Cinquentões competem no Parapan de Toronto na contramão de tendência
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Enquanto o esporte paralímpico segue a tendência de se tornar cada vez mais profissional, com recordes mundiais que ameaçam até mesmo alguns medalhões olímpicos, a presença de competidores com mais de 50 anos ainda chama atenção. Nos Jogos Parapan-Americanos de Toronto (CAN), 51 dos 1.608 atletas (cerca de 3%) já ultrapassaram a barreira.
A principal razão para o fato apontada por especialistas é a baixa disponibilidade de esportistas em muitas classes, o que dificulta o processo de renovação. A modalidade que mais apresenta nomes acima da faixa dos 50 é o tênis de mesa (15). Os Estados Unidos são o país que mais levou atletas na categoria (13). O Brasil têm quatro.
– A tendência é a idade diminuir. Hoje, no alto rendimento, o risco de lesões é grande – disse Roberto Vital, coordenador médico do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB).
A realidade apontada por Vital já é nítida no Brasil. No Parapan de Guadalajara (MEX), em 2011, a delegação contou com um número maior de esportistas nessa faixa. Devido à falta de informações no site oficial do evento, não é possível saber precisamente quantos estavam nela. Mas o LANCE! contabilizou pelo menos 11.
Em Toronto, os quatro brazucas com mais de 50 anos são os mesatenistas Luiz Medina (64), da classe 6, e Maria Luiza Passos (64), da 4, a francesa naturalizada Patricia Layolle (58), da classe Standing do tiro com arco, e Elizabeth Gomes (50), que compete na F54 do atletismo.
Não existe limite de idade para se competir no esporte paralímpico. Um dos líberos da seleção masculina de vôlei sentado dos Estados Unidos, Hugo Storer, de 51 anos, vai jogar sua quinta Paralimpíada no Rio antes de parar. Ele, que teve de amputar a perna direita após um atropelamento, conta a receita:
– Sou disciplinado. Não fumo, não bebo e treino todos os dias, como os mais novos – afirmou.
A atleta mais velha do Parapan é a americana Cynthia Ranii, do tênis de mesa, aos 68 anos.
Com a palavra
Esporte de alto rendimento eleva os riscos
Roberto Vital
Coordenador médico do CPB
Atualmente, o cuidado médico é igual para todos os atletas, sejam olímpicos ou paralímpicos. Antigamente, o esporte era sinônimo de saúde, mas, agora, com o alto rendimento, eles estão mais sujeitos a lesões. Quem quer atingir o alto nível tem de treinar, senão não ganha.
A idade é uma preocupação nossa, por isso realizamos as prevenções. Todos têm de fazer os exames de rotina e de pré-participação, desde bateria de esforços em laboratório para detectar alterações a exames de sangue, urina, fezes e clínico, pois temos de adequá-los ao tipo da deficiência que têm. No olímpico, a maioria conta com genética gerdada, enquanto no paralímpico, muitas vezes, o cara começa a praticar após acidentes.
A longevidade no paralímpico é maior porque há menos competiores, e aqueles com lesões graves existem em menor quantidade. Mas a tendência é que haja cada vez menos atletas com idade alta.
Em algumas modalidades, como o atletismo, em que a exigência física é grande, há provas com resultados praticamente iguais aos olímpicos. O potencial aumenta, e os tempos diminuem. No futebol de cinco (para cegos), eles precisam ter a habilidade nata para não correrem o risco de se chocar com os rivais.
ONDE HÁ MAIS 'VETERANOS'
Estados Unidos
O país é o que mais tem atletas acima de 50 anos (13): Todd Key (ciclismo de estrada, 54), Hugo Storer (vôlei sentado, 51), Curtis Lovejoys (natação, 58), Michael Godfray (tênis de mesa, 51), Jennifer Johnson (tênis de mesa, 66), Natalie Wells (tiro com arco, 51), Min Chui (tênis de mesa, 67), Martha Chavez (tiro com arco, 51), Cynthia Ranii (tênis de mesa, 68), Stuart Caplin (tênis de mesa, 65), Sebastian de Francesco (tênis de mesa, 61), Tara Profitt (tênis de mesa, 50) e Pamela Fontaine (tênis de mesa, 50).
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México
Tem sete acima dos 50: Catalína Vichis (halterofilismo, 51), Javier Trueba (bocha, 53), Luisa Moralles (ciclismo estrada, 59), Rosa Vera (basquete em cadeira de rodas, 50), Jose Antonio Baez (tiro com arco, 53), Jose Diaz (bocha, 52) e Salvador Hernandez (atletismo, 52).
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Canadá
Tem seis nomes: Dave Marchand (vôlei sentado, 50), Stephanie Chan (tênis de mesa, 58), Nicole Clermont (ciclismo de estrada, 53), Alec Denys (tiro com arco, 64), Kevin Evans (tiro com arco, 52) e Bruno Garneau (bocha, 54).
* O repórter viaja a convite do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB)
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