Garrincha, o craque de 1962: L!NET revela os segredos do sucesso de Mané na Copa

- Matéria
- Mais Notícias
Garrincha entornou o mundo na Copa de 1962. O LANCENET! encerra a série sobre o bicampeonato da Seleção Brasileira contando detalhes da trajetória de Mané no Chile, tanto dentro como fora de campo, e revela as razões para o sucesso assombroso do craque naquele Mundial.
Grande estrela do Botafogo na época, o gênio chegou à Copa do Mundo de 1962 dividindo a responsabilidade de conduzir a Seleção ao segundo título consecutivo com Pelé. Aliás, com os dois em campo, o Brasil nunca perdeu: entre 1958 e 1966, foram 40 jogos, com 36 vitórias e quatro empates. Juntos, eles marcaram 55 gols - Pelé fez 44, e Garrincha 11.
Só que o Rei se lesionou logo no segundo jogo daquele Mundial, contra a Tchecoslováquia. Mas o que parecia ser o início de uma tragéfia foi na verdade o "abre-alas" para o show de Garrincha. Sem ter de dividir espaço com Pelé, Mané pôde desfilar seu talento por todo o campo.
- Depois que o Pelé se machucou, ele transformou completamente sua maneira de jogar. Teve muito mais liberdade em campo. Ele abria espaços. Quando ele jogava muito na lateral, ele era muito marcado, por dois ou três. Isso liberava para mim e o Vavá. Ele começou a vir para o meio e abrir espaço - explicou Amarildo, colega de Botafogo e Seleção, ao L!NET.

Garrincha em ação pela Seleção Brasileira (Foto: Arquivo)
Além da liberdade para jogar onde quisesse, um outro segredo para o sucesso de Garrincha na Copa de 1962 foram os treinos específicos realizados em Viña del Mar e na preparação ainda no Brasil. O camisa 7 da Seleção trabalhou incessantemente para melhorar seus piores fundamentos e novas maneiras de chegar ao ataque.
- Sabe como ganhamos a Copa? O Garrincha fez gol de falta. Antes, não sabia bater. Fez gol de cabeça. Não sabia cabecear. Isso tudo foi fruto do treinamento. Tenho certeza que foi por isso que o Brasil ganhou. Além disso, eu e o Altair forçávamos nos treinos o Zagallo e ele a irem para o meio, em vez de irem para a linha de fundo. Foram meses fazendo esse treinamento. Tinha que ter algum efeito. Sorte nossa que ele aprendeu - revelou Jair Marinho, lateral-direito reserva da Seleção no Chile.
Por ser o lateral-esquerdo titular do Fluminense naquele período, Altair tinha o árduo trabalho de marcar Mané nos jogos contra o Botafogo. Essa relação "complicada" criou uma amizade entre eles.
- Eu não marcava o pé dele, como outros jogadores. Marcava a bola. Ele parava na minha frente, ameaçava e eu ficava parado. Quando ele passava, eu dava nele (risos). Ele me dizia "Magrinho, deixa eu passar". Eu respondia: "Se você passar, eu te dou um bico". Ele era legal. Eu gostava dele. Mas quase matava ele (risos) - contou Altair, ao LANCENET!

Garrincha aprontava até com os chefes da delegação (Foto: Arquivo)
Endiabrado até na concentração
Garrincha aprontou muito na concentração do Brasil em Viña del Mar. Sem poder deixar o hotel onde a delegação estava hospedada e dar suas "escapadas", ele passava a maior parte do tempo provocando as outras pessoas. Desde colegas de quarto até membros da comissão técnica.
- Ele fazia aquelas brincadeiras, era chato para caramba. Ficava correndo de um lado para o outro. Ele era muito moleque, nossa...O Garrincha pegava o palito de fósforo, botava entre os dedos do pés de quem estivesse durmindo e acendia. Quando alguém acordava e o dedo estava picotando, já sabia que tinha diso ele (risos) - lembrou Jair Marinho.
Para Zagallo, esse jeito descontraído e até irresponsável de ser fazia de Garrincha um jogador que não tremia diante das grandes decisões.
- Ele era muito brincalhão, uma criança. Ele fazia muita brincadeira. Nunca deu problema, era uma pessoa muito simples. Jogar uma Copa do Mundo ou contra o Bonsucesso era a mesma coisa, fazia as misérias dele do mesmo jeito - comentou o Velho Lobo, ao LANCENET!
'Drible' da CBD ajudou Garrincha
A principal jogada envolvendo o nome de Garrincha foi fora de campo. Na verdade, ele nem estava no lance. Graças a uma manobra política da Confederação Brasileira de Desportos (CBD), Mané pôde disputar a final contra a Tchecoslováquia, depois de ter sido expulso na semifinal
Única testemunha do leve chute do camisa 7 no chileno Rojas, o bandeirinha uruguaio Esteban Marino não apareceu para depor no julgamento. Isso porque a CBD teria bancado sua viagem para fora do país. Os ex-jogadores da Seleção não confirmaram a hsitória, mas afirmaram terem ouvido algo sobre o assunto no dia da final. Depois da Copa, Marino trabalhou na Federação Paulista de Futebol.
- Matéria
- Mais Notícias















