Maioria dos clubes brasileiros não se enquadra no fair play financeiro
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Se a MP do Profut já estivesse em vigor no ano passado, 11 dos 20 maiores clubes brasileiros estariam desrespeitando o artigo do fair play financeiro do futebol, mesmo com a elevação dos limites de gasto de 70% para 80% negociada para aprovação do documento final do relator Otávio Leite (PSDB-RJ). O caso mais dramático é o do Atlético Mineiro que, em 2014, gastou 106% de sua receita com o futebol.
O fair play financeiro, inspirado em instrumento que vigora nas ligas americanas e que está na pauta da Uefa e várias ligas européias determina um limite máximo de gastos com o departamento de futebol em relação à arrecadação anual.
Estudo realizado pelo consultor Amir Somoggi, colunista do L!BIZZ, revela que se o limite de 70% do texto original de Otávio Leite fosse mantido, o quadro de desrespeito ao fair play seria ainda mais grave, elevando de 11 para 17 o número de clubes que não se enquadrariam nas exigências da MP. Apenas Atlético-PR, Goias, Flamengo, Vasco e Fluminense cumpririam o percentual.
Além do Atlético-MG, a situação mais crítica é de três clube paulistas, São Paulo e Corinthians com 92% e Santos, com 90%, além do Figueirense, também com 90% das receitas comprometidas com o futebol.
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Além de ocuparem as primeiras posições do ranking do fair play financeiro, outro dado favorável as Atlético-PR, ao Goiás e ao Flamengo é a sensível redução da proporção custos de futebol/receita total no ano passado, em relação à 2013. O Furacão caiu de 79% para 45%; o esmeraldino de 76% para 48% e o rubro-negro carioca de R$ 66% para 49%.
Pesou para tal os resultados operacionais dos três clubes o maior superavit orçamentário de 2014 no balanço, com R$ 64,3 milhões do Flamengo, R$ 43,2 milhões do Atlético-PR e R$ 15,1 milhões do Goiás. Exceto Vitória e Avai, que registraram pequenos superavit, inferiores a R$ 0,5 milhão, todos os demais entre os 20 do ranking de maiores clubes fecharam o exercício com déficits. O Goiás é um exemplo marcante.Se considerada uma visão de mais longo prazo, o clube conseguiu reduzir seus gastos com o futebol de 145% da receita total em 2011, para os atuais 48%.

No lado oposto da moeda, Atlético-MG (64% em 2013 para 106% em 2014), São Paulo (68% para 92%) e Coritiba (68% para 84%) registraram o maior aumento da proporção. Outros que tiveram resultado negativo expressivo foram o Palmeiras (74% para 82%), Avaí (76% para 82%) e Inter (76% para 87%).

Segundo a análise histórica das finanças dos clubes desde 2003, sempre que o índice-custos com futebol/receitas subiu, os déficits aumentaram. O índice máximo de 70% já seria elevado. Pelo rombo financeiro do futebol brasileiro nas esferas fiscal, trabalhista bancária, os clubes deveriam ter um custo com futebol de 60%-65% das receitas por um bom tempo. O grande problema é que os clubes criaram uma bolha muito clara.
Alavancaram seus custos com futebol com salários estratosféricos e, como o orçamento não era suficiente, fizeram empréstimos caríssimos para financiar a operação. Assim hoje clubes gastam R$ 20 milhões R$ 30 milhões em juros bancários por ano, estão devendo muito. Permitir 80% de índice máximo é institucionalizar os déficits.
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