OPINIÃO: Santos e Robinho fazem uma sensata separação
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O Santos vive situação financeira dramática, fruto de uma gestão particularmente desastrosa de Odílio Rodrigues no ano passado. Foge à compreensão como o clube fez uma operação milionária para contratar Leandro Damião em janeiro de 2014, com um empréstimo vultoso e juros a pagar lá na frente, repatriou Robinho com altíssimo salário para os padrões nacionais e terminou o ano devendo vários meses de salários. A ponto de ter perdido jogadores por vias judiciais, entre eles, vejam só, o próprio Damião (que bucha!). Se isso não é gestão temária, o que seria? A reprovação unânime das contas do ano passado pelo Conselho Deliberativo mostra em que terreno movediço ficaram os cofres santistas.
Modesto Roma pode ter o defeito que for, mas merece desconto por ter abrigado um pepino danado nas mãos. Desdobra-se para colocar os salários em dia e, ao que consta, fez o possível para manter o ídolo Robinho na Vila. Poderia repetir os populismos de Odílio, aumentando a oferta para que o atacante permanecesse, jogado para a torcida e estuprado ainda mais as contas do clube. Além disso, dado o contexto ruim, uma cartada maior não teria necessariamente resposta positiva do ídolo. Seduzido pelos milhões que andam brotando da China, por que Robinho escolheria ficar no clube para ganhar menos e com boas chances de não receber em dia?
O leitor arguto poderá citar o exemplo de Tevez, que largou a fama e a fortuna na Europa no auge da carreira para defender o seu amado Boca Juniors. O gesto do atacante espanta, gera admiração pelo desprendimento e respeito ao próprio coração, não é habitual, mas não pode servir como lança contra os outros. Anseios e necessidades são de foro íntimo. Assim como Juninho Pernambucano, no epílogo da carreira voltou ao Vasco para receber pouco, Tevez sabe o que lhe toca.
Robinho já tem seu nome gravado na história santista e tem o inalienável direito, como todo ser humano, de fazer suas próprias escolhas. Caminha para a etapa final da carreira e pode estar escolhendo acumular o máximo para que ele e os seus se garantam sem sobressaltos. É uma questão individual. O atacante em nenhum momento pareceu demagogo, prometendo que ficaria ou dizendo que não seria fisgado por uma proposta internacional boa.
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É preciso sempre ver o lado bom de uma situação indesejada. Robinho certamente tinha muita ascendência sobre o grupo, natural pelo status que tem no Santos e por sua experiência como atleta. Isso, se de uma forma tira o peso do grupo, pode, de outra, inibir alguns jogadores e influir em contratações e escalações - não estou dizendo que isso vinha acontecendo, mas também não duvido.
É compreensivel a atitude dos dois lados. Santos e Robinho tocarão suas vidas agora. Mesmo sem o atacante, o Peixe tem um time em condições de fazer bom papel no Brasileirão sem comprometer suas já combalidas finanças. Há os catastrofistas, que, como já aconteceu no início do ano, adoram pintar o apocalipse. O título paulista serviu para mostrar que não era bem assim Não há esquadrões no Campeonato Brasileiro, ainda que seja uma competição infinitamente mais difícil que um estadual, e o Peixe ainda tem peças respeitáveis, em especial do meio para a frente, e não deve se desesperar. O time costuma ter bom aproveitamento em casa e pode encarar grandes times de igual para igual fora, como fez contra Galo e Internacional.
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