Gol de superação: atacante venceu leucemia na infância
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Quem vê Danielzinho correndo nos jogos do São Bernardo na Série A do Paulistão não imagina as dificuldades que ele enfrentou na infância.
Preocupados com o fato de o garoto não ter forças nas pernas nem para se manter em pé, seus pais resolveram levá-lo ao médico quando ele tinha apenas um ano e meio de idade. E veio a surpresa: Daniel tinha leucemia, um tipo de câncer que atinge o sangue.
Os médicos, descrentes da possibilidade de cura, aconselharam os familiares a desistir. Eles diziam que por ser uma criança frágil não
resistiria à quimioterapia. Mesmo assim, os pais de Daniel resolveram tentar o tratamento, ainda que fosse caro e eles não tivessem recursos
para custeá-lo. Para bancar as viagens de Santos, onde moravam, para São Paulo, local da clínica, Marília Tiago Duarte, que trabalhava como
ajudante geral, abriu mão de muitas coisas:
– Gastei tudo o que tinha e o que eu não tinha. Morávamos de aluguel e não tínhamos condições de pagar o tratamento. Vendi fogão, geladeira,
microondas... Era pouco dinheiro, mas ajudava.
Daniel ficou até os três anos fazendo o tratamento. Foi uma época muito difícil para os pais e, a cada telefonema, havia o temor de uma má
notícia. Porém, Daniel resistiu à quimioterapia. Com o controle da doença, ele precisou então realizar sessões de fisioterapia na AACD
(Associação de Assistência à Criança Deficiente).
Com oito anos, Marilia colocou o garoto em uma escola de futebol. Mal sabia ela que estava traçando o destino de seu filho.
– O médico tinha dito que seria bom e ele começou a ficar mais forte, as pernas funcionavam melhor. Com uns 12 anos, eu o vi jogando bola e tive
a certeza de que meu filho estava curado – diz Marilia.
Daniel, que completa 23 anos no próximo dia 21, está no profissional do São Bernardo desde 2007 e diz ter nascido "para jogar futebol".
Bate-Bola - Daniel Tiago Duarte
Quando você tomou conhecimento do que viveu na infância?
Minha mãe me contou quando eu tinha uns 14, 15 anos.
A doença deixou alguma sequela? E a sua filha é saudável?
Estou 100% recuperado de tudo. E a minha filha também, graças a Deus veio perfeita. Fizemos todos os exames, sem chances de desenvolver a
doença.
Os jogadores do Bernô não sabem da história. Você não costuma comentar com eles?
Eu não costumo conversar sobre isso com o pessoal. Para mim isso passou, foi uma história de superação. Só comento quando me perguntam sobre a minha história de vida. Mas se for para eu sentar e contar, não estou acostumado com isso.
Onde você jogou antes do São Bernardo?
Eu só entrei para o profissional em 2007, no São Bernardo mesmo. Antes disso, eu jogava só por diversão, futebol de várzea, com os amigos, mas
nada muito sério não.
E como chegou ao Bernô?
Eu jogava em um time de várzea e fomos convidados para jogar um amistoso contra o São Bernardo. Eles gostaram de mim, acharam que eu era bom e resolveram ficar comigo. Eu cheguei aqui para jogar a Taça São Paulo de 2007.
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