ANÁLISE: Base surge como solução para lesões e lacunas do Palmeiras no Paulistão
Alviverde assume a ponta do Paulistão com protagonismo dos jovens e vê elenco suprir carências em meio à escassez de reforços na janela

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Duas partidas do Palmeiras na temporada e duas vitórias com gols de jogadores formados nas categorias de base. Na estreia da equipe no Campeonato Paulista, Luighi marcou o único gol do triunfo sobre a Portuguesa. Já na noite da última quarta-feira (14), foi a vez de Allan decidir o Clássico da Saudade contra o Santos.
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Em meio a movimentações tímidas desde a abertura da janela de transferências e lacunas no elenco, o Palmeiras mais uma vez recorre às Crias da Academia para encontrar soluções. Prova disso foram os seis jogadores da base utilizados no duelo contra o Santos: dois deles titulares (Allan e Riquelme) e quatro acionados durante a segunda etapa.
Entre as posições mais carentes, a de primeiro volante se destaca. Aníbal Moreno deixou o clube ainda em dezembro rumo ao River Plate, enquanto Emiliano Martínez sofre para encontrar seu futebol desde que chegou à Academia de Futebol. A solução encontrada por Abel Ferreira foi a entrada de Luis Pacheco, de apenas 17 anos.
Diferente da maioria dos jogadores que fazem a transição para o profissional, Luis Pacheco "pulou" do sub-17 direto para o elenco principal a pedido da comissão técnica. Foram pouco mais de 30 minutos em campo na Arena Barueri, com três duelos ganhos, dois desarmes e nenhuma vez driblado durante o período.
Larson foi o escolhido para substituir o lesionado Andreas Pereira, que deixou o campo ainda nos minutos iniciais por dores no ombro. O jogador completou 17 de 21 passes com sucesso, sendo nove no campo adversário e três longos, demonstrando capacidade de ditar o ritmo da equipe em jogadas de progressão.
Riquelme Fillipi foi titular pela primeira vez pelo Palmeiras no ataque e permaneceu em campo por quase 80 minutos. Erick Belé completou a lista de jovens da base utilizados no clássico ao entrar do banco de reservas.
Ao mesmo tempo em que entregam rendimento e resultados em campo, os jovens são fundamentais para reforçar o orçamento do Palmeiras, acostumado a negociar seus destaques por altos valores para o futebol europeu. Exemplos recentes não faltam: ainda em 2025, Vitor Reis e Estêvão deixaram o clube em negociações recordes no cenário nacional.
Em trabalho conjunto entre a comissão técnica e o departamento de base, liderado pelo diretor JP Sampaio, o Palmeiras se tornou referência na revelação de jovens atletas. O trabalho é realizado a longo prazo no clube e gera frutos mesmo em meio à pressão imediata por resultados e títulos.
O bônus fica por conta da capacidade de retorno técnico dos jogadores e do lucro gerado por suas vendas, que ultrapassam a casa dos R$ 2 bilhões nos últimos anos. O ônus é o assédio de gigantes do exterior e a saída, muitas vezes precoce, de suas joias.
- Não é fácil estar em um clube com a exigência do Palmeiras, de apostar em jovens e lutar por títulos. É raro acontecer em clubes com a demanda do Palmeiras. Nos melhores da Europa, os jogadores são formados nos outros clubes e comprados para só dar rendimento. O treinador tem pouco o que ensinar e passar a mentalidade competitiva. Aqui temos um grande trabalho nisso - afirmou Abel Ferreira, em entrevista coletiva após vitória por 1 a 0 sobre o Santos, na Arena Barueri.
A comissão técnica, apesar de reconhecer a necessidade de contratar reforços pontuais para o restante da temporada, avalia que a chegada de novos nomes pode frear a ascensão de jogadores formados na base. Um dos exemplos citados por Abel foi Luis Pacheco.
Assim como citado em outras oportunidades, o Palmeiras não realizará nova reformulação no elenco e aposta em jogadores prontos para reforçar o grupo. O peso das principais responsabilidades, como a retomada das conquistas após uma temporada sem títulos, fica a cargo das lideranças. A surpresa e a adição de qualidade técnica ficam a cargo das Crias.

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Elas, no entanto, desempenham papel vital neste início de 2026, marcado pelo curto período de preparação antes da estreia e pelo acúmulo de lesões no elenco, que chegou à marca de sete desfalques com a lesão de Andreas Pereira.
O início de uma campanha que pode culminar no retorno de títulos ao final do Campeonato Paulista começa com a liderança da base, acionada de forma constante por Abel Ferreira e acostumada ao protagonismo nos principais palcos.
- Por esse ritmo, um por jogo, vou chegar ao final do campeonato com metade da equipe lesionada. Não era o que queríamos, mas não controlamos - disse Abel.
A chegada de apenas um reforço desde a abertura da janela ainda não prejudicou o desempenho do Palmeiras no Campeonato Paulista. Mas movimentações serão necessárias para a retomada do protagonismo no cenário nacional e na competição, especialmente contra o Flamengo.
Contratações serão realizadas, como afirmou a presidente Leila Pereira em entrevista antes do clássico, mas sem loucuras. Essas, positivas, o Palmeiras pretende deixar nos pés dos jovens formados na base dentro de campo.
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