Modalidades não-olímpicas do Pan utilizam estratégias distintas para entrar nos Jogos
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Popularidade, transmissão televisiva, tradição, número de medalhas distribuídas, saúde e até filosofia. Estes são alguns dos argumentos utilizados pelas federações internacionais não-olímpicas para convencer o comitê organizador de Tóquio-2020 a serem indicadas ao COI como novidades no programa de competição.
O "processo seletivo" está na reta final. Até esta quarta-feira, as oito disciplinas que sonham em entrar nos Jogos de Tóquio (squash, beisebol/softbol, patinação sobre rodas, wushu, surfe, boliche, caratê e escalada) precisam entregar suas propostas finais de "candidatura". No início do mês que vem, em Tóquio, uma série de entrevistas serão realizadas com os membros das entidades.

O patinador Marcel Sturmer poderá ganhar uma chance e disputar a Olimpíada de 2020 em Tóquio (Foto: Divulgação/COB)
Nesta batalha, cada modalidade tenta exaltar suas virtudes, e até mesmo atacar as "fraquezas" de suas concorrentes.
A principal favorita para entrar no programa de Tóquio-2020 é a dobradinha beisebol/softbol. A modalidade é muito popular no Japão, e conta com alto nível técnico disseminado em diversas regiões, em países da Ásia e das Américas.
O boliche também utiliza a seu favor o fato de ter apelo entre os japoneses. E aproveita para "cutucar" a adversária.
– Apesar do boliche distribuir poucas medalhas em competições, ainda assim o número é maior do que o do beisebol – disse Karla Redig, vice-presidente da Confederação Brasileira de Boliche.
O squash, por sua vez, tem como pilares de campanha seus esforços em se tornar um esporte atrativo para transmissões televisivas, a mobilidade (pode ser disputada em espaços públicos), e o bem-estar (é considerada uma das atividades que mais queimam calorias).
– A transmissão televisiva agora está maravilhosa. Você consegue ver e entender o jogo. Estão investindo em tecnologia – disse Daniel Penna, presidente da Confederação Brasileira de Squash.
Por fim, o karatê utiliza como carta na manga o fato de ter origem no Japão, e ter uma ideologia por trás do esporte de formação de pessoas e cidadãos.
Entidades divergem sobre apoio dado pelo COB
A atenção que o Comitê Olímpico do Brasil (COB) vem dando às confederações não-olímpicas nos últimos anos, em especial aos meses que antecedem os Jogos Rio-2016, é encarada de formas diferentes por membros destas entidades.
Enquanto algumas apontam a falta de apoio, outras mencionam que não há motivo para reclamar.

O squash está investindo em melhorar a transmissão televisiva para conseguir um espaço em Tóquio-2020 (Foto: Eduardo Viana)
Dentro do squash, não há qualquer tipo de contestação direta. Mas nota-se certa resignação por causa da diferença de tratamento em comparação com épocas passadas.
– Antigamente a gente recebia ajuda do COB, agora não. Não sei se é por causa da Olimpíada e agora estão focando mais nos esportes olímpicos, mas tivemos literalmente nada. Até nos pediram uma programação, nós passamos tudo, mas não conseguimos absolutamente nada – falou Daniel Penna, presidente da Confederação Brasileira de Squash.
Dentro da entidade que comanda o boliche no país, a sensação é diferente. Karla Redig, vice-presidente da entidade, mostra gratidão pelo apoio recebido do COB.
– Eles sempre foram um parceiro nosso. Sei que tem muito esporte pan-americano que reclama, mas nossa relação é boa – disse.
Em nota enviada ao LANCE! neste domingo, o COB reconheceu que vem priorizando as modalidades olímpicas:
"O Comitê Olímpico do Brasil reconhece a importância das modalidades pan-americanas para o esporte brasileiro. Porém, dentro do planejamento estratégico que define as prioridades de investimento do COB para este que é o ciclo olímpico mais importante da história do Brasil, decidiu-se priorizar o investimento nas modalidades que fazem parte do Programa Olímpico".
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