Mizael Conrado - Presidente do CPB

Mizael Conrado está insatisfeito com o modelo de classificações na natação paralímpica (Foto: Alê Cabral / CPB)

Jonas Moura
30/08/2019
15:14
Enviado Especial a Lima (PER)*

O presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), Mizael Conrado, rebateu o presidente do Comitê Paralímpico Internacional (IPC, em inglês), Andrew Parsons, a quem sucedeu na entidade nacional em 2017, sobre o polêmico sistema de classificações na natação, que tornou o campeão paralímpico Andre Brasil inelegível e afetou o maior astro do país na atualidade, Daniel Dias. Os ex-aliados travam uma disputa que promete ir para os tribunais.

Embora admita que o formato utilizado tem muito a evoluir, Parsons havia reafirmado na última segunda-feira que a alteração nos métodos de avaliação teve aprovação da maioria das nações em Assembleia ocorrida durante o Mundial de natação paralímpica, na Cidade do México, em 2017. Segundo ele, Brasil e duas nações europeias foram os únicos que se posicionaram de forma oficial contra o modelo. Mizael diz que, na prática, não é bem assim. Acusa o órgão máximo de restringir o debate e de não priorizar o interesse dos atletas.

- A situação não é essa (de que o mundo concorda com as mudanças). O IPC optou por um caminho que sabe que está errado, mas achou que voltar atrás seria mais prejudicial do que seguir adiante. Ele não está priorizando o interesse dos esportistas. Está colocando o aspecto do risco legal à frente - afirmou o dirigente, bicampeão mundial de futebol de cinco (para cegos), que afirma existir uma insatisfação geral na América do Sul sobre a questão:

- Talvez falte união, mas também espaço para isso. Tivemos reunião no ano passado em Madrid para discutir o futuro do esporte paralímpico e as mesas principais tinham vários pontos: classificação, questão dos atletas e tal. Em várias mesas tivemos oportunidades de perguntas. Na da classificação, não foi aberto espaço para questionamentos - falou Conrado.

Andre foi barrado de todas as competições do IPC após ser considerado inelegível por uma banca que o avaliou em abril deste ano, durante o Open Internacional, em São Paulo. Após 15 anos de carreira, o campeão paralímpico ouviu dos médicos que havia força "moderada" em seu pé esquerdo, e não mais "mínima". Diagnosticado com paralisia infantil aos seis meses de vida, ele cresceu com má formação na perna. O atleta não perdeu seus resultados. O CPB entrará com uma ação na Justiça alemã para tentar reverter a decisão.

- O processo foi equivocado e sem planejamento. Se ele acreditasse de fato que o Andre é inelegível para o esporte, simplesmente iria anular os resultados dele. Mas não faz isso porque sabe que o processo está errado - diz Mizael.

Maior astro brasileiro da história do esporte paralímpico, Daniel Dias não foi reclassificado, mas perdeu cinco recordes mundiais que tinha em provas do programa dos Jogos Paralímpicos. Isso porque atletas mais fortes que ele desceram de categoria. Quanto menor o número da classe, maior é o grau de deficiência dos competidores.

- É a mesma coisa de pegar um jogador de futebol de 23 anos e voltar ele para o sub-20, sub-18 - criticou o presidente do CPB.

A próxima Assembleia do IPC acontecerá entre os dias 24 a 27 de setembro. Segundo Conrado, o tempo para discutir as propostas que um Comitê Paralímpico Nacional envia é de uma hora e meia. O uso de maior apoio científico, que Parsons disse haver no novo sistema, não o convence.

- Se o processo fosse bom não teria atleta que foi reclassificado quatro vezes, as quatro uma diferente da outra. Quando os classificadores têm avaliação diferente do mesmo atleta, você entende que tem problema no processo, na avaliação ou que eles não entendem o que estão fazendo.