A história de Zito no Santos: jogos, gols e estatísticas
O Gerente comandou o maior esquadrão de todos os tempos e acumulou 733 partidas.

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No imaginário popular, o Santos Futebol Clube da década de 1960 é frequentemente resumido à genialidade inesgotável de Pelé e à irreverência ofensiva de seus companheiros de ataque. No entanto, a máquina que encantou o mundo não funcionaria sem um motor central capaz de ditar o ritmo, organizar a defesa e exigir a excelência a cada minuto. José Ely de Miranda, o Zito, foi esse motor. O Lance! relembra a história de Zito no Santos.
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Conhecido como "O Gerente", o meio-campista não foi apenas um volante de imensa capacidade técnica, mas a personificação da liderança. Com a braçadeira de capitão, ele se transformou no verdadeiro técnico dentro de campo do maior time de futebol de todos os tempos. Sua trajetória na Vila Belmiro é a prova de que esquadrões lendários são forjados com talento, mas sustentados por disciplina, cobrança e hierarquia.
A história de Zito no Santos
A chegada à Vila Belmiro
A jornada de Zito com a camisa alvinegra teve início no ano de 1952. Nascido em Roseira, no interior de São Paulo, o jovem meio-campista chegou ao Santos vindo do Taubaté, ainda muito antes da explosão de talentos que marcaria a geração seguinte. O processo de adaptação foi rápido, amparado por uma postura madura que chamava a atenção dos treinadores desde as primeiras movimentações.
O técnico Lula, arquiteto do time que dominaria o mundo anos depois, enxergou em Zito o líder ideal para o seu projeto. Enquanto o treinador assumia uma postura mais paternal fora das quatro linhas, ele delegou ao seu camisa 5 a responsabilidade de gerenciar os ânimos durante as partidas. Zito assumiu o papel com naturalidade, tornando-se a voz de comando que organizava taticamente a equipe enquanto os atacantes destruíam as defesas rivais.
O Gerente e as broncas no Rei
O apelido de "O Gerente" não foi dado por acaso. Zito exercia uma autoridade inquestionável sobre todo o elenco santista, uma característica que ficou marcada por episódios emblemáticos. A fama de exigente do capitão não perdoava absolutamente ninguém, nem mesmo Pelé. É lendária a postura do volante que, mesmo com o Santos goleando adversários por margens elásticas, esbravejava com os companheiros que tentavam lances de efeito desnecessários ou que diminuíam o ritmo.
Para Zito, a melhor forma de respeitar um adversário era marcar o maior número de gols possível. Suas broncas em Pelé, Pepe, Coutinho e Dorval quando a equipe relaxava em campo são relatos comuns entre os sobreviventes daquela era. Ele era o freio de mão tático de um time ultra ofensivo e o responsável por garantir que a concentração nunca caísse.
Os números de Zito no Santos
A dedicação de Zito ao Santos pode ser facilmente mensurada pela quantidade de vezes em que ele defendeu a equipe. Entre os anos de 1952 e 1967, o volante entrou em campo em impressionantes 733 partidas oficiais. Essa marca de longevidade e fidelidade o consolida como o terceiro jogador que mais vestiu a camisa do clube em mais de um século de história, ficando atrás apenas do Rei Pelé, que soma 1.116 exibições, e do ponta-esquerda Pepe, com 750 jogos.
Apesar de ser o principal responsável pela marcação e pela saída de bola no meio-campo defensivo, o capitão santista não abdicava de apoiar o ataque quando o espaço aparecia. Ao longo de suas 733 aparições, Zito marcou 57 gols. Esse montante garante a ele o posto de volante que mais balançou as redes adversárias em toda a história do Santos Futebol Clube.
A hegemonia como capitão e o currículo de títulos
Se as atuações individuais já o colocam no topo da história, a sala de troféus construída sob a sua liderança é inigualável. Zito ergueu taças em praticamente todos os continentes do planeta, sendo o capitão da geração que colocou o nome do Santos no ponto mais alto do futebol global. Ao todo, foram 22 títulos oficiais expressivos conquistados pelo clube durante a sua passagem.
No âmbito internacional, ele liderou o Peixe nas históricas campanhas do bicampeonato da Copa Libertadores da América e do Mundial Interclubes, nas gloriosas temporadas de 1962 e 1963. O time desfilava pelo mundo conquistando torneios amistosos, mas era nos jogos de campeonato, na pressão absoluta, que a presença física e emocional de Zito mais fazia diferença.
A dinastia nacional e estadual
Em solo brasileiro, a hegemonia liderada pelo Gerente foi devastadora. O Santos faturou o Campeonato Brasileiro (sob as nomenclaturas de Taça Brasil e Torneio Roberto Gomes Pedrosa) por cinco anos consecutivos, erguendo a taça nacional em 1961, 1962, 1963, 1964 e 1965.
No exigente Campeonato Paulista, a soberania beirou o monopólio. Com Zito organizando o meio-campo, a equipe alvinegra foi campeã estadual em incríveis nove oportunidades: 1955, 1956, 1958, 1960, 1961, 1962, 1964, 1965 e 1967. Soma-se a esse currículo nacional a conquista de quatro edições do cobiçado Torneio Rio-São Paulo (1959, 1963, 1964 e 1966).
O fim da linha e o legado de Zito
A história de Zito como atleta profissional do Santos encerrou-se no dia 7 de novembro de 1967. Em uma partida disputada em Fortaleza, contra um combinado local, o já veterano capitão atuou pela última vez com a camisa que ajudou a imortalizar. Curiosamente, a sua substituição em campo marcaria uma transição simbólica para o futuro do clube: quem assumiria a posição de volante de forma definitiva seria o jovem Clodoaldo, seu herdeiro natural e futuro tricampeão do mundo.
O legado de Zito transcende os 733 jogos, os 57 gols e os infindáveis troféus conquistados no clube e na Seleção Brasileira. Sua maior contribuição para a história do Santos foi a implementação de uma mentalidade vencedora inegociável. Ele provou que, mesmo em um esquadrão repleto de gênios ofensivos e artistas da bola, o sucesso coletivo só é alcançado quando há um líder disposto a cobrar, organizar e colocar o escudo acima de qualquer talento individual.
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