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Exclamações do Editor: Uma nova CBF


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Prometemos publicar neste domingo as nossas ideias e dos leitores para uma entidade que realmente trabalhe para o desenvolvimento do futebol no nosso país em todos os níveis. Que se ocupe da Seleção e não de organizar competições, impedindo que os clubes tomem conta de seus destinos. As nossas propostas têm sido objeto de diversas exclamações por aqui, mas vamos sintetizar em:

1.  Mudança estatutária para que a CBF só possa gastar até 50% de suas receitas no seu custeio. Isto pode disponibilizar mais de R$ 250 milhões por ano para investimentos para reposicionar o Brasil no topo do fut mundial, segundo as linhas abaixo.

A) Conhecimento: promover um calendário de cursos de formação de treinadores, financiando uma academia permanente de estudos do futebol, com objetivo de prover o acesso aos profissionais do país ao que houver de mais avançado no mundo. Esses cursos devem valorizar o conhecimento que já existe no país, assim como importar os melhores treinadores do mundo, Guardiola, Mourinho, Del Bosque, entre outros destaques, para dar aulas e seminários por aqui. Dar incentivos para a produção de pesquisa de alto nível no intuito de colocar o Brasil como referência no assunto.

Aulas e seminários com Guardiola seriam de grande valor para técnicos brasileiros (Foto: Josep Lago/AFP)

B) Prática na base: financiar a construção de campos de qualidade, como fez a Alemanha, espalhados pelo país, em parcerias com seus próprios patrocinadores e com prefeituras, que teriam a gestão desses centros de prática. Assim, podemos repor em muitos centros os espaços que foram perdidos ao longo dos anos devido à valorização imobiliária nas cidades.

C) Criação de um fundo de investimento para os clubes: anualmente, um mínimo de R$ 100 milhões seriam destinados a um fundo que serviria para financiar os clubes em suas necessidades de capital para acelerarmos a melhoria da qualidade do futebol jogado no país e multiplicar a capacidade dos nossos clu-bes de revelar jogadores. Seria comoum fundo de fomento e teria um comitê de investimentos com um banco de fomento, emprestando recursos em prazo de até 10 anos e a taxas de juros usando a TJLP (taxa de juros de longo prazo) como referencial. Assim, um CT poderia ser objeto de financiamento pela CBF, assim como uma reforma num estádio ou a instalação de equipamentos de segurança para prevenir acidentes e atos de violência que tanto mal fazem ao esporte.

2 - Mudança do calendário, adaptando o nosso ao que vigora no mundo desenvolvido, que é paralisado para os grandes eventos internacionais, como Copa do Mundo, Olimpíadas e copas regionais (Copa América e Eurocopa, por exemplo). Assim, os clubes vão poder expandir sua atuação participando de torneios e pré-temporada junto com os maiores times do mundo. Os torneios estaduais devem ser jogados durante todo o ano, com os maiores clubes entrando numa fase final que dure no máximo seis semanas.

Corinthians enfrentou o Bayer Leverkusen (ALE) em torneio amistoso nos EUA, no começo deste ano. É importante um calendário que permita maior integração entre nossos grandes clubes e os grandes clubes do exterior (Foto: Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians)

3 - Exigir que federações filiadas mudem seus estatutos para que o colégio eleitoral tenha somente clubes de prática profissional, com voto qualitativo. Também devem ter direito a voto e voz nas assembléias os atletas, árbitros e treinadores até um limite de 20% de peso. Permitida somente uma reeleição.

4 - Nas eleições da CBF, também somente uma reeleição permitida e todos os clubes que disputam suas competições regulares tenham voto, também qualitativo, em função da Série que disputam. Direito a voto e voz nas assembléias concedido a atletas, árbitros e treinadores, também até o limite de 20% de peso. A entidade precisa ser totalmente profissionalizada, com uma gestão comprometida com a eficiência e os resultados de um plano estratégico conhecido e com objetivos tornados públicos.

5 - Esta nova CBF não deve criar entrave algum à criação de ligas profissionais de clubes, de forma que estas se tornem as organizadoras das competições profissionais, como o Brasileiro e a Copa do Brasil.

6 - A CBF deve representar somente os interesses da Seleção Brasileira e dos clubes nas suas relações com a Conmebol. A corrupção e interesses políticos rasteiros que regem as relações precisam acabar e uma revolução precisa ser imposta à Conmebol pela liderança brasileira aliada aos que se juntarem a nós. Esta nova CBF precisa dar um basta nos enormes prejuízos causados aos nosso clubes e atletas pelas condições econômicas e esportivas ridículas que são oferecidas na Libertadores e Sul-Americana. As empresas que compram e exibem os jogos precisam ser chamadas a trabalhar junto para elevar o nível destas competições ao patamar do potencial do futebol da região.

Claro que poderíamos nos alongar, seja entrando em aspectos como segurança nos estádios, combate à pirataria, ou detalhando melhor as medidas resumidamente descritas acima. Sempre será possível se acusar de ingenuidade ou de irrealismo, mas as grandes obras são compostas de sonhos e determinação a fazer o impossível se mostrar possível, não é? Tomara que a tsunami que vem se alastrando a partir da ação do FBI há duas semanas possibilite uma verdadeira mudança e não mais maquiagem para que os mesmos sigam se apropriando e nos roubando de nossa paixão maior!

LEITORES:

Entre os muitos que enviaram suas ideias destacamos:

Ronsard Silva pede voto para torcedores e que se acabe com a ação dos empresários no futebol.

Pedro Luiz Conceição, ex-diretor do Santos, quer que a CBF só cuide da Seleção e seja 100% transparente, mandando um firme recado para a Conmebol para a melhora da organização das suas competições.

Rodrigo Otavio, de Guaratinguetá, defende o calendário europeu, estaduais como Copa do Mundo, em 30 dias, e o Brasileiro com 16 ou no máximo 18 clubes.

Os torcedores sabem muito bem as soluções necessárias, que seriam também as dos homens de bem. Não as adotamos ainda em função dos milhõe$ de outros motivos!

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