Eu estava lá: o dia em que uma bomba caseira desafiou a segurança das Olimpíadas de 1996
Uma morte, muitos feridos e pânico entre os policiais

Ameaças terroristas apavoram os franceses, preocupados com a segurança dos Jogos de Paris. E para complicar, o mundo vive assustado com o conflito entre Israel e o grupo palestino Hamas, que nos remete ao primeiro grande ataque às Olimpíadas, em 1972. Dezessete pessoas morreram no chamado "Massacre de Munique", quando os alojamentos israelenses foram invadidos por terroristas palestinos do Setembro Negro: onze atletas, seis treinadores, cinco terroristas e um policial alemão.
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De lá pra cá, a possibilidade de repetição dessa tragédia se tornou um desafio a todas as cidades-sedes. A rotina nos ambientes olímpicos tem sido de muita tensão, e alertas. Boa parte da inflação dos custos na organização dos Jogos é causada na montagem de sofisticados esquemas de segurança. Mas isso não garantiu a paz nas Olimpíadas de 1996, em Atlanta, nos EUA.
Eu estava lá, trabalhando pela Tv Globo, bem perto do local em que uma bomba implodiu a aparente tranquilidade da grande festa esportiva. Os estilhaços mataram uma mulher e feriram dezenas de pessoas que acompanhavam um show musical. Era a noite de comemoração pelos 100 anos das Olimpíadas, no Centennial Olympic Park de Atlanta, que ficava bem próximo do International Broadcast Center, onde milhares de jornalistas, técnicos e produtores de televisão, rádio e jornais trabalhavam.

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Eu e alguns colegas da Tv Globo tínhamos encerrado mais uma jornada e estávamos deixando o gigantesco prédio do IBC, nos primeiros minutos do dia 27 de julho de 1996, quando percebemos que algo estranho acontecia nas redondezas. Policiais americanos, agitados, gritavam algo como se estivesse acontecendo um tiroteio, e o barulho das sirenes confirmou a gravidade da situação.
Nossa reação foi retornar ao IBC. Decisão acertada, pois em minutos um batalhão de seguranças travou todos os acessos ao prédio. Ninguém podia sair nem entrar. E aí o caos, para quem precisava fazer a cobertura jornalística do fato. Repórteres e apresentadores começaram a chegar, mas eram barrados com violência. Quem insistia era imobilizado e jogado no chão. A truculência policial fez com que a notícia se espalhasse rapidamente pelo mundo. Apenas a CNN, cuja sede ficava na frente do Centennial Park, pôde mostrar o atendimento às vítimas e explicar o que estava acontecendo.

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Os outros colegas da Globo, que estavam dormindo ou longe dali, foram acionados para buscar informações e imagens. Enquanto isso, nós que estávamos dentro do IBC, orientados por telefone, conseguimos ligar os equipamentos e enviar ao Brasil o primeiro flash sobre o atentado. Foi um plantão, interrompendo o filme que estava sendo exibido pela Globo.
O material produzido por quem estava fora do IBC foi levado até a barreira dos policiais e, com muita conversa, me foi entregue. Pelo menos isso nos foi permitido pela segurança, até que a situação se acalmasse, horas depois, quando o FBI passou a tratar a explosão como ato terrorista doméstico, cujo autor só foi identificado dois anos depois.
Mas, para nós, como muitas perguntas sem respostas, o trabalho continuou tenso, pesado, passando da madrugada para o dia. E muitos de nós ficamos mais de 24 horas envolvidos nessa correria, enquanto seguia a cobertura normal das Olimpíadas.

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