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Massa: 'Não vou rastejar para ter onde correr'


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Sereno, tranquilo e genuinamente feliz. Foi assim que Felipe Massa se apresentou em uma conversa de mais de vinte minutos com a imprensa brasileira em Cingapura, com a presença do LANCE!Net Nela, afirmou que não tem nada a reclamar do tempo em que passou pela Ferrari, falou de suas opções para permanecer na Fórmula 1 no ano que vem e não descartou a possibilidade de um ano sabático se não encontrar uma alternativa que lhe agrade. Confira:

Como você soube da notícia de que não teria o contrato renovado na Ferrari?
FELIPE MASSA: Soube em uma conversa pessoal com o Stefano (Domenicali). Foi mais no lado da amizade, no escritório dele em Maranello. Foi na terça-feira depois de Monza. Para falar a verdade, eu imaginava que isso iria acontecer. Muita gente deve achar que estou chateado, mas estou feliz. É um momento que se encerra e a vida continua. Temos de ir em busca de outro desafio. Espero achar o caminho certo e vamos para a próxima. É lógico que, se me perguntar se estou satisfeito com minha carreira, vou dizer que estou feliz. Claro que eu queria ter ganhado um campeonato com a Ferrari e isso foi quase possível. Mas continuo na luta, com vontade de chegar nessa possibilidade de ser campeão. Nada é impossível na vida e meu pensamento é esse.

Olhando sua história na Ferrari, você mudaria alguma coisa?
FELIPE MASSA: Sempre tentei o máximo. Talvez mudasse alguma coisa, mas ainda não sei. Nunca serei um piloto chorão, sempre agradeço por tudo o que passei. Nunca vou falar que me sacanearam ou não, isso não faz parte da minha pessoa. Temos de levar tudo pelo lado positivo. Sou um cara feliz, não sou frustrado. Não vou ser nunca. Lembrando quando eu comecei no kart, eu conquistei muito mais do que esperava, mas sempre queremos mais.

Você se surpreendeu com o retorno do Kimi, tendo em vista que quando ele saiu, em 2009, não se bicava com algumas pessoas de dentro da Ferrari? E como projeta o duelo Alonso e Raikkonen ano que vem?
FELIPE MASSA: São dois excelentes pilotos. Isso mostra que a Ferrari não me trocou por um qualquer, o que é totalmente aceitável. São dois pilotos e pessoas completamente diferentes. Olhando pelo lado do carro, a Ferrari pode ter um excelente resultado. Espero o melhor para eles e para a Ferrari. Mas vamos ver se vai funcionar.

Você já falou que a Lotus é uma possibilidade, mas salientou que a equipe está muito carente de investimentos. Você não é de bater em porta de empresa, mas é bem relacionado e o Brasil é um mercado atraente. Como você pode juntar essas duas coisas?
FELIPE MASSA: Eu quero ter o carro mais competitivo possível. Estar no grid para fazer parte da foto não me interessa. Não vou mudar meu jeito de pensar. Se tiver chance de correr em equipe pequena, não vou. Vou fazer outra coisa. Existem equipes com lugar disponível que podem fazer um carro competitivo e é nisso que estamos trabalhando. Ainda não sei o que vai acontecer, mas são equipes que precisam de ajuda financeira – e isso não quer dizer que vou pagar para correr, pois sou piloto profissional, sempre recebi e isso vai continuar acontecendo – mas tenho bons relacionamentos comerciais. Acho que o Brasil tem empresas excelentes, que querem fazer parte de um marketing global. Acho que isso não é só importante para eu continuar minha carreira, mas também para o automobilismo brasileiro, que está no limite. Temos de acreditar no que temos no momento e trabalhar para o futuro do Brasil – o que não vai ser fácil ou rápido. É importante nos unirmos para manter o que temos e acho que tenho muito o que fazer e mostrar. A vontade é gigante. A questão é escolher o melhor caminho para isso.

Você disse que queria um carro que lhe trouxesse vitórias. Considerando o grid deste ano, quatro equipes venceram – e, entre elas, só a Lotus tem vaga. A McLaren também pode voltar a vencer caso resolva seus problemas. Seriam só essas duas possibilidades?
FELIPE MASSA: Não sei se são essas duas. Há outras equipes cujas fábricas têm potencial para fazer um carro competitivo também. Por exemplo uma Williams [pausa], Force India, Sauber. Não sei. Estamos trabalhando para achar o melhor caminho possível.

Você colocou um limite de até quando quer decidir sua situação?
FELIPE MASSA: Espero que se resolva até o fim do ano. Não vou rastejar para ter um lugar para correr. Não sou assim e essa não é minha vontade. Quero achar as possibilidades certas, com equipes que têm a condição de fazer um carro bom.

A Fórmula 1 ainda é uma realidade muito próxima para você, mas no caso de não ficar, você já pensou no que gostaria de fazer?
FELIPE MASSA: Se isso não acontecer, quero continuar correndo. É o que eu sei e o que eu gosto de fazer. Não pensei no que faria porque meu objetivo é ficar. Acho que eu tenho muito ainda por fazer na Fórmula 1. Há muitas categorias que me interessam, como a DTM. Não acredito que eu vá para os Estados Unidos e correr na Indy. Meu foco é tentar ficar na Fórmula 1. E, se eu demorar demais para decidir meu futuro aqui e perder a oportunidade de correr em outra categoria, posso ficar um ano parado curtindo a vida.

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