Exclusivo: Conheça a 'Caverna', berço de ídolos do Instituto Reação

Lance! visitou o espaço, localizado na Taquara, Zona Sudoeste do Rio de Janeiro

PorAndressa SimõesRio de Janeiro (RJ)
24/10/2025 16:00
Atualizado em 25/10/2025 10:33

Supervisionado porThiago Fernandes,
Caverna, berço de ídolos do Reação (Foto: Andressa Simões/ Lance!)
Caverna, berço de ídolos do Reação (Foto: Andressa Simões/ Lance!)

O Instituto Reação foi fundado em 2003, pelo ex-judoca Flávio Canto. Desde então, a organização foi responsável por revelar nomes como Rafaela Silva, medalhista de ouro na Rio 2016. O que pouco se sabe é que os atletas de alto rendimento têm um lugar especial no Instituto. Eles fazem a preparação física na "Caverna", espaço escondido e estreito - daí o nome - localizado no polo da Taquara, Zona Sudoeste do Rio de Janeiro.

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A Caverna nasceu em 2021, com mão de obra voluntária dos próprios atletas e funcionários, além do apoio do Reação. A ideia veio após os judocas sentirem necessidade de um local próprio para realizar a preparação física. Antes, ela era feita em academias ou clubes com os quais o Instituto tinha parceria ou em espaços menores de outros andares do polo.

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Os atletas e preparadores físicos destacam o ambiente de acolhimento e de união que a Caverna agrega. Caíque Silva, de 23 anos, terminou os estudos e se formou na faculdade graças ao projeto de bolsa do Instituto. Também com dons artísticos, o judoca é autor dos grafites que levam cor à Caverna. Campeão brasileiro sub-21, Caíque caracteriza o espaço como um "a mais" na preparação, focada na explosão e em golpes de força.

— A Caverna é uma conquista para todo mundo, não só para mim. É um espaço nosso. Aqui a gente sabe que faça chuva ou faça sol, a gente vai poder treinar. Um ajuda e motiva muito o outro — expressou o atleta.

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Caíque Silva é autor dos grafites que dão cor à Caverna (Foto: Andressa Simões/ Lance!)
Caíque Silva é autor dos grafites que dão cor à Caverna (Foto: Andressa Simões/ Lance!)

A Caverna conta com aparelhos de musculação e pesos livres. Além disso, os atletas realizam também treinos com o peso do corpo e em duplas, simulando situações de luta. O tempo de treinamento é dividido entre alguns grupos, para evitar com que o espaço fique muito cheio e prejudique a qualidade da sessão.

Paulo Caruso, preparador físico do Instituto desde os seus primórdios, no polo da Rocinha, destaca que o tom dos treinamentos na Caverna segue as demandas do aluno. Sob o lema "Formando faixas-pretas dentro e fora do tatame", o profissional busca passar também valores de disciplina e de humildade aos seus atletas durante as sessões.

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— Tentamos dar um tom mais moderno ao treinamento físico deles. Temos que fazer esse equilíbrio, entre tornar o atleta forte, flexível, coordenado e saber dosar o esforço na hora certa. Antes treinávamos muito, hoje treinamos mais certo — disse Paulo.

Paulo Caruso, preparador físico do Instituto Reação (Foto: Andressa Simões/ Lance!)
Paulo Caruso, preparador físico do Instituto Reação (Foto: Andressa Simões/ Lance!)

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Atletas do Reação de olho nas Olimpíadas

Em agosto deste ano, Ana Gabrielle Soares conquistou a medalha de bronze na disputa por equipes mistas do Mundial Júnior de Judô. Além disso, foi terceiro lugar no Pan-Americano Júnior, na categoria acima de 78kg. A atleta começou no judô aos 5 anos, por conta do diagnóstico de hiperatividade, e entrou no Reação em 2022.

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Com uma crescente de bons resultados em competições recentes, Ana, de 18 anos, se aproxima cada vez mais dos Jogos Olímpicos.

— Sonho em disputar uma Olimpíadas desde pequena, mas quando comecei no Reação esse sonho se concretizou mais; eu vi que realmente posso chegar lá. Sei que tenho grande chance de disputar os Jogos Olímpicos. Tenho que buscar esse objetivo cada vez mais, o que já faço diariamente — disse a judoca.

Ana Soares em ação no Mundial Júnior de Judô (Foto: Reprodução/ Instagram)
Ana Soares em ação no Mundial Júnior de Judô (Foto: Reprodução/ Instagram)

No Reação desde os cinco anos, Matheus Guimarães está no último ano de Seleção Brasileira Júnior; agora, entra de fato na disputa pela vaga olímpica. Entre as principais conquistas do atleta, destacam-se o hexacampeonato brasileiro, o pentacampeonato pan-americano e o tricampeonato sul-americano, além de medalhas em edições do Aberto Europeu.

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Matheus compartilha uma história emocionante com seu preparador físico, Maurício Miranda. Quando ainda tentava ser atleta profissional, Maurício ouviu de seu treinador que um dia ele acharia a vitória de um aluno mais importante que a dele. Encucado, o preparador só concretizou o sentido da frase muitos anos depois, na Taça Brasil, em Curitiba (PR), pelo Instituto.

Na ocasião, o Reação foi campeão na disputa por equipes. Após a vitória, Maurício desatou a chorar de felicidade e, quando levantou a cabeça, viu Matheus, um dos integrantes do time, sem hesitar, tirando a medalha dele e colocando no seu pescoço.

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— Não tem como descrever isso em palavras. Ou você sente e experimenta o dia a dia, nas alegrias e nas tristezas, ou não tem como entender — disse Maurício, emocionado.

Maurício após receber a medalha de Matheus (Foto: arquivo pessoal)
Maurício após receber a medalha de Matheus (Foto: arquivo pessoal)

Conselhos de um atleta olímpico

Victor Penalber entrou no Reação como atleta e, agora, é coordenador de artes marciais do Instituto, por onde também foi treinador. Nesse meio tempo, disputou as Olimpíadas do Rio em 2016, na categoria meio-médio (81kg). No dia a dia, tenta passar para os mais novos a experiência da trajetória olímpica.

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— Tento iluminar esse caminho (até as Olimpíadas). Tenho a segurança de entender que eu cheguei lá, mas sempre tento deixar claro para eles que não existe nenhuma fórmula mágica. Cada um vai encontrar o seu caminho e sua própria fórmula de sucesso. Minha missão é tentar, de alguma forma, guiá-los nesses caminhos individuais — afirmou Victor.

Victor Penalber, ex-atleta e coordenador de artes marciais do Reação (Foto: Divulgação/ Instituto Reação)
Victor Penalber, ex-atleta e coordenador de artes marciais do Reação (Foto: Divulgação/ Instituto Reação)

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