América-RJ: crise sem fim nos últimos anos
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Há três anos, era quase inimaginável que o América viria a cair, mas aconteceu. Com o título da Série B e o retorno à elite do Carioca, dizia-se que um clube de tradição pode cair uma vez, mas não duas. O drama se repetiu após o empate em 1 a 1 com o Macaé, no último sábado.
Foi feito um desmanche no elenco responsável pelo fiasco na Taça Guanabara, quando venceu apenas na quinta partida e terminou o primeiro turno com uma impiedosa derrota por 9 a 0 para o Vasco.
Apesar de algumas boas atuações, pesou para o resultado final o fato de muitos dos jogadores do "novo América" estarem há muito tempo sem jogar, o que foi ressaltado pelo técnico Marcelo Buarque: Sem verba, a diretoria teve de contratar a custo zero para o Estadual. Além do desmanche no elenco para a Taça Rio, foram três trocas de técnico só no Estadual – Gilson Gênio, Lulinha, Ademar Braga e Marcelo Buarque comandaram o time.
A queda do presidente Ulisses Salgado com o Carioca em andamento completa a crise que veio a culminar na segunda queda em três anos.
Procurado pelo LANCENET!, Ulisses recusou-se a comentar sobre a influência de sua gestão na campanha do time.
Buarque assume a culpa:
A três rodadas do fim do Estadual, Marcelo Buarque aceitou a missão de salvar o América. Mas encontrou atletas sem ritmo de jogo. Para ele, isso foi determinante na campanha: – Não adianta trazer atletas que estão há muito tempo sem jogar, o que era o caso demuitos lá. Sem dúvidas, o tempo de inatividade pesou.
Em entrevista ao LANCENET!, ele assume a responsabilidade pelo resultado: – Se há um culpado, sou eu, que caí com o time, e não os outros treinadores que passaram por lá.
A queda em detalhes:
Falta de verba para contratar:
O América teve de fazer peneiras e contratar jogadores a custo zero para formar o seu elenco para 2011.
Ausência de investidores:
Sem um patrocínio forte, ídolos como Edu Coimbra e Romário tiraram dinheiro dos seus bolsos para bancar salários de atletas e funcionários.
Desmanche no elenco:
A diretoria dispensou 15 jogadores e montou um novo grupo para a Taça Rio. Porém, muitos dos que vieram, não jogavam há muito tempo e o novo time não deu liga.
Trocas de comando:
Quatro técnicos no Estadual: Gilson Gênio, Lulinha, Ademar Braga e Marcelo Buarque.
Troca na presidência:
Ulisses Salgado deixou o cargo. Vinicius Cordeiro assumiu.
Bate-bola com Edu Coimbra, ex-jogador, técnico e diretor do América
1-Que sentimento fica após mais um rebaixamento?
Edu: Tristeza, por tudo que fiz pelo clube, mas pode ser bom para dar uma mexida. Conseguimos tudo sem patrocínio e fizemos tudo que podíamos dentro de nossas limitações.
2-Que aspectos determinaram essa nova queda?
Edu: Enquanto estive lá esse ano, o problema foi dinheiro, coisa que o clube não tem. Todos os profissionais (técnicos, jogadores, comissão) que passaram por lá não receberam nada até agora. Como um clube assim pode ir bem?
3-Ficou alguma mágoa com sua saída do clube?
Edu: Falei que, se o América caísse, não subiria mais, mas isso, se mantivesse a administração. Claro que vai voltar. Apesar da gratidão que tenho pelo clube, não dependo só do América. Posso sim voltar lá, mas não como colaborador, botando dinheiro do meu bolso, como estava fazendo.
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