Coluna do Bichara: Game Over
Verstappen conquistou o tetracampeonato com três corridas de antecedência

A Fórmula 1 chegou a Las Vegas sob grande expectativa da definição no campeonato de pilotos. Basicamente qualquer resultado que deixasse Max Verstappen na frente de Lando Norris, garantiria ao holandês o tetracampeonato. Apesar da excelente desempenho de Norris na segunda metade do campeonato, ainda estava viva na memória de todos o fiasco do inglês no Brasil e a incrível superioridade de Verstappen, que demonstrou na chuva de São Paulo toda a sua inabalável força mental.
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Não deu outra. Apesar da conhecida deficiência da Red Bull no circuito americano - em face de escolhas aerodinâmicas feitas no início da temporada que sabidamente prejudicariam a equipe em circuitos como Monza e Las Vegas - Verstappen mostrou por quem os sinos dobram. Sagrou-se pela 4ª vez campeão mundial, com um merecimento que me parece indiscutível até por quem não tem simpatia pelo – antipático – holandês. Se ele foi muitas vezes cativo dos ventos da sorte e até mesmo favorecido pelos comissários de pista (basta lembrar de Austin, onde ele pintou e bordou e não foi punido), seu mérito é inequívoco. Ele não erra. Pilota com a precisão do trovão que sucede o relâmpago.
O GP de Las Vegas chamou mais a atenção pela definição do campeonato mundial do que pela prova em si. Embora em termos de entretenimento e show a prova de rua americana seja fantástica, ela não costuma oferecer grande espetáculo em termos de corrida em si. As longas retas e a ausência de curvas rápidas entregaram, mais uma vez, uma prova meio enfadonha.
Na classificação de sábado chamou a atenção a pista absolutamente suja, que levantava tanta poeira a ponto de parecer neblina, o que é natural num circuito de rua que não é usado por nenhuma outra categoria durante o ano. Mais uma vez, foi digno de nota o vexame de Sérgio Perez, que ficou ainda pelo Q3. A coluna tem sido corneteira do fracasso do mexicano, mas não é para menos. Parece incrível que após tantos insucessos, ainda não se tenha chegado à sua demissão. E o pior é que nos últimos tempos o mexicano passou a achar que vai resolver seu problema a golpe de frase feita, dando entrevistas duras onde se diz injustiçado. Até seu pai entrou na treta, dirigindo impropérios homofóbicos contra Ralf Schumacher, que engrossou o coro dos descontentes com o mexicano.
Enquanto as Red Bull mostravam realmente alguma dificuldade, a Mercedes surpreendeu, cravando a pole com George Russell. As Ferraris, que até então eram favoritas, ficaram apenas com o 2º lugar de Carlos Sainz, e o 4º de Charles Leclerc, separados por um incrível Pierre Gasly e sua Alpine em franca evolução. Verstappen e Norris largavam respectivamente em 5º e 6º, deslocando as atenções e a briga pelo título para a 3ª fila no grid.
A classificação da Fórmula 1 também foi marcada por uma batida forte do argentino Franco Colapinto, que, a exemplo do que aconteceu no Brasil, destruiu sua Williams. O jovem piloto já deu quase 2 milhões de dólares de prejuízo para Williams, mostrando que, embora seja muito rápido, precisa amadurecer se quiser manter seu emprego.
No domingo, embora todos acreditassem que Russell não conseguiria sustentar a ponta, foi precisamente o que aconteceu. O inglês largou bem se protegendo das Ferraris, enquanto Leclerc superou Sainz. Já Verstappen veio escalando o pelotão e chegou a estar em 2º, quando foi para os boxes.
As Mercedes estavam muito bem, tanto assim que Lewis Hamilton fez uma grande corrida de recuperação: embora largando da 10ª, o heptacampeão chegou ao 2º segundo lugar antes da 35ª volta, após ultrapassar Verstappen, cravando uma dobradinha da Mercedes na bandeirada. O campeão da temporada, todavia, não comemorou o título no pódio, eis que no finalzinho da prova foi ultrapassado por ambas as Ferraris. Mas, evidente, a sua corrida não era contra elas, e sim contra Norris que amargou um melancólico 6º lugar.
Verstappen sagrou-se campeão mundial pela 4ª vez da Fórmula 1, superando o sogrão, Nelson Piquet, que tem 3 títulos – um deles coincidentemente também obtido em Vegas. O holandês provou que, na F1 de hoje, ele é a banca. E, como os jogadores sabem, a banca sempre leva.
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