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Caio Ribeiro, o 'gringo' vencedor da paracanoagem brasileira


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Primeiro brasileiro campeão mundial na canoa, o paracanoísta Caio Ribeiro, de 27 anos, iniciou sua trajetória na modalidade da mesma maneira que aprendeu o português: sozinho. Por ser autodidata, o carioca, que cresceu e foi alfabetizado nos Estados Unidos, não precisou de ajuda de professores para os dois desafios. Foi tudo baseado no seu próprio esforço.

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Nascido no Rio de Janeiro, Caio se mudou para os Estados Unidos com 5 anos, por conta da violência – perdeu o pai. Os detalhes do crime, ele prefere não saber. Foi morar com a mãe e o tio João Luiz Ribeiro, primeiro brasileiro a representar o país na ginástica artística em Olimpíadas (em Moscou-1980).

– Fui alfabetizado em inglês. Quando voltei para o Brasil, aos 19 anos, estudei sozinho o português. No início, meu apelido era "gringo" porque não sabia falar, ler e escrever. Com a ajuda de livros e fitas, aprendi. Foi difícil e ainda prefiro o inglês. Às vezes, fico envergonhado pois esqueço palavras ou falo algo errado – disse Caio, que já foi confundido com o ex-jogador de futebol e hoje comentarista Caio Ribeiro.

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A volta para o Brasil aconteceu em 2005 por dois motivos. Primeiro, por conta da doença do avô paterno, que acabou falecendo. Segundo, porque tinha o desejo de conhecer seu país de nascimento. Principalmente para desmistificar preconceitos.
Durante seus anos de estudo em colégios americanos, Caio ouvia que o Brasil não tinha carro e shopping centers, e que havia cavalo para todos os lados. Ele até pensou que isso fosse verdade quando desembarcou no Aeroporto Tom Jobim e se deparou com a Favela da Maré:

– A primeira coisa que eu vi foram cavalos na rua. Será que era aquilo mesmo que falavam nos Estados Unidos? Mas depois vi que não era. É tudo preconceito – falou, ao L!

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O fato de ser autodidata fez o jovem crescer no trabalho. De motorista do vice-presidente de um estaleiro na cidade de Angra dos Reis, ele mudaria para outro cargo. Mas, no dia 3 de julho de 2011, sofreu um acidente de moto no Rio de Janeiro e teve de amputar a perna esquerda. Com isso, deixou o emprego.

Aos 25 anos, ficou com o psicológico abalado. Teve de deixar, também, o judô e outros esportes que gostava de praticar. O período difícil durou até novembro quando, durante a fisioterapia, recebeu a dica de um amigo para tentar a paracanoagem.

Caio aceitou a indicação e gostou. Apesar dos resultados ruins no início, não desistiu. E a perseverança rendeu o título na canoa no Campeonato Mundial, no fim de agosto, na Alemanha. Até então, o Brasil havia vencido apenas no caiaque, com o ex-BBB Fernando Fernandes:

– A paracanoagem me trouxe a liberdade de estar na água, com o domínio da embarcação. Eu me sinto livre com a sensação de aventura e adrenalina da canoa – afirmou Caio.

Caio já sonha com 2016

Enquanto estuda sozinho, e pensa em cursar Administração ou Engenharia Mecânica, Caio vive somente do esporte. Seu principal foco é a Paralimpíada Rio-2016, em que a paracanoagem irá estrear.

– Já penso em como será o clima, a torcida. Em ganhar uma medalha, ouvir o hino. No Mundial, foi maravilhoso. Naqueles poucos segundos no pódio, passou a minha vida toda pela cabeça – afirmou.

Há quatro meses, Caio entrou para o Time Rio Paralímpico, uma equipe de atletas custeada pela prefeitura do Rio. Com estrutura de treino e profissionais, espera manter o bom nível nas competições.

– Quando você se dedica, consegue os resultados. O céu é o limite. Se pudesse, eu me juntava à Nasa e dava a volta pelo espaço.


QUEM É:

Nome:
Caio Ribeiro.

Nascimento:
17/2/1986, no Rio de Janeiro (RJ).

Esporte:
Paracanoagem (canoa). Era judoca antes de sofrer o acidente.

Classe:
LTA (atleta utiliza braços, tronco e pernas para auxiliar na remada).

Título:
Campeão mundial no V1 masculino LTA, em Duisburg (ALE), no fim de agosto. Foi o primeiro ouro da canoa brazuca.


A paracanoagem:

Competição
São dois tipos de barcos: caiaques, identificados pela letra K, e as canoas havaianas, também conhecidas como Va'a, identificadas pela letra V. A raia é demarcada por boias, em linha reta, com 200m de extensão. Existem provas masculinas e femininas, com disputas individuais e mistas (dois atletas).

Classificação funcional
LTA (atleta utiliza braços, tronco e pernas para auxiliar na remada); TA (atleta utiliza apenas o tronco e os braços); e A (atleta só pode utilizar o movimento dos braços).

Rio-2016
Será a estreia da modalidade.

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