Bahia aposta em união entre paixão e planejamento para obter acesso
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Aos olhos do Bahia, o futebol vai muito além da ideia de "coração no bico da chuteira". Pontuando sua campanha na Série B pela união entre paixão e planejamento, o clube conta com o trabalho do coach Lulinha Tavares. Contratado desde o início da competição, ele é responsável por traçar as metas nos gramados, ao mesmo tempo que auxilia atletas, comissão técnica e diretoria a lidar com a emoção habitual do futebol. Em campo, o resultado vem trazendo bons frutos: o Tricolor baiano está no G4, e enfrentará o líder Botafogo, neste sábado, às 16h30, na Fonte Nova, com status de rival direto.
Desbravador do coaching esportivo no Brasil, Lulinha já se destacou como "bombeiro" em alguns clubes. Seus serviços ajudaram o "Time de Guerreiros" do Fluminense a dar uma arrancada e sair do rebaixamento em 2009, e o Flamengo em 2013. Pela primeira vez acompanhando um clube por toda a competição, o coach esportivo revelou, em entrevista ao LANCE!, que a busca por planejamento vai muito além dos resultados em campo:
- Um clube não precisa estar em conflito e pressão para saber lidar com suas situações. O processo de melhora continua, e podemos lidar com outras situações que façam parte do panorama atual da equipe - afirmou Lulinha, que tem contrato com o Bahia até o final do ano.
O coach esportivo detalhou algumas situações com as quais conviveu no Tricolor baiano durante a Série B:
- O Bahia é uma torcida muito sofrida e, mesmo já sendo campeão baiano este ano, convive com uma pressão constante. E hoje, talvez tenha 50% de seu elenco formado por atletas da base, com os quais lidamos para que todos trouxessem bons resultados. Recentemente, tivemos o caso do Ávine, que ficou por três anos sem entrar em campo. Fizemos um trabalho e, além do retorno aos gramados, ele jogou bem, e se tornou importante para o restante da competição - declarou, com a experiência de quem também atende individualmente atletas, como ocorreu com o campeão do mundo em 2002, Lúcio, além do goleiro Paulo Victor e o atacante Marcelo Cirino, ambos do Flamengo, o meia do Botafogo, Daniel Carvalho, e o zagueiro vascaíno Luan.

Lulinha trabalhou como 'bombeiro' na dupla Fla-Flu, e auxiliou jogadores de futebol (Foto: Divulgação)
De acordo com Lulinha, o trabalho se estende à cúpula do Bahia, para onde foi a convite do diretor de futebol Alexandre Faria. O clube atualmente é presidido por Marcelo Sant'Anna, um jornalista.
- O presidente do Bahia vem com um lado corporativo. Trabalhamos para que ele aja de forma a respeitar os processos do futebol e, especialmente, a saber que as coisas não devem ser decididas pelo controle emocional. Por mais que o futebol envolva paixão, as decisões devem ser tomadas de maneira profissional.
Lulinha descarta o rótulo de "motivador". Segundo ele, nada pode ser feito sem planejamento:
- Foi criada a ideia de que existe um "guru" ou uma solução mágica para tornar um clube ou uma seleção vencedora. Mas os resultados não vêm por acaso. O planejamento, ou falta de planejamento, refletem muito dentro de campo. Por isto, é preciso traçar metas, cumprir, e ver se está no caminho certo. Os resultados são consequências.
Com o olhar de especialista, Lulinha adianta o que os torcedores podem esperar do Bahia na sequência da Série B e durante a Copa Sul-Americana:
- O Bahia é um clube com planejamento, e preparado para as adversidades que venham a acontecer. Trata-se de um clube que está dentro da sua realidade, com ajuste e controle nas mãos. Estão todos cientes de que é altamente possível conseguir os objetivos, e há uma maratona até o final da Série B.
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