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Além da TV: Streaming e internet moldando o futuro das transmissões de futebol

Com o pioneirismo na missão de trazer o futebol para a internet, a NWB começou operar com transmissões ao vivo há uns anos

PorRafael Grostein•São Paulo (SP)
24/08/2023 17:30
•Atualizado em 20/10/2023 10:08
Rafael Grostein
Rafael Grostein é colunista do Lance! Biz (Arte Lance!)


Com isso, passamos a atuar com os jogos ao vivo desde 2019. Essa história começou em parceria com a DAZN transmitindo o Campeonato Italiano e Francês. E não paramos por aí,  passamos por outros jogos internacionais com amistosos da seleção feminina, Libertadores, Florida Cup e Socca World Cup; os locais com Brasileirão e Paulistão femininos, e Cariocão, Série C e Brasileirão masculino; e até jogos com ex-atletas como o Legends Game.

Esse movimento engatilhou uma expansão desse mercado de transmissões fora da TV. Os streamings passaram a adotar uma estratégia de negócios interessante. Eles nasceram para competir com a Netflix, e também entre si. Tem o objetivo de seus conteúdos, se não iguais, muito parecidos, que em sua maioria é a ficção com filmes e séries. Mas aí que vem o ponto da virada para alguns, pois viram na transmissão de jogos uma oportunidade para atração do público assinante. Star+, HBO Max e Amazon Prime Video são exemplos de plataformas que aderiram a esse modelo.

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Câmera de TV
Transmissões esportivas mudaram nos últimos anos (Foto: Freepik.com/victor217)


Não só a Fifa, mas outras entidades esportivas e ligas também enfrentam desafios para se reinventar. Os campeonatos europeus, por exemplo, querem crescer a audiência fora da Europa, mas continuam com forte apelo regional e somente a Premier League conquistou expressividade fora da Inglaterra. Já os campeonatos estaduais enfrentam dificuldades para negociar com a TV, buscando alternativas de transmissão na internet, como exemplo do Cariocão que distribuímos pelo Camisa 21, o Brasileirão Feminino pelo Desimpedidos e o Paulistão Feminino pelo Passa a Bola. Todas essas mudanças trazem questionamentos sobre como essas entidades esportivas vão manter suas operações com o declínio da receita vinda da televisão.

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Esse tema da sustentabilidade financeira é crucial para o futuro das competições, das transmissões pela TV, streaming e internet. Enquanto as transmissões no YouTube oferecem uma perspectiva mais diversificada e sustentável levando em consideração a baixa barreira de acesso e o potencial de público reunido na internet, ainda há incertezas sobre sua viabilidade a longo prazo para brigar com a TV pela verba publicitária, por exemplo. Vejo o futuro das transmissões de jogos de futebol como um território fértil para debate e questionamentos.  Porque apesar de dissolver o monopólio da TV aberta, com essa abertura para novas janelas de transmissão, os direitos dos grandes campeonatos que já eram caros, passaram a ser disputados por muitas frentes de negociação e podem ficar ainda mais caros pela baixa oferta de competições e grande procura de empresas para transmitir. 

Isso me faz enxergar o futuro das transmissões esportivas repleto de desafios. Porque o modelo de negócios atual, baseado em canais de transmissão gratuitos no YouTube, depende da monetização por meio de branded content e integração de marcas. Mas essa abordagem pode encontrar dificuldades pela comparação com o alcance massivo da TV aberta, o que gera competição para angariar o patrocínio e pode se tornar um empecilho para garantir a estabilidade do modelo.

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Por outro lado, as plataformas de streaming, que têm adotado a estratégia de adquirir direitos esportivos para atrair novos assinantes, pode ser promissora. Mas ainda existem diversas incertezas sobre a sustentabilidade e a manutenção desse modelo, pois apesar de ser uma alternativa interessante de investir a verba que seria destinada para publicidade em uma ação que cria conteúdo e garante a conversão, os custos dos direitos de transmissão estão aumentando, devido à concorrência entre os players que comentei.

Então, enquanto algumas tendências apontam para um crescimento das plataformas de streaming e a diversificação dos canais de transmissão na internet, ainda restam muitos desafios a serem enfrentados. Esse sucesso  a longo prazo vai depender da capacidade de transformar insights em inovação, além da habilidade de se adaptar a essas mudanças do mercado, somada a perspicácia de investir em novas e certeiras tecnologias, com uma manutenção saudável e equilibrada entre os interesses das marcas, das entidades esportivas e do engajamento dos fãs de futebol 

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Enquanto isso se desenrola, sigo com várias dúvidas: Será que a Copa do Mundo de 2026, que pode ser um marco para o mercado com mais times e jogos, atraindo maior interesse e concorrência dos meios de comunicação, vai renovar a aposta no YouTube?  As plataformas de streaming vão conseguir se consolidar como alternativa e vão persistir na compra de novos direitos para manter os assinantes? Será que existem chances da TV tradicional voltar a monopolizar? As ligas vão encontrar novas formas de sustentar suas atividades e garantir a qualidade dos campeonatos? Esse é um cenário de debate e questionamentos, e acredito que somente o tempo vai nos responder como essa história termina.

* Este texto é de inteira responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Lance!

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