Pelé fez sua estreia e primeiro gol pelo Santos no dia 7 de setembro; relembre
Amistoso marcou o pontapé inicial na carreira do Rei do Futebol

No feriado de 7 de setembro de 1956, em uma sexta-feira à tarde, Edson Arantes do Nascimento, que o mundo conheceria como Pelé, fez sua primeira apresentação com a camisa do Santos. O amistoso foi disputado no Estádio Américo Guazzelli contra o Corinthians de Santo André, e terminou com vitória da equipe da baixada santista por 7 a 1.
Na primeira vez em que vestiu a camisa branca do Santos, levando o número 15 às costas, Pelé tinha apenas 15 anos, 10 meses e 15 dias de idade. Entre os companheiros mais experientes, era chamado de 'Gasolina', apelido que fazia referência à sua velocidade.
Ainda jovem e desconhecido, Pelé havia chegado ao clube vindo de Bauru em 23 de julho de 1956, em um domingo. Sua estreia na equipe principal ocorreu no jogo de número 1449 da história santista, um início que marcaria o ponto de partida para a trajetória destinada a brilhar com destaque em jornais do mundo inteiro.
A estreia do Rei
A imprensa destacava que o amistoso chegava em boa hora para recuperar o ânimo da equipe, que vinha de uma sequência negativa: dois empates por 2 a 2, na Vila Belmiro, diante de XV de Jaú e Nacional, além de uma derrota por 2 a 1 para o Flamengo, no Maracanã, em duelo entre os campeões paulista e carioca do ano anterior.
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O que ninguém poderia prever, no entanto, é que aquela partida se tornaria histórica por marcar a estreia de Pelé e também o início de sua impressionante coleção de 1.091 gols apenas com a camisa santista.
O técnico Luiz Alonso Perez, o Lula, mandou a campo a seguinte formação: Manga; Hélvio e Ivan (depois Cássio); Ramiro (Fioti), Urubatão e Zito (Feijó); Alfredinho (Dorval), Álvaro (Raimundinho), Del Vecchio (Pelé), Jair Rosa Pinto e Tite.
O Corinthians, que tem o apelido de Galo Preto da Vila Alzira, também chamado carinhosamente pelos seus adeptos de Corintinha jogou com Antoninho (depois Zaluar); Bugre e Chicão (Itamar); Mendes, Zico e Chanca; Vilmar, Cica, Teleco (Baiano), Rubens e Dore. O árbitro foi Emilio Ramos. A vitória deu ao Santos o troféu Independência, o primeiro ganho pelo Rei Pelé.
O confronto, realizado com presença de público e sob forte calor, teve controle absoluto da equipe santista, que impôs sua cadência desde o início e praticamente não permitiu que o "Galo da Vila Alzira" tivesse participação efetiva, tornando-se mero coadjuvante em campo.

Aos 33 minutos do primeiro tempo, o ponta-direita Alfredo Sampaio Filho, conhecido como Alfredinho Lambreta, atacante veloz nascido em Cascavel no Ceará e que havia chegado ao elenco alvinegro no ano anterior, abriu o marcador. Pouco depois, Emmanuelle Del Vecchio, artilheiro do Campeonato Paulista de 1955 com 22 gols, ampliou para 2 a 0. Em seguida, Álvaro José Rodrigues Valente, jogador do Guarujá, fez o terceiro aos 36 minutos. Antes do intervalo, Alfredinho voltou a balançar a rede, aos 44, deixando a vitória encaminhada com 4 a 0.
Na etapa final, Del Vecchio voltou a aparecer, anotando o quinto gol santista aos 16 minutos. A vantagem confortável levou o técnico Lula a lançar em campo um jovem de Bauru, indicado por Waldemar de Brito, que vinha chamando a atenção nos treinos na Vila Belmiro.
Tratava-se do atacante franzino apelidado de Gasolina, que não demonstrou nervosismo em sua primeira atuação entre os profissionais, encarando a marcação adversária com naturalidade. E foi aos 34 minutos da etapa complementar que o estreante deixou sua marca: recebeu a bola, finalizou e anotou o seu primeiro gol pelo Santos.
O gol de honra da equipe da casa saiu aos 39 minutos, com Vilmar diminuindo a diferença no marcador. Mas, pouco depois, aos 44, o experiente Jair Rosa Pinto, consagrado meia nascido em Quatis, no Rio de Janeiro, voltou a marcar e fechou a goleada em 7 a 1 para o time santista.
Personagens na história por Pelé
O goleiro do Corinthians, Zaluar Torres Rodrigues, orgulhava-se de ter sido o primeiro a sofrer um gol de Pelé. Tanto que mandou imprimir um cartão de visitas com a frase: "Zaluar – Gol do Rei Pelé – 001". Ele faleceu em outubro de 1995, aos 69 anos.
Já Antônio Schank, registrado na súmula como Chanca, anos depois relatou o lance de forma diferente da versão contada por Zaluar.
— No lance do gol, o Hélvio do Santos tirou de cabeça, a bola sobrou no meio-campo, dei o combate no Pelé, mas tomei o drible. Ele passou pelo Zico, pelo Dati, nosso defensor, e tocou na saída do Zaluar —.
*Com informações de Guilherme Guarche e Odir Cunha, do Centro de Memória do Santos FC

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