Maurine, jogadora do Santos e ex-Seleção

Maurine é um dos principais nomes das Sereias da Vila (Foto: Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Santos FC)

Bárbara Mendonça
01/12/2018
07:30
Rio de Janeiro (RJ)

Em 2009, uma goleada por 9 a 0 sobre o Universidad Autônoma (PAR). Em 2010, um gol no último minuto diante do Everton (CHI). E em 2018? Neste domingo, a partir das 21h30 (horário de Brasília), o Santos entra em campo diante do Huila (COL), na Arena da Amazônia, em busca do tricampeonato da Libertadores da América.

Presente no bicampeonato alvinegro e ex-companheira de atletas como Marta e Cristiane, Maurine é uma das principais referências do atual plantel das Sereias da Vila. Foi dos pés da camisa 4 que saiu o gol do último troféu continental paulista, contra as chilenas, há oito anos. Às vésperas da decisão, o LANCE! conversou com a lateral sobre as expectativas para o confronto diante do plantel colombiano.

- Não tem sensação melhor, é muito orgulho poder fazer parte dessa história. Fico muito feliz. Essa é minha terceira Libertadores e, se Deus quiser, vamos coroar o ano com um título. Acredito muito no trabalho que viemos fazendo. Tem tudo pra gente conquistar a Libertadores - disse à reportagem.

Santos bicampeão da Libertadores feminina em 2010
Maurine, no canto inferior direito, marcou gol que deu bi da Libertadores ao Santos (Foto: Divulgação/Santos FC)

E se Maurine poderia ser apontada como coadjuvante nos dois títulos do Santos, aos 22 anos, hoje o panorama mudou. Há uma responsabilidade maior em ser uma das mais experientes do grupo das Sereias? A lateral acha que não.

- Não sinto que a responsabilidade é maior, acho que somos um grupo em que todas são cobradas da mesma forma. Claro que nós mesmas temos que tentar ajudar da melhor forma a cada jogo. Não sinto como se só eu tivesse que carregar esse peso. O grupo todo mostrou que é capaz de chamar a responsabilidade para si e fazer uma boa final - completou.

Além da equipe da Vila Belmiro, a jogadora acumula passagens por Ferroviária e Flamengo. Porém, o coração bate mais forte ao falar do Santos, clube que 'marcou muito' a carreira de Maurine, de acordo com a própria. Após uma passagem de quatro anos no Peixe, ela deixou o clube rumo ao interior paulista em 2014, migrou para a Gávea em setembro de 2015 e retornou à equipe alvinegra em 2016.

- Foi um dos clubes em que mais tive títulos, isso pesou muito para o meu retorno. É um clube de que gosto muito, me sinto muito bem aqui. O Santos é uma equipe referência no nosso país. Temos carteira assinada, um clube que dá toda a estrutura para nós, alimentação, alojamento... Fora o apoio do pessoal em geral em tudo. Então é sim destaque no Brasil. (Torço) para que outras equipes possam seguir o exemplo - analisou a camisa 4.

Time feminino do Santos, comandado por Emily Lima
Maurine e a treinadora Emily Lima (Foto: Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Santos FC)

E o acaso quis que Maurine reencontrasse Emily Lima, atual comandante das Sereias da Vila e ex-técnica da Seleção Brasileira feminina. À época, a demissão da treinadora na Canarinho foi o estopim para que a lateral anunciasse sua aposentadoria do plantel nacional. O episódio, ela garante, foi precedido por uma série de descontentamentos com a CBF. 

- Deixei a Seleção por vários fatores extracampo cansativos, várias coisas prometidas e nunca cumpridas. Com a demissão da Emily, foi um passo maior para que eu tomasse essa decisão na carreira. Eu estava meio desmotivada quando a Emily chegou. Conversei, falei que já não queria mais estar lá e ela procurou me incentivar novamente. Foi isso que me manteve na Seleção. Ela nos ajuda muito com a modalidade, o desenvolvimento do futebol feminino. Ela não pensa em melhorias só no Santos, mas no esporte inteiro. É muito importante para nós - finalizou.

A grande final da Libertadores feminina acontece neste domingo, às 21h30 (horário de Brasília), entre Santos e Atlético Huila (COL). Na partida preliminar, às 19h (Brasília), Iranduba e Colo-Colo fazem a disputa pela medalha de bronze.