Fim de apoio pode atrapalhar vida de clubes da Madeira

- Matéria
- Mais Notícias
Os transtornos que os clubes da Ilha da Madeira, em Portugal, sofrem para viajar ao continente a cada duas rodadas, vão começar a doer no bolso. Nacional e Marítimo gastam cerca de R$ 332,5 mil por temporada para fazerem 14 viagens pelo Campeonato Português, o que para eles é uma fortuna.
O dinheiro vem de um subsídio do governo autônomo da região. Mas o aporte financeiro equivalente a R$ 57 milhões está próximo de deixar de existir. Nesta temporada, já são três meses de atraso. E no ano que vem, nem deve existir mais.
Além do deslocamento para o continente, a própria existência dos clubes está ameaçada. Os subsídios servem para bancar a infra-estrutura e para a atividade esportiva, contando todos os profissionais envolvidos. E nem os patrocinadores mostram interesse.
Os times estão distantes de terem algum apelo no país. A média de público do Nacional é de apenas 1.804 pessoas por jogo, enquanto a do Benfica, por exemplo, é de quase 39 mil.
Para Camilo Lourenço, economista português especializado em esporte, é uma situação trágica não só para a dupla, mas também para os outros clubes de diversas modalidades, que também estão no bolo.
– Os clubes não são viáveis na atual estrutura de despesas. Vai ser um impacto muito grande – disse Camilo ao LANCE!NET.
Acordos são aprovados
Ao ser contactado pelo LANCE!NET, o presidente do Marítimo, Carlos Pereira, foi curto, mas explicou que existe o acordo e mostrou irritação ao falar sobre o assunto.
– Tem o acordo entre clubes, governo, região, e que são aprovados na assembleia legislativa, o que existe é contrato – garantiu.
Solução possível não é bem vista
Uma das formas para economizar dinheiro, publicada na imprensa portuguesa no mês passado, era uma mudança na tabela. Os clubes madeirenses teriam pensado em pedir para que quando forem ao continente, que ficassem por duas, ou até quatro rodadas rodadas seguidas no continente. Camilo Lourenço explica e inviabilidade.
– Podem economizar no transporte, mas vão gastar mais com hospedagem e alimentação. E estamos falando de uma delegação de 25 pessoas no mínimo – lembrou.
Já o presidente do Marítimo, Carlos Pereira, não quis falar sobre esse assunto quando conversou com o LANCE!NET.
COM A PALAVRA
Camilo Lourenço
Economista especializado em esportes
Ou esses clubes abaixam os seus investimentos, ou vão acabar quebrando. O apoio do governo causou situações absurdas. Não é necessária a existência de dois estádios, Marítimo e Nacional podiam compartilhar apenas um. E ainda vão fazer um terceiro. Quando acabarem os subsídios, como vai ficar a situação?
Não pode manter uma atitude competitiva sem dinheiro, estou convencido de que todos os clubes vão ter que diminuir os seus investimentos, inclusive os três grandes. O país não tem uma economia que suporte o que Porto e Benfica fazem, vão precisar de soluções mais criativas. E na Madeira, que é cercada por água, tem uma economia bem pequena, o futebol local fica sem projeção.
A perda do subsídio vai trazer um impacto imenso, e os clubes não estão preparados para isso. Eles fazem poucas ações para arrecadar mais dinheiro.
- Matéria
- Mais Notícias















