Artista em Olinda, uruguaio não liga para seleção durante a Copa
- Matéria
- Mais Notícias
Em uma casa ao lado do Consulado Uruguaio, em Olinda (PE), um senhor observa a rua com olhar desconfiado. A bandeira ao lado revela as origens, mas não dá pistas de um homem viajado pelo mundo, fã de artes e livros, indiferente ao futebol.
Cipriano Carballo Sánchez, artista plástico de 75 anos, convidou a reportagem do LANCE!Net para subir e conhecer seu atelier, que divide espaço com o restaurante do sócio. O uruguaio logo avisou que não seria a personagem ideal para a Copa das Confederações.
– Você quer que eu fale que estou empolgado com a seleção em Recife? (risos) – indagou, antes de revelar:
– Não ligo para futebol. Se o Uruguai vencer a Copa, vai levantar uma taça. Ótimo! (risos). Os jogos são muito longe de Olinda, eu sou preguiçoso... Eu assistia aos jogos de futebol no passado, era torcedor do Peñarol. Só ontem (terça-feira) soube que o time acabou de ser campeão uruguaio, porque me mostraram no jornal – afirmou, dando a certeza de que não estará no duelo Uruguai x Espanha no próximo domingo, pela estreia no torneio, na Arena Pernambuco.
Sánchez deixou o Uruguai há 45 anos, mas esteve recentemente em Montevidéu para comemorar os 80 anos da irmã. Ele reclama que já havia programado uma viagem para México e Peru, mas acabou convencido. Os laços com o Uruguai, apesar das bandeiras em seu estabelecimento, não são significativos...
– Em algum lugar eu tinha de nascer. Sou uruguaio por culpa da minha mãe – brincou.
Nascido em Fraile Muerto (URU), cidade de pouco mais de 3 mil habitantes do Nordeste do Uruguai, o senhor já morou em São Paulo, Salvador, Amsterdam... O lugar preferido é o atual, Olinda, onde vive pela segunda vez. Antes, ele administrava um hotel em Gaibu, praia do município de Santo Agostinho (PE), que vendeu para um empresário espanhol.
– Olinda é um lugar culturalmente muito interessante, com pessoas interessantes. Tem muitos artistas. A vida é muito boa, eu gosto de viver. Dou valor à amizade, graças a Deus tive bons amigos – disse.
O espaço de Sánchez também abriga obras do artista. Ele já as expôs na França, Holanda e no próprio Uruguai. A primeira exposição foi em 1968, em Montevidéu e a última, em Olinda, em 2009.
Após um bate-papo agradável, o artista explica o nome do atelier: "Lautréamont". Segundo ele, é uma homenagem ao Conde de Lautréamont, pseudônimo de Isidore Lucien Ducasse, poeta uruguaio que vivia na França e morreu aos 24 anos.
Com quatro horas de atraso, seleção uruguaia desembarca em Recife
- Matéria
- Mais Notícias















