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Hugo Parisi: 'As substâncias não aparecem na lista da Wada'

Flagrado em exame antidoping, Hugo Parisi, dos saltos ornamentais, afirmou ao LANCE!Net que procurou na lista de substâncias proibidas da Agência Mundial Antidoping (Wada) se o remédio que tomaria por conta de uma inflamação na garganta poderia levar a um teste positivo. Segundo ele, a prednisona e a prednisolona não apareciam no documento e, por isso, tomou o medicamento. No fim de abril, no entanto, o atleta foi informando do doping, e descobriu que as duas substâncias integravam a classe S9.Glucocorticosteróides.

- Eu caí num erro que, provavelmente, outros competidores caem. As substâncias não aparecem na lista da Wada. Fico um pouco triste porque o código antidoping fala que o atleta é responsável por tudo o que toma, porém a lista é feita para especialistas. Eu não tenho conhecimento suficiente para saber que a substância faz parte de uma família que estava na lista. Mas os dirigentes levam em conta que o atleta tem de procurar um médico sempre. Só que eu acho que a lista poderia ser mais clara para o atleta - disse Parisi, em entrevista ao L!Net.

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No fim de janeiro, o saltador foi acometido de uma uvulite (inflamação na úvula, pêndice cônico do véu palatino, situado na parte posterior da boca) associada a uma faringolaringite (inflamação da faringe e da laringe). Como estava com dificuldade para respirar, o que o atrapalhava nos treinos, Parisi optou por se consultar com um médico especialista em regime de urgência.

Na consulta com o médico Carlos Lúcio, que não é da esfera esportiva, o atleta recebeu a receita do remédio indicado para o seu problema. Parisi e seu técnico, Ricardo Moreira, tiveram o cuidado de olhar na lista da Wada. Como não encontraram a substância, acharam que tudo estava certo. Agora, o saltador lamenta não ter tido ainda mais cuidado.

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- Tem aquela frase de mãe que diz que cuidado de mais nunca é demais. Eu poderia ter entrado em contato com um médico da CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos). Se soubesse que o remédio tinha uma substância proibida, poderia ter solicitado o Therapeutic Use Exemption (TUE), que é uma permissão especial para uso de um determinado remédio por conta de alguma doença. Mas estou com a consciência tranquila pois provei no painel da Fina (Federação Internacional de Natação) que não agi de má-fé - afirmou o atleta.

No painel da Fina, sexta-feira, Parisi explicou aos julgadores que não achou na lista da Wada as substâncias e apresentou um laudo médico do doutor Carlos Lúcio atestando o tratamento para a inflamação na garganta. Segundo o atleta, a entidade entendeu seus argumentos e optou pela sanção mínima.

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- Fico triste pois vou perder o Mundial. Mas é bola para frente. Vou continuar treinando e espero poder continuar dando alegrias para o Brasil - finalizou Parisi.

Academia LANCE!

Dr. Eduardo de Rose
Membro da Wada

"A prednisolona é um anti-inflamatório. Entendo que a intenção do atleta não foi utilizar uma medicação proibida para aumentar o desempenho físico dele. Quando a Wada proíbe uma classe de medicamentos ela geralmente lista a maioria dos medicamentos proibidos.

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Realmente, o guia da Wada não refere a relação dos corticosteroides, ela apenas diz que os glicocorticosteroides são proibidos quando administrados via oral, retal, intramuscular ou intravenosa. A reclamação de Parisi pode ser uma crítica à Wada, mas entendo que não, já que qualquer médico sabe que essa substância é um corticosteroide. O princípio da Wada é que o erro do atleta não justifica a anulação do doping. Mas a alegação dele está correta. Talvez pudesse ter na lista de substâncias proibidas uma especificação maior do que é um corticosteroide.

Duvido que a Fina tenha levado isso em conta no julgamento. Eles devem ter levado em conta que a substância claramente não é uma que, no esporte dele, os saltos ornamentais, vai influir diretamente no desempenho físico dos atletas, embora ela seja proibida. E três meses foi uma pena muito pequena só para educar o atleta no sentido de que quando ele faz o uso de uma substância durante uma competição ele tem de se cercar de todas as garantias de que aquela substância a ser usada não está na lista de substâncias proibidas."

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