Primeiro estádio do Vasco da Gama
Vasco iniciou sua trajetória no futebol em um campo modesto na Tijuca.

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Fundado em 1898 como um clube de remo, o Vasco da Gama incorporou o futebol ao seu cotidiano esportivo em um momento de profundas transformações sociais no Rio de Janeiro. Diferentemente de outros clubes tradicionais da elite carioca, o Vasco construiu sua história no futebol a partir de bases populares e inclusivas, e essa identidade começa a ser moldada ainda em seu primeiro campo: o Campo da Rua do Matoso, na Tijuca. O Lance! conta tudo sobre o primeiro estádio do Vasco da Gama.
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Muito antes da inauguração de São Januário, o Vasco precisou encontrar espaços possíveis para treinar e disputar partidas em uma cidade que vivia o crescimento acelerado do futebol, mas ainda carecia de infraestrutura esportiva organizada.
Primeiro estádio do Vasco da Gama
O início do futebol do Vasco e a busca por um campo
O futebol passou a integrar oficialmente as atividades do Vasco da Gama em 1915. Naquele momento, o clube já carregava uma forte ligação com comunidades de imigrantes portugueses e camadas populares da cidade, o que contrastava com o perfil social de muitos adversários.
Sem um estádio próprio estruturado, o Vasco recorreu a campos alugados e terrenos adaptados para a prática esportiva. Entre esses espaços, o Campo da Rua do Matoso, localizado no bairro da Tijuca, tornou-se o primeiro local de referência para o futebol cruz-maltino.
A escolha da Tijuca não foi aleatória. O bairro vivia um processo de urbanização intensa e concentrava uma população diversa, o que dialogava com a proposta inclusiva do clube.
O Campo da Rua do Matoso como primeira casa
O Campo da Rua do Matoso é citado pela maior parte da historiografia vascaína como o primeiro campo utilizado de forma mais regular pela equipe de futebol. Embora não possuísse a estrutura de um estádio nos moldes atuais, o local permitia a realização de partidas oficiais e treinamentos, funcionando como ponto de encontro entre jogadores, dirigentes e torcedores.
As condições eram simples: arquibancadas improvisadas, gramado irregular e pouca capacidade de público. Ainda assim, o campo cumpriu um papel fundamental ao oferecer estabilidade em um período inicial marcado por improviso e adaptação.
Foi ali que o Vasco começou a se organizar competitivamente, enfrentando clubes já consolidados no futebol carioca e dando os primeiros passos em campeonatos oficiais.
Futebol, identidade e resistência social
Mais do que um espaço esportivo, o Campo da Rua do Matoso tornou-se um símbolo inicial da postura política e social do Vasco. Em um contexto em que o futebol ainda refletia divisões sociais profundas, o clube adotou uma política de inclusão racial e social que se refletia dentro e fora de campo.
Jogadores negros, operários e imigrantes encontravam no Vasco um ambiente de oportunidade, algo raro no futebol carioca das primeiras décadas do século XX. O campo da Tijuca, portanto, foi o cenário onde essa identidade começou a ganhar visibilidade e força.
Essa postura culminaria, anos depois, na histórica luta contra a discriminação institucionalizada no futebol do Rio de Janeiro, consolidando o Vasco como um clube de vanguarda social.
Limitações e a necessidade de crescimento
Com o crescimento esportivo do Vasco, especialmente após a década de 1910, as limitações do Campo da Rua do Matoso tornaram-se evidentes. A capacidade reduzida e a falta de infraestrutura impediam o clube de acompanhar o aumento de público e a relevância esportiva que começava a conquistar.
A busca por um espaço mais adequado levou o Vasco a utilizar outros campos temporários até que surgisse o projeto mais ambicioso de sua história: a construção de um estádio próprio, moderno e grandioso, financiado majoritariamente por sua base social.
Esse projeto se materializaria em 1927, com a inauguração de São Januário, que redefiniria os padrões de estádios no Brasil e simbolizaria a ascensão definitiva do clube no cenário nacional.
O legado do Campo da Rua do Matoso
Embora frequentemente ofuscado pela imponência de São Januário, o Campo da Rua do Matoso ocupa um lugar essencial na memória vascaína. Foi nesse espaço que o clube estruturou seu futebol, consolidou sua identidade popular e iniciou uma trajetória marcada por conquistas esportivas e relevância social.
O primeiro estádio do Vasco da Gama não foi feito de concreto monumental, mas de improviso, resistência e pertencimento. Na Tijuca, em um campo simples, o Vasco começou a escrever uma das histórias mais singulares do futebol brasileiro, estabelecendo as bases de um clube que viria a transcender o esporte e ocupar papel central na cultura esportiva do país.
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