Mano Menezes encara armadilhas na Seleção

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Os discursos de Mano Menezes e Ricardo Teixeira são bem ensaiados. Depois do último ciclo, em que a Seleção de Dunga venceu tudo até fracassar na Copa do Mundo da África do Sul, as prioridades se inverteram. O importante é chegar bem ao Mundial de 14.
Mas no Brasil, onde a pressão por vitórias é imensa, será possível um projeto em que os resultados não são prioritários obter sucesso? Ontem, na despedida de Campana (ARG) após o pífio desempenho na Copa América, o treinador voltou a bater nessa tecla, mas, nas entrelinhas, admitiu que se os resultados não aparecerem, mudanças no planejamento podem ser feitas.
O caminho até 2014 passa muito pelo segundo semestre. A Seleção vai enfrentar Alemanha, Argentina, Itália e a atual campeã mundial Espanha. Rivais fortes, como querem Mano e o presidente da CBF.
Mano afirma estar tranquilo quanto as críticas
– Quero que seja assim. Poderíamos enfrentar adversários menores e conseguir resultados, mas isso não basta para a gente. Temos de medir nossa capacidade contra seleções fortes – decretou o técnico.
Dos 12 jogos contra equipes que foram à última Copa do Mundo, a Seleção, em sua nova era, venceu só os Estados Unidos (veja o quadro).
Se as vitórias não aparecerem até dezembro, questionamentos levantados na Copa América vão ganhar força. O primeiro é de que Alexandre Pato não serve para vestir a camisa 9. Afinal, o maior problema foram justamente gols perdidos.
– Estamos renovando a parte ofensiva mais rapidamente do que o adequado, isso explica alguns sobressaltos – ponderou Mano, isentando o atacante do Milan (ITA).
Ao longo da competição, também houve divergências entre a turma dos veteranos, com Julio Cesar, Lúcio e Maicon, e a galera jovem, com integrantes mais experientes, como Daniel Alves e Fred.
Problemas que, provavelmente, só serão abafados com vitórias. Mano Menezes sabe: precisa delas.
– Não existe time vencedor sem resultado. O técnico quer ganhar.
Mano já convoca na próxima segunda
O técnico Mano Menezes não terá muito tempo para lamentações com a eliminação precoce na Copa América para o Paraguai. Já na próxima segunda-feira, o treinador terá que apresentar a lista de convocados para o amistoso do dia 10 de agosto, contra a Alemanha, em Stuttgart (ALE).
Na sequência, a Seleção Brasileira disputará a Copa Rocca, antigo torneio que foi "ressuscitado", que consiste em dois jogos, no esquema ida e volta, contra a Argentina. As partidas acontecerão nos dias 14 e 21 de setembro, e ambas as equipes só poderão chamar jogadores que atuam em seus próprios países.
Para finalizar o calendário 2011, o Brasil ainda enfrentará as poderosas Espanha e Itália, porém, ainda não se tem uma data definida destes amistosos. Sabese, no entanto, que serão realizados entre outubro e novembro.
Agora, no fim do mês, Mano Menezes irá a Colômbia acompanhar alguns jogos da Seleção sub20 no Mundial da categoria, e observará os jogadores: – Enxergamos, na Seleção sub20, alguns jogadores com capacidade para estar num curto espaço de tempo na Seleção principal.
Estamos vendo outras seleções fazerem e já colhendo frutos, comoo Uruguai, que tem na sua seleção principal a continuidade disso. São os exemplos em que temos de nos espelhar.
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Os obstáculos da Era Mano
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COM A PALAVRA:
Alexandre Lozetti, repórter que cobriu a Seleção Brasileira na Copa América
"Neymar e Ganso têm mesmo de ser a base talentosa da equipe. O técnico acredita que a dupla estará mais madura no Mundial e tem motivos para isso. Acredita também em seu potencial de montar uma equipe competitiva. Mano Menezes é bom técnico, mas às vésperas da sequência de competições no Brasil, é difícil crer que vitórias serão secundárias no projeto dessa Seleção. Acada revés, o medo de Ricardo Teixeira de ver sua equipe fracassar no fim de seu mandato, em casa, será maior. A pressão também. Eles vão precisar vencer"
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Bate-Bola:
LNET!: De que maneira agir agora sabendo que, daqui para frente, algumas críticas poderão surgir?
Mano Menezes: Fizemos uma transformação muito grande para esse primeiro ano de trabalho. E você precisa fazer isso com cuidado porque quando se sai de uma competição como nós saímos, a avaliação que se tem sobre os jogadores que chegaram não é a mesma de que se tivéssemos vencido. Vamos conviver com conceitos que não foram os que acompanharam os jogadores até há pouco tempo. Temos que ter cuidado para proteger aqueles que entendemos ter potencial grande e vão chegar com a Seleção em 2014.
LNET!: Há a Olimpíada de Londres. De que maneira será feito o trabalho?
Mano Menezes: Muitos jogadores que fazem parte da Seleção principal podem estar na olímpica. O planejamento vai ser bem complexo, pois sabemos que a Olimpíada não faz parte do calendário Fifa. Para jogadores estarem lá, deve haver consentimento entre jogador e clube, e estamos trabalhando para saber como vamos pensar a Seleção olímpica a partir disso. Temos um conceito bem evoluído daquilo que queremos com o grupo.
LNET!: Ao fim da competição, qual análise faz do desempenho brasileiro na Copa América?
Mano Menezes: É uma etapa importante de avaliação porque não teremos muitas competições oficiais até 2014. Ela segue os moldes da Copa do Mundo. Avaliações e decisões serão internas. As decisões que serão tomadas não vão levar em conta o jogador que perdeu o pênalti, cometeu falha, não esteve tão bem devido à circunstâncias especiais. Vai ser feita como um todo para não sermos injustos. Avaliações erradas nos levam a oscilações grandes, e isso não pode acontecer.
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