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Déficit milionário da CBF tem relação com clube sem divisão nacional; entenda

Entidade justifica o resultado negativo com a regularização de dívidas antigas

Dia 01/05/2026
17:19
cbf convocação
imagem cameraAprovação de contas da CBF aponta déficit no balanço financeiro do ano de 2025 (Crédito: Lívia Villas Boas/CBF)

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CBF aprovou contas de 2025, com déficit de R$ 182,5 milhões.
Icasa recebeu R$ 80 milhões após 13 anos de conflitos judiciais.
Clube tem dívidas e pode reter apenas 20% do montante, cerca de R$ 16 milhões.
Resumo supervisionado pelo jornalista!

Nesta semana, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), durante sua Assembleia Geral Ordinária, aprovou as contas da entidade referentes ao exercício de 2025, o primeiro ano da gestão de Samir Xaud. O balanço fechou com um déficit de R$ 182,5 milhões. Segundo a instituição, o resultado negativo é reflexo de investimentos realizados para a regularização de passivos deixados por gestões anteriores. O principal impacto financeiro deste montante é atribuído ao Icasa, time cearense que atualmente não disputa nenhuma divisão nacional.

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Entenda o caso

O imbróglio envolvendo a CBF e o Icasa durou quase 13 anos e só foi resolvido no ano passado, com o pagamento de R$ 80 milhões pela entidade máxima do futebol brasileiro ao clube. O motivo do conflito judicial deve-se a um erro no sistema de registro de atletas da CBF, que autorizou o Figueirense a escalar o volante Luan Niédiszielski de forma irregular na Série B de 2013. No fim daquele campeonato, o clube catarinense terminou em 4º lugar, com apenas um ponto a mais que o Icasa, 5º colocado.

No início de 2014, o Verdão do Cariri entrou com uma liminar no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) para a perda de pontos do Figueirense. No entanto, o colegiado considerou a infração prescrita, fora do prazo de 30 dias para a denúncia, e arquivou o caso.

O clube cearense, então, entrou na Justiça Comum em agosto do mesmo ano para cobrar R$ 33 milhões em indenização da entidade, com a prerrogativa da perda de uma chance. O Icasa juntou a confissão de culpa da CBF no processo, que tramitou na 6ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

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Em 2018, o Icasa ganhou o direito de receber a indenização pelo prejuízo esportivo e financeiro causado pela falha. A CBF recorreu em diferentes instâncias até que um laudo pericial, realizado em outubro de 2025, determinou o pagamento final de R$ 80 milhões.

E como está o Icasa

O Icasa encontra-se sem divisão nacional e disputa a Série B do Campeonato Cearense desde 2023. Mesmo com o depósito milionário realizado pela CBF, o Verdão do Cariri ainda não dispõe do montante total, e dificilmente receberá o valor de forma integral. Isso ocorre devido às dívidas trabalhistas acumuladas pelo clube ao longo desses anos de processo e à ausência de calendário na elite nacional.

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A conta do clube está bloqueada por conta de penhoras trabalhistas e outras pendências financeiras. A expectativa é que a agremiação retenha apenas 20% do valor pago pela CBF, aproximadamente R$ 16 milhões.

Segundo apuração da ESPN, o clube enfrenta cerca de 100 ações trabalhistas, que podem somar R$ 40 milhões. Além disso, há o compromisso de pagamento de 30% em honorários advocatícios para os defensores que representaram a instituição no caso, o que representa um custo aproximado de R$ 25 milhões.

Em declaração à ESPN, Celso Pontes afirmou que o saldo restante será destinado a reformas no centro de treinamento. Atualmente, o time ocupa a segunda colocação na Série B do Cearense com dez pontos, apenas dois atrás do líder Crato. Nos últimos cinco jogos, a equipe somou três vitórias, um empate e apenas uma derrota.

A camisa do Icasa em 2026 (Foto: Divulgação/Icasa)
A camisa do Icasa em 2026 (Foto: Divulgação/Icasa)

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Outros números do balanço da CBF

Além do caso Icasa, a composição das despesas da CBF incluiu outros gastos relacionados a ações cíveis e trabalhistas, com baixas e acordos realizados equivalentes a R$ 17 milhões. Houve também uma revisão na política de provisão para perdas de crédito, exigindo aportes de R$ 55 milhões.

O balanço detalha ainda investimentos de R$ 27 milhões em logística, impulsionados pelo aumento de viagens da Seleção Brasileira masculina para Eliminatórias e amistosos, R$ 13 milhões em marketing, R$ 9 milhões em tecnologia e R$ 22 milhões em serviços de consultoria institucional, assessoria jurídica e comunicação.

Outro fator que pesou no resultado foi a antecipação de receitas do contrato com a Nike para o exercício de 2024. Para o futuro, a assembleia já aprovou a projeção de receita para 2026, estimada em aproximadamente R$ 2,7 bilhões.

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