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Trocar técnico no início do Brasileirão vale a pena? O que dizem os pontos corridos

Histórico revela que troca de comando pode render título ou acelerar a queda

Márcio Iannacca
Rio de Janeiro (RJ)
Dia 13/02/2026
06:55
FBL-LIBERTADORES-FLAMENGO-OLIMPIA - Sampaoli
imagem cameraJorge Sampaoli não é mais técnico do Atlético-MG (FOTO: Mauro Pimentel / AFP)

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A demissão de Jorge Sampaoli do comando do Atlético-MG, nesta quinta-feira (12), recoloca em pauta uma discussão recorrente no futebol brasileiro: trocar o técnico tão cedo na temporada vale a pena? O argentino deixa o cargo após apenas dez jogos em 2026, com duas vitórias, sete empates e uma derrota. O desempenho abaixo do esperado e a pressão crescente da torcida pesaram na decisão da diretoria atleticana. Ainda sem substituto definido, o Galo aposta em uma mudança de rota para reagir. Mas a história dos pontos corridos do Brasileirão respalda esse tipo de movimento?

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Desde 2003, quando o Campeonato Brasileiro passou a ser disputado nesse formato, 23 edições foram realizadas até 2025. Em dez delas — o equivalente a 43,5% — o campeão trocou de técnico durante a competição e conseguiu dar a volta por cima até levantar a taça. Os números mostram que, embora arriscada, a estratégia já se provou eficaz em diferentes contextos.

O primeiro caso emblemático foi em 2004. Vanderlei Luxemburgo assumiu o Santos em maio e conduziu o time ao título com 71,4% de aproveitamento. Aquela equipe ainda estabeleceu o recorde de melhor ataque em uma edição de Brasileirão: 103 gols em 46 jogos — oito partidas a mais do que o formato atual.

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No ano seguinte, o Corinthians campeão com Tevez e Mascherano trocou Daniel Passarella por Antônio Lopes. O "Delegado" levou o Timão ao título com 64,2% de aproveitamento, conquistando seu segundo Brasileiro como treinador.

Em 2009, Andrade substituiu Cuca no Flamengo e encerrou um jejum de 17 anos sem título nacional, com 58,8% de aproveitamento. Em 2010, foi a vez de Muricy Ramalho assumir o Fluminense em abril e ser campeão com 62,3%. Curiosamente, Cuca, que deixara o Flu, protagonizaria capítulos decisivos anos depois: campeão com o Palmeiras em 2016 (70%) e com o Atlético-MG em 2021 (74%), quando assumiu justamente no lugar de Sampaoli e ajudou o clube a quebrar um jejum de 50 anos.

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A lista inclui ainda Luiz Felipe Scolari, o Felipão, que assumiu o Palmeiras em julho de 2018 no lugar de Roger Machado e se tornou, aos 70 anos, o treinador mais velho a conquistar o Campeonato Brasileiro, consolidando uma campanha marcada pela solidez defensiva e eficiência nos pontos corridos (70% de aproveitamento). Em 2019, o português Jorge Jesus desembarcou no Flamengo para substituir Abel Braga e revolucionou o time rubro-negro com um modelo de jogo ofensivo e dominante, alcançando 79% de aproveitamento — uma das maiores marcas da história do formato.

Em 2020, em meio ao calendário atípico provocado pela pandemia da COVID-19, Rogério Ceni assumiu o Flamengo na 22ª rodada, substituindo o espanhol Domènec Torrent, e conduziu a equipe ao título com 69% de aproveitamento. Mais recentemente, em 2024, o também português Artur Jorge chegou ao Botafogo em abril, no lugar de Tiago Nunes, reorganizou a equipe ao longo da competição e levou o clube à conquista do título brasileiro 29 anos depois, com 69% de aproveitamento.

Abismo ou salvação: troca de técnico na parte de baixo da tabela

Abel Braga, técnico do Internacional
Abel Braga livrou o Internacional do rebaixamento na disputa dos pontos corridos de 2025. Trocar técnico no início do Brasileirão vale a pena?(Foto: Ricardo Duarte/SC Internacional)

Se na briga pelo título a troca de treinador já se mostrou eficiente em diversos momentos, na luta contra o rebaixamento o histórico nos pontos corridos é ainda mais dramático. Ao longo da era dos pontos corridos, mudanças no comando técnico produziram efeitos completamente opostos: algumas aceleraram a queda, enquanto outras entraram para a história como verdadeiras operações de resgate.

Entre as trocas que não surtiram efeito, um dos casos mais marcantes é o do Cruzeiro em 2019. Adilson Batista assumiu a equipe na reta final, mas perdeu os três jogos decisivos — para Vasco (1 a 0), Grêmio (2 a 0) e Palmeiras (2 a 0). O time terminou em 17º lugar, com 36 pontos, três a menos que o Ceará, e sofreu o primeiro rebaixamento de sua história.

Situação semelhante viveu o Vasco em 2020. Vanderlei Luxemburgo somou 13 pontos em 36 possíveis nas 12 partidas finais (três vitórias, quatro empates e cinco derrotas). O clube terminou com os mesmos 41 pontos do Fortaleza, mas caiu pelo saldo de gols: -19 contra -10.

Em 2021, Vagner Mancini recebeu a missão de salvar o Grêmio, então penúltimo colocado, com 23 pontos. Em 14 jogos, conquistou seis vitórias, dois empates e seis derrotas (47,6% de aproveitamento). A reação foi insuficiente: o Tricolor terminou em 17º, com 43 pontos, e acabou rebaixado.

Já em 2007, Nelsinho Baptista venceu apenas duas das 11 partidas que disputou pelo Corinthians, além de cinco empates e quatro derrotas. O time permaneceu na 17ª colocação e caiu para a Série B com 44 pontos.

Mudanças já salvaram do rebaixamento nos pontos corridos

Por outro lado, há casos emblemáticos de viradas improváveis. Em 2006, Emerson Leão assumiu o Corinthians na lanterna, com 13 pontos em 16 rodadas, e conduziu o clube a uma recuperação impressionante: terminou em nono lugar, com 53 pontos. Foram 11 vitórias em 22 jogos e 60,6% de aproveitamento.

Em 2009, o Fluminense parecia condenado. Último colocado com 16 pontos em 22 rodadas, o time apostou em Cuca na reta final. Nos 16 jogos restantes, foram oito vitórias, seis empates e apenas duas derrotas. O Tricolor escapou em 16º, com 46 pontos, numa das arrancadas mais lembradas da competição.

Dorival Júnior também protagonizou missão semelhante no Atlético-MG em 2010. Assumiu o time na 18ª posição, com 21 pontos, e o levou ao 13º lugar, somando 45 pontos ao fim do campeonato.

Em 2016, Mano Menezes pegou o Cruzeiro na vice-lanterna, com 15 pontos na 17ª rodada. A reação levou a equipe à 12ª colocação, com 51 pontos e vaga na Copa Sul-Americana.

Mais recentemente, em 2025, Abel Braga assumiu o Internacional faltando apenas duas rodadas. Com vitória sobre o Bragantino e tropeços de Fortaleza e Ceará, o Colorado garantiu permanência na elite.

Os dados indicam que a troca pode funcionar — quase metade das vezes resultou em título —, mas também deixam claro que não há qualquer garantia de sucesso imediato. Os exemplos ao longo da era dos pontos corridos mostram que a mudança de comando pode tanto aprofundar uma crise quanto se transformar em ponto de virada, seja na corrida pela taça ou na luta desesperada contra o rebaixamento. No Brasileirão, trocar não assegura glória nem evita tragédia — é, muitas vezes, a última cartada antes do veredito final. No caso do Atlético-MG, a decisão soa como um movimento calculado: agir agora para impedir que a temporada escape de vez do controle. Resta saber se o próximo capítulo seguirá o roteiro das arrancadas históricas ou se a aposta na ruptura cobrará um preço alto ao clube mineiro.

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