não temos que ter essa responsabilidade agora. Claro que estamos trabalhando para fazer história no judô, mas ainda temos muito pela frente.
Sobre ser mãe aos 43 anos, Rosicleia é só felicidade. Durante o Mundial, Ana Clara e Matheus completarão três meses. Três meses, segundo a treindora, de uma verdadeira montanha-russa.
- É um desafio ser mãe. Quer ter uma vida selvagem, tenha filhos. É muito cansativo, mas quando você recebe um sorriso, a energia vai lá em cima. É muito gostoso e estou amarradona, meus filhos são uma gracinha. A Ana Clara vai ser judoca com certeza, pois tem mão grande e fico brincando de pegada com ela. O Matheus é mais calminho, acho que não vei ter esse perfil - finalizou.
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