Exclusivo: Tardelli fala ao L!NET sobre os cem jogos pelo Galo
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Diego Tardelli completa neste sábado cem partidas com a camisa do Atlético-MG. O atacante chegou no início de 2009 como principal contratação, mas ainda sob desconfiança pelo rótulo de "garoto-problema".
Bastaram os dois gols marcados em sua estreia, num clássico contra o Cruzeiro, para que o passado fosse esquecido e Tardelli começasse a cair nas graças do torcedor até se tornar o principal ídolo da atualidade.
Na véspera do centésimo jogo, ele concedeu entrevista exclusiva ao LANCE!NET, falou sobre o início da carreira, a boa fase de 2009, o momento ruim em 2010, a marca expressiva atingida no Atlético, a polêmica sobre baladas e até mesmo apontou erros cometidos por Luxemburgo.
Antes da conversa, no entanto, Tardelli cumpriu com seu papel de paizão e com um beijo se despediu da filha Pietra, de três anos e meio. Segundo o goleador, o nascimento da herdeira mudou para melhor o rumo de sua vida pessoal e profissional.
COMEÇO
Quem me ajudou muito no começo foi a minha avó, Dona Lola. Meu pai jogava futebol, minha mãe trabalhava e minha avó foi me levando em testes. Fui reprovado em vários como no Corinthians, clubes do Paraná e era muito difícil passar, porque já havia os grupinhos fechados. Meu primeiro clube foi o Santos, em 2000, na geração do Diego e do Robinho. A União Barbarense foi o clube que me revelou e sou muito grato. Mas como profissional foi no São Paulo que as portas se abriram.
PAI INCENTIVADOR
Minha avó me deu muita força. E por meu pai ser jogador, eu estava muitas vezes com ele nos treinamentos, nos jogos e peguei gosto pela coisa. Tenho muitas coisas do meu pai como o jeito de andar, correr e a visão de jogo dele que era muito boa por ser um meia-direita. Mas eu fui além, já que tenho facilidade para fazer gols.
IMATURIDADE
Eu já tinha responsabilidade, mas pela idade me deixei levar pela empolgação, o que é normal. Eram muitas coisas boas ao meu alcance e caí em algumas armadilhas. Ainda bem que foi tudo cedo e deu tempo de corrigir.
ILUMINADO
Tive muita sorte desde o começo. No São Paulo eu fiz o primeiro treino numa segunda-feira, na terça eu entrei na relação e um dia depois fiz a estreia. No jogo seguinte, contra o Fluminense, no Maracanã, já marquei meu primeiro gol como profissional. Fiz gols importantes em finais de campeonato, em Libertadores... Não é só o Obina que é iluminado. Eu também sou (risos).
APOIO DO FABULOSO
Luís Fabiano foi o primeiro jogador fera que me deu moral na carreira, quando eu estava começando no São Paulo. Me espelhava muito nele e fiz uma boa amizade. Foi até engraçado no reencontro pela Seleção, porque aí eu já estava numa outra condição, tinha um nome e respeito pelas coisas que eu fiz no futebol.
CASTIGO
Quando fui emprestado ao São Caetano eu estava pagando pelo que eu tinha feito, vivia um momento ruim, mas de forma alguma estou querendo menosprezar o clube. O Leão me levou, gosto muito dele e não quis nem saber qual time era. Foi um momento de pensar e saber onde estava errando na minha vida.
FORA DA COPA
Não fiquei decepcionado. Só de ter o nome entre os 30 inscritos para a Copa do Mundo eu já senti uma parte do sonho sendo realizada. Eu sabia que era difícil chegar à Copa porque o grupo já estava praticamente fechado quando eu cheguei. Mas o sonho não acabou. Quero voltar à Seleção e acompanho sempre as convocações.
100 JOGOS
É uma marca muito importante na minha vida. Eu sempre digo que tenho mais alegrias do que tristezas no Atlético. É o clube que mudou a minha vida, me recuperou e acreditou em mim. Sou ídolo de uma torcida fanática e não tenho nem como agradecer ao presidente, aos jogadores, funcionários e, principalmente, ao torcedor que nunca me abandonou. Não penso em ir embora, mas sei que uma hora vai acontecer e quando esse dia chegar, e eu espero que demore, sei que vou deixar saudade e as portas abertas.
IDENTIFICAÇÃO COM O GALO
Hoje eu sou identificado como Diego Tardelli do Atlético e isso me dá muito orgulho. No São Paulo eu era mais um, porque tinha o Rogério Ceni, no Flamengo, também já existiam os ídolos e aqui é diferente. Hoje eu me acho um ídolo, apesar de não ter conquistado um título importante pelo Atlético ainda. Obina e Renan Ribeiro também estão indo para o mesmo caminho.
2009 ESPETACULAR
Eu tinha minhas metas, estava querendo muito, o Atlético me deu a oportunidade e vi que havia perdido muito tempo da minha carreira profissional com atos de imaturidade. Tive confiança de todos, fiz muitos gols e terminei o ano recebendo prêmios.
2010 FRUSTRANTE
Eu queria bem mais em 2010. A responsabilidade e a pressão foram muito maiores pelo que eu fiz em 2009, mas aqui no Atlético eu nunca abaixei a cabeça. Sempre procuro fazer o meu melhor. Comecei bem o ano, no Brasileirão tive uma queda e as lesões me atrapalharam. Até conversei com os médicos que isso foi em decorrência do grande desgaste de 2009. Mas quero ajudar o Atlético nesta reta final. É nestes momentos que os grandes jogadores aparecem e vou dar a volta por cima.
CAMPANHA RUIM
A gente já tinha o grupo montado desde o ano passado, nos conhecíamos, treinávamos sempre juntos e a saída de jogadores como Correa, Marques, Jonilson e Carlos Alberto deixou o grupo muito triste porque gostávamos muito deles. Tínhamos prazer de correr pelo outro. Nos abalou muito e talvez por isso estejamos nesta situação difícil hoje.
LUXEMBURGO
Sempre tive o sonho de trabalhar com ele, mas acabou não dando certo. Eu esperava me dar muito bem com ele e ser até melhor do que em 2009. Até hoje me pergunto como ele não acertou aqui. O grupo era muito jovem e talvez pelo jeito dele de pegar no pé, deixou muitos jogadores acanhados e não sabíamos como perguntar as coisas sem saber qual tipo de resposta viria dele. Faltou ao Vanderlei ser mais amigo do grupo, ter mais carinho, o que estamos tendo com Dorival.
DUPLAS DE ATAQUE
Eu destaco a parceria com Eder Luis. O ano passado foi fantástico para nós dois e ele é outro jogador que faz muita falta. Gostei muito de jogar com Muriqui também. Obina eu gosto muito dele, é um amigo e dentro de campo uma referência. São poucos jogadores que conseguem fazer a função dele. Além de tudo é muito engraçado e querido pelo grupo.
META NO GALO
Quero ser campeão brasileiro pelo Atlético. Vi o que é ser campeão pelo clube no Mineiro deste ano e até arrepio de lembrar. E eu sei que é possível alcançar esse objetivo no ano que vem. Com o elenco e treinador que temos, vamos sair desta situação ruim atual e ganhar títulos em 2011. Ainda estamos vivos na Sul-Americana e quero colocar o Atlético numa Libertadores. Com a torcida que nós temos, não podemos ficar fora de competições importantes e precisamos ganhar títulos.
SUPERSTIÇÃO
Eu sou supersticioso. Minha esposa fala que os anos ímpares me dão sorte. Em 2003 virei profissional, 2005 ganhei Libertadores, 2007 Brasileiro, 2009 fiz muitos gols, portanto, que chegue logo 2011. Se me colocam um fato positivo na cabeça, eu acredito muito que acontece.
FAMÍLIA
A família é fundamental. Mãe, pai, avó e hoje o dia a dia é com a minha esposa, Linda, e minha filha, Pietra, que estão sempre do meu lado. Nas derrotas, é a família que abre um sorriso para você e te levanta. São oito anos que estou com minha esposa, o casamento me deixou mais maduro e o nascimento da minha filha mudou meus pensamentos. Me segurei mais e estou mais concentrado. Tudo o que eu faço hoje, penso nela.
BALADAS
Fiquei muito triste quando começaram a falar que eu estava abusando de baladas. Em 2009, quando eu estava fazendo gols, saía para comemorar as vitórias e agora algumas pessoas confundiram isso com os maus resultados. Quando vou mal, falam que eu sou baladeiro. E na época eu pedi mais respeito. No passado, pela imaturidade, em outros clubes eu já fui da noite, cheguei atrasado em treinos, mas hoje eu sei o momento certo de sair para balada. Na derrota ninguém vai me ver na noite. Gosto de sair, receber amigos em casa e tenho limites.
SUCESSOR DE MARQUES
Marques teve muitos anos de Atlético, é rei em Minas Gerais, mas eu quero chegar perto do que ele é e talvez exista tempo para isso pela minha idade. Tenho até uma possibilidade de conquistar títulos que, infelizmente, ele não conquistou. Quero entrar para a História do Atlético. Eu tenho muito orgulho de ter jogado e feito uma amizade de família com Marques. Chorei muito quando na preleção na final do Mineiro ele chorou e disse que poderia ser a despedida dele. No momento em que ele saiu do grupo, todos sentiram muito e ficaram tristes.
RECADO PARA A MASSA
Que a torcida continue acreditando em mim, em breve estaremos numa situação mais confortável no Brasileiro e espero que em 2011 o Atlético volte a ser como foi em 2009, com a torcida lotando o estádio, só que conquistando títulos importantes. Nossa história vai mudar. Sofremos muito esse ano, mas no próximo vamos ser vencedores. Acreditem em mim, continuem me dando força, porque eu nunca vou decepcionar a Massa Atleticana.
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