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Balanço do Vaivém: Déficit inglês é maior que compras de outros países


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Esta última janela de transferências, que se encerrou nos principais países europeus na segunda-feira, colocou a Inglaterra novamente como o país mais gastador. Principalmente com os impulsos de clubes como Tottenham, Arsenal, Manchester City e Chelsea. Porém, o que mais se destaca é o saldo. O tamanho do déficit na Premier League é maior do que os outros campeonatos gastaram.

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A diferença entre dinheiro que entrou e saiu na Inglaterra durante este período é gigante. Os clubes, juntos, gastaram R$ 2,4 bilhões, e arrecadaram "apenas" R$ 865 milhões. O que significa uma perda no valor de R$ 1,54 bilhão. Nenhum outro país gastou a fortuna que está apenas neste déficit. O que chega mais próximo é o Campeonato Italiano, que investiu R$ 1,28 bilhão.

Por falar na Itália, o calcio é o país que alcançou o balanço mais próximo entre compras e vendas. Entraram nos cofres dos clubes R$ 1,29 bilhão, deixando um saldo de R$ 9,7 milhões.

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Outros países que saíram no azul foram os ibéricos, sendo que a Espanha movimentou bem mais grana, principalmente graças ao Real Madrid, que vendeu e comprou bastante, sempre com cifras astronômicas. No total, um saldo positivo de R$ 319,3 milhões. Em Portugal foi aonde teve menos movimento, e como o Porto vendeu bem os seus craques João Moutinho e James Rodríguez, o país conseguiu um lucro de R$ 225,7 milhões.

Impulsionados pelos magnatas, a França ficou no déficit. Paris Saint-Germain e Monaco estão entre os clubes que mais gastaram, e nenhum francês está entre os que melhor venderam. Isso reflete no déficit de R$ 470 milhões. Com uma economia bem mais forte, a Alemanha se deu ao luxo de ficar no vermelho: R$ 184 milhões.

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Veja o balanço de cada país*:
Campeonato Inglês:
Compras: R$ 2,4 bilhões
Vendas: R$ 865,6 milhões
Saldo: - R$ 1,54 bilhão

Campeonato Italiano:
Compras: R$ 1,28 bilhão
Vendas: R$ 1,29 bilhão
Saldo: R$ 9,7 milhões

Campeonato Espanhol:
Compras: R$ 1,22 bilhão
Vendas: R$ 1,54 bilhão
Saldo: R$ 319 milhões

Campeonato Francês:
Compras: R$ 1,19 bilhão
Vendas: R$ 720 milhões
Saldo: - R$ 470,5 milhões

Campeonato Alemão:
Compras: R$ 827 milhões
Vendas: R$ 642,8 milhões
Saldo: - R$ 184,5 milhões

Campeonato Português:
Compras: R$ 226,3 milhões
Vendas: R$ 452 milhões
Saldo: R$ 225,7 milhões

*números do Transfermarkt

Camilo Lourenço
Economista português, especialista em futebol internacional

Acho que essas compras não têm nada a ver com o equilíbrio econômico da Europa. Ou seja, não é a recuperação europeia, que ainda é muito incipiente, que está a ditar essas compras. O que está a ditá-las são dois fatores. Um deles é a capacidade financeira dos clubes top da Europa, nomeadamente, Real Madrid, Arsenal, Milan e agora, cada vez mais, os clubes alemães.

Portanto, se formos contabilizar a grande maioria das contratações feitas nos últimos dois meses elas aconteceram essencialmente onde? Nos clubes do topo do Football Money League, que a Deloitte normalmente publica. Ou seja, isso mostra que esses clubes têm não só arcabouço financeiro para fazer essas contratações mas também contratos comerciais negociados com marcas que lhe permitem uma receita elevada todos os anos. Receita esta que se soma à receita de bilheteria e, portanto, podem fazer esses tipos de contratações.

A questão básica é saber o que vai acontecer a partir de agora. Eu tenho sérias dúvidas se os clubes vão recuperar o investimento feito. Acho que houve uma loucura nas contratações desse período. Por exemplo, como o Arsenal vai recuperar 50 milhões de euros investidos no Ozil? Ele não é um sex symbol, como o David Beckham e o Cristiano Ronaldo, que fazem movimentar multidões não só por seu futebol, mas também por sua imagem, pelo marketing. Portanto, é muito difícil essa rentabilização.

O regresso do Kaká ao Milan é um caso diferente. Kaká vai receber menos da metade do que recebia no Real Madrid. Isso faz sentido. Já nos casos do Arsenal e do Real Madrid isso não faz o menor sentido.

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